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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Gente da Ataíja de Cima – Luís da Graça

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Luís da Graça de Sousa, nasceu na Ataíja de Cima em 12 de Maio de 1931, (tendo, no entanto, sido registado como nascido a 27 do mesmo mês), filho de Manuel Luís de Sousa e de Maria da Graça.

Para sustentar a numerosa prole, o pai emigrava sazonalmente para a região de Lisboa onde, a meias com seu irmão João Luís de Sousa, era responsável por uma vacaria (os irmãos revezavam-se na função, em períodos de cerca de três meses. Enquanto um ficava por Lisboa, o outro estava na Ataíja cuidando das magras terras familiares e olhando pelas famílias) e foram os tostões assim amealhados que lhe permitiram construir uma cisterna de abóboda que ainda existe junto à casa que foi sua, na Rua das Seixeiras e, a escassos metros, um moinho de vento que existiu onde na segunda metade dos anos de 1940 o seu filho, que foi conhecido por João Frade, construiu a sua casa.

(Sobre essa cisterna publicámos um texto neste blog, em 23-02-2011 - ver AQUI)

(Sobre o moínho publicámos um texto neste blog em 24-08-2018 - ver AQUI)


Tudo isso não obstava à continuada pobreza da família pelo que ao Luís coube, aos 12 anos de idade, ir “servir”, ou seja, como criado de cama e mesa, em casa de um agricultor de Serro Ventoso, onde se manteve até aos 17 anos e ganhou para as primeiras botas.
Regressado à Ataíja, iniciou-se nos negócios de compra e venda de peles de coelho, chinelos velhos, azeite e tudo o que pudesse ajudá-lo a escapar à incerta vida de jornaleiro.

Mais tarde havia de seguir a aventura de se tornar leiteiro, em Lisboa, o mesmo caminho percorrido por muitos alcobacenses da “borda da serra” (conheci pessoalmente leiteiros oriundos de Aljubarrota, Ataíja de Baixo, Casal do Rei, Molianos, etc.e, da Ataíja de Cima, foram leiteiros, entre outros, os meus pais, João Lourenço Quitério e Maria Joaquina da Graça (Maria Carlota).
Naquele tempo, os naturais de uma determinada região emigravam para a capital para exercer uma determinada profissão (ía-se para a profissão de um amigo ou conhecido: galegos e minhotos para tabernas e restaurantes, os tomarenses para a construção civil, os de Tábua para padeiros, alcobacenses também, muitos, para vaqueiros (da Ataíja de Cima foram vaqueiros em Lisboa - cito de memória - Porfírio Coelho, António e Francisco Jorge, João Dias (Janita), João Ângelo e outros) e os alentejanos para operários, fixando-se nos arrabaldes industriais do Barreiro, Amadora e Moscavide).

Em Lisboa se manteve até 1958 – tinha, entretanto, casado em, em 8 de Abril de 1956, com Luísa Cordeiro Catarino - quando regressou à Ataíja, instalando-se na casa dos meus pais, agora minha, onde ficou até que construiu a sua, indo nós ocupar a “parte de casa” onde ele vivia, na cave de um prédio que já não existe, na Rua Luís Monteiro, nº 28, no Alto do Pina). 

Aproveitando a recente descoberta do valor comercial do vidraço de Ataíja, que o "Veneno" tinha começado a explorar pouco antes, começou também ele a escavar uma pedreira, num pequeno terreno no Vale Cordeiro que era propriedade do seu sogro, António Catarino. O negócio foi crescendo e a escola que, no tempo próprio, se tinha ficado pela segunda classe, foi retomada aos 37 anos quando, feita a quarta classe, pode tirar a carta de condução, e ter o seu primeiro automóvel.



