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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

ATAÍJA, 7 OUTUBRO DE 1810


Tal como a minha avó me contou à lareira, em longos serões de Inverno, naquele tempo em que não havia electricidade e em casa nos iluminávamos com a luz da candeia ou, simplesmente, com a que vinha da lenha a arder na lareira e o serão se iniciava, por isso, ao pôr-do-sol, o povo fugiu aterrorizado à notícia da chegada dos franceses, escondendo-se nos matos altos que havia na borda da serra e nos vales.
Os franceses desapontados, gritavam falsamente fingindo-se quem não eram: Maria! Vem-te embora que já lá vão os franceses! Mas, ao que parece, a prudência imperou e não tenho notícia de homem que tenha caído na esparrela, nem de virgem que, neste interim, tenha deixado de o ser, ao menos, a mãos estrangeiras. Se é verdade o que contava a minha avó (que o terá ouvido ao seu avô que, esse, foi contemporâneo dos acontecimentos) na Ataíja não houve mortos pelo que a aldeia terá, assim, escapado a um flagelo que na nossa região atingiu dimensões quase incompreensíveis e de onde resultou uma diminuição da população para menos de metade.
Os franceses, continuava a minha avó, entraram, assim, livremente, pelas casas abandonadas e comeram o que quiseram e tomados daquela malvadez de que, julgava eu, só os franceses são capazes (vim, mais tarde, a perceber que todos os exércitos são iguais), tombaram e arrombaram talhas e pias de azeite que eu, empolgado com a vivacidade da descrição, via a correr em rios pelas ruas da aldeia e foram-se às arcas e trouxeram-nas para a rua e deram de comer aos cavalos, trigo, cevada, aveia e milho. Levados a beber água na Lagoa Ruiva os animais rebentaram pelo inchar dos grãos secos e, partidos os franceses, era grande a mortandade de cavalos e mulas em todo o redor da lagoa.
Estas histórias impressionaram-me fortemente, de tal modo que se seguiram sonhos agitados durante os quais, por mais de uma vez, em luta com os malvados franceses, cheguei a cair da cama. Mas, essas vivas descrições ajudaram mais ao meu gosto pela História que os professores todos que, depois, havia de ter.

Quando é que os franceses estiveram na Ataíja e fizeram as tropelias de que falava a minha avó Maria Lourenço?

Provavelmente, passaram por lá por mais de uma vez entre 1808 e 1811 mas, de certeza, por lá passaram no curto período entre a tarde do dia 6 e a manhã do dia 8 de Outubro de 1810 e foi então, certamente, que cometeram as pilhagens e destruições de que me falou a minha avó.

A Batalha do Bussaco tinha tido lugar em 27 de Setembro e de seguida, os exércitos anglo-portugueses iniciaram a sua retirada para as Linhas de Torres, reunindo-se em Leiria de onde partiram no dia 6 de Outubro, de manhã, dividindo-se em três partes, uma das quais seguiu por Alcobaça e Óbidos, a outra pela Estrada de D. Maria I (actual IC 2), a caminho de Rio Maior e Alcoentre e a terceira, por Tomar, para Santarém.
Logo atrás, vinham os Franceses que saquearam a cidade de Coimbra abandonada e, no dia 7 (há, precisamente, 199 anos), Soult já estava nas Pedreiras e Lamotte na Calvaria, de onde enviou patrulhas até Alcobaça, onde ficou a brigada do general Ornano e, no dia seguinte, todo o grosso do exército estava acampado entre Porto de Mós, Molianos e Candeeiros, com Montbrun instalado “à direita dos Molianos” com infantaria e artilharia. Ainda no dia 8, as primeiras tropas puseram-se em marcha para Rio Maior.

Wellington, adoptou na retirada uma política de terra queimada, destruindo tudo o que pudesse ser aproveitado pelo inimigo, os franceses, esses, possuíam uma logística mínima e alimentavam-se e alimentavam os cavalos do que conseguiam pilhar nos locais por onde passavam.

Houve, pois, uma primeira destruição provocada pelos exércitos portugueses e ingleses o que terá provocado o desespero dos franceses, fortemente castigados com mais de 5.000 mortos numa manhã no Bussaco e, muitos mais, fracos e doentes que foram ficando pelo caminho, incapazes de acompanhar as marchas forçadas. A fome e a desorientação provocada pelos conflitos entre os generais e um incompreensível desconhecimento do terreno que obrigava Massena a “navegar à vista” e a dar ordens e contra-ordens, também não hão-de ter contribuído para elevar a moral do exército,

Entende-se, assim, o desprezo amargo que ressalta das palavras do General Koch nas suas “Memórias de Massena”: “É impossível ver uma região mais miseranda que a que vai de Carvalhos[i] a Rio Maior; Candeeiros e Moliano não têm, sequer, o aspecto de lugarejos, e só apresentam meia dúzia de péssimas cabanas esparsas numa planície nua e árida onde não há cereais nem forragem nem água”.

