quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Descendência de D. João II na Ataíja

D. João II, Rei de Portugal, chamado o Príncipe Perfeito, nasceu em 1455 e morreu em 1495, tendo reinado desde 1477 até à sua morte.
Durante o seu reinado tiveram lugar as viagens de Diogo Cão, (desembarque e colocação de um padrão na foz do rio Zaire e reconhecimento de toda a costa de Angola, até à Namíbia); de Bartolomeu Dias, (dobragem do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África e entrada no oceano Índico, abrindo, assim, o caminho marítimo para a Índia); a assinatura do Tratado de Tordesilhas, celebrado com Espanha, pelo qual o mundo foi dividido em duas partes e garantida para Portugal a posse do Brasil, cuja descoberta oficial havia de ter lugar seis anos depois; a viagem terrestre de Pero da Covilhã e Afonso de Paiva, pelos territórios do Egipto, Etiópia, Moçambique, Arábia e Irão.
Ao mesmo tempo que foi responsável pela época de ouro dos descobrimentos portugueses, levou a cabo uma política interna de reforço do poder real, para o que não hesitou em mandar matar, ou fazê-lo por suas próprias mãos, os nobres mais poderosos do Reino.
Teve ainda tempo para umas escapadelas do leito conjugal, sendo-lhe conhecidos filhos bastardos de, pelos menos, duas mães diferentes.
Dessas aventuras viria a resultar, mais tarde, o nascimento de alguns ataíjenses. Vejamos como:

D. João II teve por amante Brites Anes, a Boa Dona (nascida cerca de 1460) e dessa relação nasceu Brites Anes de Santarém.

Brites Anes de Santarém, (nascida cerca de 1485), mãe de Brites Anes Baracho senhora da Quinta e Torre de Vale de Esteio, e filha reconhecida do Senhor Rei D. João, que Santa Glória haja, havida em Brites Anes de Santarém, a Boa Dona, que era filha de Álvaro Anes de Santarém, morador e senhor que foi do dito solar, torre e morgado de Vale de Esteio, rico-homem e vassalo d’El-Rei D. João I.

Brites Anes Baracho (nascida cerca de 1510), casou com João Pires Amado (nascido cerca de 1500) e tiveram quatro filhos, entres eles Pedro Anes Amado.

Pedro Anes Amado, fidalgo da casa real, morreu em 1612 com mais de 100 anos (por outro lado, há quem sustente que terá nascido cerca de 1540).

António Amado (nascido cerca de 1570), filho de Pedro Anes Amado, não foi senhor da casa de seu pai, por lhe ter pré-falecido. Casou com Catarina Dias Delgado, filha de Filipe Delgado, fidalgo da casa do Sr. Cardeal-Rei (Cardeal D. Henrique). Morou em Aljubarrota.

António Amado, o Moço, (nascido cerca de 1600) filho de António Amado, foi Senhor de Vale Esteio por morte de seu avô, mas com o Couto quebrado e casas arrasadas, o que Filipe II mandou por um decreto por terem seguido o partido de D. António, Prior do Crato, na sua pretensão ao Trono. Teve vinte filhos. Casou 2 vezes, a segunda com Domingas Fernandes de Carvalho de lhe deu oito filhos, entre eles, Antónia (ou Antonieta?) Amado.

Antónia Amado (nascida cerca de 1630), filha da 2ª mulher de António Amado, casou com Manuel Coelho (nascido cerca de 1625), do lugar da Ataíja, no termo de Aljubarrota. Tiveram 2 filhos:

- Manuel Coelho Amado (nascido cerca de 1660) que casou com Madalena Antunes e teve quatro filhos, entre eles, Vicência Amado que casou “muito nobremente” com João Coelho, Senhor do Morgado dos Coelhos da Boieira, do termo de Porto de Mós. Este morgadio veio a ser extinto, em 6-7-1775, por D. José I, a pedido de João Coelho Amado (nascido cerca de 1733, filho do João Coelho e da Vicência Amado) que foi, assim, o último morgado.
- António Coelho Amado (nascido cerca de 1660) que casou com Maria de Sousa, da família dos Sousa Alvim, de Ourém;

Uma Nota: Na árvore genealógica da família (brasileira) do Coronel Sabino Nazareth (Gente de Turquel-Nazareth) consta um António Amado, lavrador, nascido Freg. S. Vicente de Aljubarrota, lugar de Ataíja, casado em Turquel com Maria Delgado daí natural. Sabendo-se que uma sua filha faleceu em 20-11-1749, com a idade de setenta e três anos, em Turquel, em cuja Igreja Matriz foi sepultada, é de presumir que este António Amado tenha nascido por volta de 1650. Assim, se as datas acima estiverem certas, então este António Amado não pode ser descendente de Manuel Coelho. Mas pode ser sobrinho da sua mulher (que, com dezanove irmãos, há-de ter tido muitos sobrinhos). Esta é uma questão para genealogistas que eu não o sou e apenas por mera curiosidade aqui trouxe esta demonstração da ascendência de D. João II sobre alguns ataijenses.

Uma questão: Aquele Manuel Coelho era da Ataíja de Cima, ou da Ataíja de Baixo? Eis uma pergunta a que não sei responder. Alguns dizem que era da Ataíja de Baixo. Não creio que a questão seja, assim, tão importante e menos creio que, naquelas épocas, fosse importante.

Finalmente: O Manuel Coelho, não era nobre mas era, certamente, um rico proprietário. De facto, não só consegue casar com uma nobre como a sua neta Vicência também casa “muito nobremente”, sinal de que seu pai, conseguiu manter a importância da casa de seu avô.

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