O resto da história é conhecido:

Dotado de inteligência e carácter e impulsionado por uma enorme vontade de trabalhar, extraordinária visão empresarial, espírito inovador,  – Luís da Graça foi sempre um pioneiro, o primeiro a usar nas suas pedreiras cada uma das novas tecnologias e equipamentos que iam surgindo - e capacidade de gestão, o negócio não parou de crescer.

E, a par do negócio, apoiado na divisa que tanto gostava de repetir: “Quanto mais dou, mais tenho!”, cresceu o Benemérito:

Bombeiros, Misericórdias, Autarquias e Associações, de todas as terras onde exerceu actividade industrial, beneficiaram largamente dos donativos de Luís da Graça.



No dia 25 de Maio de 2008, a pretexto da inauguração do monumento aos Cabouqueiros que ofertou à Ataíja, foi objecto de uma grande e merecida homenagem que incluiu o descerramento do seu busto, cuja fotografia ilustra este texto

Manteve-se até perto dos oitenta anos de idade, à frente da sua empresa Sousa & Catarino, Lda (http://sousaecatarino.pt).

Pouco depois, o curso inexorável do tempo impôs-se e Luís da Graça deixou aos seus filhos a direcção efectiva da empresa.
Os últimos anos viveu-os no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça.

Luís da Graça de Sousa foi um grande industrial, um grande filantropo, um grande ataijense e foi um amigo.

Faleceu no dia 23 de outubro de 2021



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O texto acima foi inicialmente publicado em 22 de Março de 2011, actualizado em 23 de Outubro de 2021 e hoje, 30 de Maio de 2024, de novo actualizado, agora a pretexto da inserção do seu diploma da 4ª Classe, cuja disponibilização agradecemos ao seu neto Marcelo Paulino.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Gente da Ataíja de Cima - António Baptista Vigário - o António Sabino



Sob a epígrafe Gente da Ataíja de Cima pretendemos construir uma galeria que lembre aos mais velhos e ensine aos mais novos, algumas pessoas que, pelas suas características ou pela sua acção deixaram, na vida da aldeia, uma marca de importância que merece ser conhecida.
A transição da economia agrícola de subsistência, que durante séculos caracterizou a vida local, para a economia industrial que começou (e continua) pela extracção de pedra (a apreciada rocha ornamental que tem a designação comercial de Vidraço de Ataíja), a que se seguiu a faiança e agora, a transformação de pedra e todas as actividades subsidiárias que entretanto foram surgindo, por serem indispensáveis à vida normal de uma comunidade industrial e ao evoluir dos tempos. Essa transição, dizíamos, também teve os seus protagonistas.
Já falamos neste blog do pioneiro João Veneno e de Luís da Graça (VER AQUI).

Falemos, agora, de António Baptista Vigário, o António Sabino.



Nascido em 6 de Julho de 1932, foi um dos três filhos de Sabino[i] Vigário e de Joaquina Baptista e, pelo lado paterno, neto de José Lourenço e Luísa Sabino, alfaiates e bisneto de José Vigário e Ana Lourenço e de Sabino dos Santos, também alfaiate e Maria Branca.
Teve dois irmãos:
José, o mais velho dos três, já falecido e que fez a maior parte da sua vida “lá para Lisboa”[ii], também teve por alcunha o nome do pai e foi, por sua vez, ao que se dizia, responsável pela alcunha do Manuel “Mochila”. É que o José Sabino era acordeonista ou aprendiz de acordeonista[iii] e, transportava o instrumento às costas, à laia de mochila. O dito Manuel “Mochila” nasceu de mãe solteira e mais não é preciso contar que os filhos de mãe solteira eram, sempre, alcunhados por referência ao pai presumido.
O outro irmão, o mais novo, é o Arnaldo que, pela raridade - durante décadas, mesmo, singularidade - do nome, nunca precisou de alcunha.