NOTAS:
[i] Carvalhos, é o sítio que conhecemos por Pedreiras
A ler: Leiria no Tempo das Invasões Francesas, Jorge Estrela, Gradiva, Lisboa, 2009


(Este texto foi nicialmente publicado neste blog em 07-10-2009)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O meu trisavô João Cláudio


Aos serões, a minha avó contava-me histórias.

Como a daquele seu avô que, integrado nos exércitos luso-britânicos, tinha combatido a 3ª Invasão Francesa, perseguindo Massena e as suas tropas até cerca dos Pirinéus.

Na verdade, a minha avó era analfabeta e não sabia se era ou não a 3ª Invasão Francesa, muito menos, quem foi Massena ou onde eram os Pirinéus. O que ela sabia, de ouvir contar e era isso que me contava, eram os terríveis sofrimentos que à Ataíja foram impostos pelas Invasões:
As talhas rompidas e o azeite correndo em rios pelas ruas. O vinho roubado e bebido sem medida, tornando ainda mais selvagens os invasores. O milho que havia de servir para fazer o pão e o trigo de pagar os foros, arrombadas as arcas e dado a comer aos cavalos. Tudo o que era de comer, destruído ou roubado. Violações. Assassinatos por motivos fúteis. Jovens donzelas tentando proteger a sua honra, mulheres feitas e homens de família escondidos nos matos como bichos tentando escapar à fúria francesa.

Talvez por isso, a memória do meu trisavô soldado pairava na velha casa e a sua coragem acompanhava-me e protegia-me nos pesadelos que, em longas noites de Inverno, me perseguiam mascarados de soldados franceses.

Contava a minha avó que o tal avô (tinha ela dois anos quando ele faleceu), sendo então muito velho, era vítima da chacota dos jovens e de indefinidas ameaças, às quais respondia com recordações dos tempos de juventude:
- “Diz-lhe, homem, que eu fui atrás dos franceses até Montevideu”.
Com o que ganhou a estranha alcunha de “Diz-lhe homem!”.

Nas minhas lembranças daqueles serões, a frase exacta do velho soldado era essa: "Diz-lhe homem! Que eu fui atrás dos franceses até Montevideu”. Era com tal frase que o meu trisavô invectivava garotos e outros malandros e, nessas lembranças, chamava-se esse meu antepassado João Pereira Cláudio, nome que julgo ter ouvido centenas de vezes, por diariamente ser invocado na lista de beneficiários das orações da noite.

Mas, talvez (quase de certeza) a memória me traia.

Aliás, na minha vida, não me lembro de jamais ter conhecido alguém que usasse o apelido Cláudio. Apenas, me lembro de que a minha avó e algumas outras pessoas do seu tempo, se referiam a António Agostinho, (que foi conhecido pela alcunha de Russo), chamando-lhe António Cláudio.
Nas minhas buscas não encontrei documento que falasse num João Pereira Cláudio mas, já tinha encontrado um António Maria Cláudio e, agora, encontrei um João Maria Cláudio, um João Maria de Souza Cláudio e um João de Souza que julgo serem uma única e a mesma pessoa.

Parece-me bem que este João Maria de Souza Cláudio é o tal antepassado, o “Diz-lhe homem!”

De facto, tendo falecido em 10 de Novembro de 1884, com a bonita idade de 95 anos, significa isso que terá nascido em 1789 (o ano em que se iniciou a Revolução Francesa e teve lugar a Tomada da Bastilha) e, portanto, tinha 18 anos quando D. João VI mudou a Corte para o Brasil, deixando o caminho aberto para a 1ª Invasão Francesa (Junot) e 23 ou 24 anos quando, na contra-ofensiva que se seguiu à 3ª Invasão, perseguiu os exércitos franceses através de Espanha.
Acresce que, como consta do assento de óbito, tinha essa extraordinária profissão (ao menos para ataijense) de soldado reformado.

Ah! E, claro, era exposto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.






sábado, 14 de novembro de 2009

Ataíja e as Invasões Francesas

Primeira passagem das tropas inglesas


Em 1 de Agosto de 1808, durante a primeira Invasão francesa de Portugal, um corpo expedicionário britânico com cerca de 9.000 homens, sob o comando da Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, começou a desembarcar na margem sul da foz do rio Mondego, na costa de Lavos. Quatro dias mais tarde juntou-se-lhe uma força de 4.500 homens vindos da Andaluzia, no seguimento da vitória obtida na batalha de Bailen travada em 20 de Julho.