Desde novo que o António Sabino mostrou apetência para os negócios e pouca vontade de seguir as pisadas do pai que era carreiro[iv] profissional e, nos tempos mortos da sua actividade principal, também arriscava o ofício de sapateiro, o qual exercia na Casa do Couto.
Negociar tudo o que podia ser negociado, fossem peles de coelho ou chinelos velhos e, no devido tempo, candonga de azeite, foram actividades a que o António Sabino se dedicou logo na adolescência, muitas vezes tendo por companheiro de aventuras o amigo Luís da Graça, apenas alguns meses mais velho.
Os negócios corriam bem como o demonstra o facto de, aos dezoito anos, ter sido emancipado para poder tirar a carta de condução e, de seguida, comprar (já nem o próprio se lembra bem, se em 1950, se em 1951) um automóvel, um velho Opel que foi o primeiro veículo automóvel ligeiro de passageiros que houve na Ataíja de Cima. (VER AQUI)

Em 4 de Março de 1956, aos 23 anos de idade, essa tendência para o negócio ficou definitiva e necessariamente fixada. Nesse dia, quando ia à "pendura" na moto (eu tinha a memória de que era uma Norton mas, há quem jure que era uma AJS) do seu amigo António Faustino Ribeiro, “O Mosca” o qual, por vezes, também era companheiro nas aventuras da candonga do azeite[v], um grave acidente levou-o por largo tempo ao hospital, deixou-o a coxear para o resto da vida e livrou-o, de vez, de ter de vir a trabalhar no campo ou em outra actividade de igual exigência física.

Por essa altura, tinha sido construída no Largo do Outeiro a “casa do Maneta”, destinada a armazém de alfaias, adubos e produtos agrícolas, taberna e casa do rancho[vi].
Curado tomou então, em 1957, a exploração da taberna e aí ficou durante cerca de seis anos, até ao seu casamento, em 1963.

Em 1959, tornou-se um dos pioneiros da exploração da pedra VIDRAÇO de ATAÍJA, abrindo uma pedreira nos Caramelos.
A pedreira ainda existe. É a Pedreira “Caramelo 3”, propriedade de Mármores Vigário, Lda.

Em data que não consegui apurar, por volta de 1969/70, foi episódico (durante cerca de um ano) proprietário, ou co-proprietário da Safaril[vii], a primeira fábrica de faiança que existiu na Ataíja de Cima[viii].

Em 1984 entrou em novo ramo de negócio abrindo, sempre na Ataíja de Cima, uma fábrica de recauchutagem de pneus.

Entretanto, em 1963, tinha-se casado com Maria do Rosário, oriunda das Pedreiras e, infelizmente, precocemente falecida. Para instalar a nova família, comprou a casa e quintal da Benedita (a Benedita era uma senhora que sempre conheci viúva e, vim a sabê-lo mais tarde, o era de um marido que tinha falecido “na América”, não tenho a certeza se nos EUA se no Canadá) e aí construiu uma casa de dois pisos, sendo o primeiro andar destinado à habitação e o rés-do-chão a taberna e mercearia.
Esta foi a primeira casa da Ataíja de Cima equipada, de raíz, com casa(s) de banho(s) (2).


Hoje, aos 82 anos de idade, o António Sabino contempla, com justificado orgulho, o trabalho dos filhos, o Rogério e o Luís que dão, brilhantemente, continuidade ao pioneirismo do pai, dedicando-se à extracção e transformação de pedra, através das empresas Mármores Vigário, Lda e MVC - Mármores de Alcobaça, Lda.

À MVC – Mármores de Alcobaça, Lda., uma empresa com instalações fabris de grande dimensão, altamente sofisticada, dotada dos equipamentos e tecnologias mais modernas, o que lhe permite produtos de grande qualidade e, consequentemente, actuar nos mais exigentes mercados de exportação, já dedicamos um texto neste blog. (VER AQUI)

Sítio de internet da MVC – Mármores de Alcobaça, Lda:




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O texto acima foi publicado neste blog em 27 de setembro de 2014.