Em 10 de Agosto esta força iniciou a sua marcha para sul e, em Leiria, foi reforçada com mais 2.000 portugueses comandados pelo coronel Trant, oficial inglês ao serviço do exército português. Em 14 de Agosto, Wellesley, comandando, assim, perto de 16.000 homens, estava em Alcobaça (sabendo já que os franceses que, sob o comando de Delaborde haviam sido enviados por Junot para observar e retardar os seus movimentos, se encontravam junto a Óbidos) e, no dia seguinte, chegou às Caldas da Rainha em cujos arredores tiveram lugar as primeiras escaramuças.

No dia 16, os exércitos encontraram-se e o general francês Delabord, inicialmente colocado na planície entre o Pó e a Roliça reposicionou as suas forças de cerca de 4.500 homens, recuando para uma forte posição sobre as colinas a sul da Columbeira, à qual apenas se podia aceder através de íngremes e estreitas ravinas e foi aí que a batalha, conhecida por batalha da Roliça, se veio a travar no dia 17.

Desta vez, o odiado Maneta que se encontrava em Tomar e recebera ordens de Junot para se juntar a Delabord não chegou a tempo e os franceses foram obrigados a retirar. Nesse dia, cerca de 1100 a 1200 homens foram feridos ou perderam a vida. Mais de 600 eram do exército francês e quase quinhentos eram ingleses (incluindo metade do efectivo do 29.º Regimento de Infantaria e o seu comandante, tenente-coronel Lake) e portugueses.

Esta foi a primeira vez que as forças britânicas envolvidas na Guerra peninsular percorreram a nossa região.

Terão estado na Ataíja? Quase de certeza que não. Os movimentos militares são fortemente condicionados pela geografia. Ora, vindo de Leiria para Alcobaça e sem inimigo à vista, o exército movimentou-se com à-vontade pela estrada que seguia pela Batalha e Aljubarrota, com o lado esquerdo do percurso naturalmente defendido pelo vale da Ribeira do Mogo, sobre o qual a cumeeira de Aljubarrota permite uma ampla visão e constitue uma posição dominante que dispensava a necessidade de lançamento de patrulhas para além dele.

O ressoar das botas da infantaria e o dos cascos dos cavalos, o tilintar das espadas e o ranger dos carros da artilharia e das bagagens, esses, hão-de,  ter-se feito ouvir até à base da serra dos Candeeiros.

Acresce que aquele dia 14 de Agosto de 1808 foi um Domingo e os ataíjenses hão deixaram de se deslocar a São Vicente para ouvir a missa. Talvez ainda tivessem visto alguns ingleses e, certamente, os de Aljubarrota e da Cumeira que também lá estavam os hão-de ter visto. Como terá sido o sermão? Talvez um acalorado louvor aos ingleses libertadores e um chorrilho de insultos aos franceses, pedreiros-livres e encarnação do anti-Cristo.

Certamente, hão-de ter sido muitos os comentários angustiados embora esperançosos. É que a região vinha a sofrer as consequências da ocupação francesa pelo menos desde o princípio do ano quando, a 9 de Fevereiro, nove portugueses foram arbitrariamente fuzilados nas Caldas da Rainha por ordem de Loison, o Maneta e, há pouco mais de um mês, em 5 de Julho, o General Kellerman tinha atacado Leiria.

Mas era, apenas, o começo. Nesse dia, os povos não podiam, ainda, adivinhar os tempos difíceis que se iriam seguir.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ATAÍJA E AS INVASÕES FRANCESAS

No passado dia 7 de Outubro publicámos aqui um primeiro post sobre este assunto. Outros estão a ser preparados mas no de hoje, motivado por um texto do Dr. Rui Rasquilho publicado em “O Alcoa”, de 5-11-2009, falaremos, antes, da passagem dos ingleses.

A história da Guerra Peninsular, ou Invasões Francesas, tem de ser feita, sobretudo, por recurso ao que na época foi escrito por militares franceses e ingleses já que a bibliografia portuguesa contemporânea é, praticamente, inexistente.

Entre os diversos livros escritos por militares ingleses que naquela época combateram em Portugal, encontra-se o referido pelo Dr. Rui Rasquilho, “The Diary of a Cavalry Officer in the Peninsular War and Waterloo Campaign. 1809-1815”. by the Late Lieutenent Colonel Tomkinson, 16th Light Dragons. Edited by His son James Tomkinson, Second Edition, London Sonnenschein & Co. New York Macmillan & Co. 1895. (“Diário de um Oficial de Cavalaria na Guerra Peninsular e na Campanha de Waterloo. 1809-1815”, pelo antigo Tenente-Coronel Tomkinson, do 16º Regimento Ligeiro de Dragões. Editado por seu filho James Tomkinson, Segunda Edição, Londres, Sonnenschein & Co. Nova Iorque, Macmillan & Co., 1895).