António Baptista Vigário, António Sabino, faleceu hoje, dia 04 de novembro de 2021, aos 89 anos, escassos dias após o seu amigo de sempre, Luis da Graça. Com ele, com eles, morre a geração de pioneiros que levou a Ataíja de Cima da agricultura de subsistência à economia industrial.






[i] Como é muito comum, o nome próprio do pai tornou-se alcunha do filho.
[ii] “lá para Lisboa” era uma expressão corrente que muitas vezes ouvi na boca de mulheres mais velhas que só escassamente faziam idéia de onde andavam os seus maridos e filhos.
[iii] É minha a hipótese de ter sido, apenas, aprendiz e nunca terá efectivamente feito carreira de acordeonista ou, então, desistiu cedo dela. É que nunca lhe conheci acordéon e nem me lembro de alguém, alguma vez, me ter dito que o ouviu tocar.
[iv] Carreiro, era o profissional que conduzia o seu carro de bois, com o qual faz transportes e, com as alfaias, - charrua, grade, trilho, etc. - prestava outros serviços agrícolas com a sua junta de bois (ou vacas, o que era o caso). Não confundir com abegão que desempenhava funções semelhantes mas enquanto trabalhador ao serviço de uma exploração agrícola.
[v] O cerrado controlo estatal sobre os abastecimentos alimentares que tinha atingido o seu pico durante a guerra com o racionamento, era o pretexto perfeito para o trânsito ilícito dos bens mais valiosos como o azeite.
[vi] Naquele tempo, em que não havia empregos fixos, eram cíclicas as deslocações de grandes grupos para tarefas agrícolas exigentes de muita mão-de-obra. Para a Ataíja, cujos campos eram um enorme mar de oliveiras, vinham, no devido tempo, grupos de pessoas – ranchos - de fora da aldeia para trabalhar na apanha da azeitona.
[vii] A fábrica começou a ser construída em 1969, na perspectiva da chegada da electricidade que viria a acontecer em Outubro desse ano. Embora a escritura de constituição da Safaril seja de 1972, o início da laboração é anterior.
[viii] Que adquiriu a uns tais Caetano e Fróis que julgo terem sido os empreendedores iniciais. Daquele Fróis, lembro-me de um dia em que, na adega do meu pai, bebeu mais do que a conta e foi o filho, então com uns escassos doze anos, quem conduziu o carro até a casa.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

sobre A Indústria da pedra e o PNSAC



No âmbito das comemorações do quadragésimo aniversário do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, teve lugar no passado dia 28 de Junho de 2019, nas instalações da empresa Solancis (http://www.solancis.com/pt/), na Benedita, um evento subordinado ao tema “Inovação tecnológica e economia circular na utilização de recursos geológicos”

Os cerca de cem participantes receberam as boas vindas do CEO da Solancis, Sr. Samuel Delgado que se congratulou com o facto de ser possível este evento que, disse, ficará na história do sector da pedra e deixa a Solancis muito orgulhosa, por juntar no mesmo propósito  a indústria, o PNSAC, e a escola representada pelo Instituto Politécnico de Leiria, constituindo uma recompensa por muitos anos de trabalho.
Víamos a PNSAC como um inimigo e agora vê-mo-lo como um parceiro. Disse.

O Engº Carlos Neves, professor no Instituto Politécnico de Leiria, proferiu uma palestra subordinada ao tema Fábricas do futuro: A relação connosco e com o cotidiano, na qual percorreu brevemente as caraterísticas distintivas das 1ª, 2ª e 3ª revoluções industriais e a 4ª revolução, que agora desperta e na qual a fábrica, a fábrica do futuro que agora começa, será bastante diferente das que conhecemos, cada vez mais automatizada e robotizada constituída por sistemas ciberfísicos, capazes de produzir produtos inteligentes e centrada no serviço.

Chamou a atenção para o facto de que esta 4ª revolução já começou embora, como aconteceu com as anteriores revoluções industriais, muitos disso se não apercebam.


Célia Marques, Diretora de qualidade, ambiente e território da ASSIMAGRA, falou sobre A sustentabilidade da indústria extrativa no PNSAC: Compatibilizar e cooperar para a exploração racional de massas minerais e a valorização do território, debruçando-se sobre os constrangimentos à actividade extractiva, designadamente a necessidade de assegurar a sustentabilidade ambiental das explorações na área do parque natural,  respeitando o rico património paisagístico, geomorfológico e paleontológico, bem como a sociedade, as populações e a economia tradicional que ainda subsiste em largas zonas e enunciou os problemas para as cerca de 350 pedreiras (de todos os tipos, apenas 98 de rochas ornamentais) que laboram na área e nas novas formas, nomeadamente através de comissões mistas, que vêm sendo encontradas para o diálogo entre o PNSAC, os municípios e a indústria extractiva.

A Dra. Maria de Jesus Fernandes, directora do Departamento Regional de Conservação da Natureza e Biodiversidade de Lisboa e Vale do Tejo, moderou um breve debate, durante o qual o sr. Samuel Delgado referiu a necessidade de breve aprovação do PDM (de Alcobaça) que está em revisão desde o ano 2000 e, do mesmo modo o Plano de Ordenamento do Parque que, igualmente, carece de revisão.

Engº Geólogo Marco Aniceto, da Solancis, falou sobre alguns dos aspectos da actividade da Solancis de cujas 12 pedreiras, 9 se situam na área do PNSAC, centrando-se na recuperação paisagística das pedreiras abandonadas (para cujo enchimento se aproveitam quer as escombreiras locais, quer desperdícios das pedreiras). Mencionou, a este propósito, números interessantes:

As pedreiras existentes do PNSAC ocupam uma área de  776 ha, correspondente a  1,94% da área total do parque que é de 40.000 ha.
As pedreiras da Solancis ocupam 34 ha, correspondente a 4,45% da área total das pedreiras.

Na área do parque foram já objecto de recuperação 80 ha, dos quais 21,7%, correspondentes a 17 ha, foram recuperados pela Solancis.

Enunciou medidas tendentes a assegurar a sustentabilidade das explorações, designadamente o facto de que as pedreiras produzem, quase exclusivamente, para alimentar as necessidades da fábrica (sendo que a fábrica só trabalha para satisfazer encomendas), extraindo-se apenas o necessário e quando necessário, minimizando-se os stocks.

Na fábrica, de imponentes dimensões, que visitámos de seguida, prenderam a atenção deste visitante o elevado grau de automatização, o sistema de recolha de desperdícios (toda a fábrica é percorrida por túneis onde correm tapetes rolantes que recolhem os desperdícios de pedra e os encaminham para o local onde são carregados nos camiões que os conduzem ao seu destino final), a produção própria de energia eléctrica, por recurso a painéis fotovoltaicos que já corresponde a quase 20% do consumo, (respectivamente, 1111 kwh/dia e 6098 kwh/dia) e os números, igualmente impressionantes, relativos à ETAR própria, com capacidade de tratamento de 8000 litros de água por minuto e a produção de lamas que atinge as 30 toneladas diárias.

Ao terminar a visita passamos por um veículo plug-in que estava a carregar as suas baterias e a provar que na Solancis as questões ambientais são levadas a sério.

Numa das paredes da recepção da Solancis este painel mostra diferentes acabamentos da pedra, que a entrada de designers na fábrica e a moderna maquinaria CNC (controlo numérico computorizado) agora permitem.


O PNSAC ofereceu aos participantes algumas das suas publicações:

- Plantas a Proteger no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros;
- Guia de Aves do PNSAC;
- Guia de Recuperação de Áreas Degradadas.