O livro está disponível e pode ser descarregado da internet, em PDF e noutros formatos, em:
 http://www.archive.org/details/cu31924024323663
(lembramos aos eventuais leitores o facto de que existe hoje na internet uma grande massa de informação disponível, a que qualquer um pode aceder gratuitamente).

O original do exemplar disponível na internet é propriedade da Cornell University Library (Biblioteca da Universidade de Cornell, Estados unidos da América) e foi comprado com a renda do Sage Endowment Fund,( Fundo da Doação Sage), oferecido pelo Sr. Henry W. Sage em 1891. (Henry W. Sage foi um rico homem de negócios que, numa atitude muito típica dos americanos ricos doou, em finais do Século XIX, um total de cerca de 2,375 milhões de dólares à Universidade de Cornell, (v. o seu obituário publicado no jornal New York Times, no dia 19-9-1897, disponível, em:
 http://query.nytimes.com/mem/archive-free/pdf?_r=1&res=9502E4DD1039E433A2575AC1A96F9C94669ED7CF))

O livro em questão é muito interessante para o estudo da história das invasões francesas em Portugal e, em particular, na região de Alcobaça, assunto a que dedica cerca de uma dúzia de páginas e é absolutamente notável a qualidade dos mapas que contém.

Ficamos a saber que a unidade do exército britânico a que pertencia o Tenente-Coronel Tomkinson, atravessou a nossa região durante a segunda Invasão Francesa, a caminho do norte do país onde foi combater Soult, tendo saído de Rio Maior em 2 de Maio de 1809, para chegar à Batalha no dia seguinte e a Coimbra no dia 6. Uma vez que, naturalmente, seguiram pela Estrada de D. Maria Pia (actual IC2), passou junto à Ataíja onde, pelos menos os batedores da cavalaria, não terão deixado de entrar.

O Tenente-Coronel Tomkinson passou, de novo, pela nossa região em 5 ou 6 de Outubro de 1810, fazendo parte do exército luso-britânico que havia travado a Batalha do Bussaco e se retirava para as Linhas de Torres. Isto, quer tenha integrado a parte do exército que seguiu por Alcobaça e Caldas da Raínha (nesse caso passando por Aljubarrota), quer a parte do exército que se dirigiu a Rio Maior, pela Estrada de D. Maria Pia. (uma terceira parte do exército caminhou para a região de Lisboa por Ourém e Tomar).

Mais tarde, em 1811, entre os princípios de Janeiro e os de Março, a unidade em que o Tenente-Coronel Tomkinson se integrava esteve instalada na nossa região (esteve, durante algum tempo, sediada em Alfeizerão), conforme descreve a páginas 67 a 78 do seu livro, envolvendo-se em diversos episódios com as tropas francesas. É neste contexto que relata a situação em que encontrou o Mosteiro de Alcobaça, de que fala Rui Rasquilho.

O livro contém referências expressas a factos ocorridos em Alcobaça. Alfeizerão, Aljubarrota, Carvalhos (Pedreiras), Batalha, Cela, Évora, Famalicão, Pederneira, São Martinho e Vestiaria.

Em 6 de Janeiro de 1811, assinala o Diário, as tropas francesas do General Drouet D’Erlon, aquarteladas em Leiria, andavam a pilhar todas as aldeias em redor de Alcobaça, onde os habitantes, habituados às exigências exorbitantes dos frades, tinham por costume antigo esconder os bens. Os franceses, esses, tinham-se tornado tão peritos em encontrar os lugares onde os habitantes escondiam os seus bens, milho, vinho e azeite que, diz Tomkinson, chegavam a inundar os terrenos em redor das casas e escavavam nos sítios onde a água se sumia pois aí, provavelmente, estavam covas onde se escondia o milho e mediam as casas por fora e por dentro para tentar encontrar divisões secretas onde esses bens estivessem escondidos. (recorde-se que os franceses não dispunham de outro modo de se alimentar e aos animais, senão pilhando os bens das populações).

Em 7 de Março, tendo recebido ordem para seguir para Leiria e Ourém, Tomkinson passa em Alcobaça e anota que a destruição no Mosteiro excede tudo o que antes tinha visto. Os túmulos de D. Pedro e de D. Inês estavam arrombados e os franceses tinham queimado o que puderam (segundo Rasquilho, Tomkinson diz que o incêndio do Mosteiro durou 22 dias mas,não encontramos essa referência no livro) e destruído o restante, num trabalho deliberado e moroso, demasiado trabalho para o resultado, diz.

Em 9 de Março Tomkinson está na Batalha e anota que os franceses, na sua retirada, saqueiam, incendeiam e destroem as vilas e aldeias por onde passam, deixando os camponeses na maior miséria e matam muitos “cujos corpos nós vemos em cada dia que passa”.