No decurso da visita tive a oportunidade de cumprimentar dois ataíjenses que ali trabalham e se hão-de ter interrogado sobre o que eu fazia ali. A resposta a essa interrogação é simples: Por um lado, a minha convicção de que o assunto interessa à Ataíja de Cima e o objectivo de dar conta dele neste blog. Por outro lado, a tentativa – conseguida – de aprender alguma coisa. É que eu acredito firmemente que, enquanto aprendemos, não envelhecemos verdadeiramente.

A jornada terminou com um pic-nic na Casa Florestal de Vale de Ventos, uma degustação de produtos regionais oferecida pela CMA, que constituiu uma excelente oportunidade para a troca informal de impressões entre os participantes.



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Amonites


As amonites eram animais marinhos (moluscos), cefalópodes[i], com olhos laterais e tentáculos e possuíam uma concha encaracolada com câmaras. O animal vivia na 1ª câmara, servindo as demais como flutuadores.
Estes animais terão surgido há cerca de 400 milhões de anos, ainda na era paleozóica[ii], muito antes de quaisquer vertebrados. Assistiram ao aparecimento dos dinossauros, há cerca de 230 milhões de anos e desaparecem, uns e outros, há 65 milhões de anos.   
Actualmente, como último representante desta classe de animais, sobrevive ainda na zona sudoeste do Oceano Pacífico o náutilo, de que dois exemplares foram recentemente filmados nos mares da Papua-Nova-Guiné.

As amonites evoluíram rapidamente (enfim, em termos geológicos) e espalharam-se por todos os mares, de tal modo que, um pouco por todo o lado e um pouco por todos os estratos[iii] do Mesozóico, é possível encontrar fósseis de amonites e, porque há muitos tipos diferentes de amonites, sendo que cada tipo tende a apresentar-se distribuído por um estrato diferente, isso torna-as excelentes indicadores da idade geológica, permitindo datar rochas com grande precisão (inferior a um milhão de anos).

A Ataíja de Cima situa-se na margem oeste do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) e do Maciço Calcário Estremenho, o qual se terá começado a formar há cerca de 200 milhões de anos e se caracteriza por constituir a maior formação calcária de Portugal.
As suas rochas pertencem, na generalidade, ao período Jurássico designadamente ao Jurássico Médio, ou seja, ao período popularizado pelo cinema como o tempo dos dinossauros.
Por tal razão é fácil encontrar fosseis variados[iv] designadamente de amonites e, também se encontraram pegadas de dinossauro[v]. Estas pegadas, descobertas durante os trabalhos numa pedreira, têm cerca de 175 milhões de anos e são constituídas por diversos trilhos, entre os quais um com cerca de 147 metros de comprimento o que o torna o mais longo do mundo até agora conhecido.
E, se o trilho dos dinossáurios foi descoberto ao desmontar-se uma bancada (uma camada, um estrato) na “pedreira do Galinha”, no caso das amonites, em vários lugares do Maciço[vi], elas estão ali, à vista de toda a gente, embora seja nas pedreiras que mais facilmente se encontram. De facto, “Muitos dos locais privilegiados para observações de índole geológica correspondem a frentes de exploração em pedreiras que atualmente se encontram em atividade.”[vii]

As fotos seguintes mostram três amonites recentemente encontradas em pedreiras da região (concelhos de Alcobaça e Porto de Mós).

Esta amonite, com cerca de 50 cm de diâmetro, surgiu durante a movimentação do bloco que se partiu deixando ver o fóssil que se encontrava no seu interior.

Esta amonite, com cerca de 30 cm de diâmetro, surgiu numa situação semelhante à anterior sendo que, aqui, toda a amonite se soltou do bloco quando ele se fracturou.

Neste caso, o bloco não apresentava quaisquer sinais de conter a amonite que tem cerca de 30 cm de diâmetro. Apenas em fábrica e depois da serragem, se verificou que a serra tinha cortado longitudinalmente a amonite, praticamente pelo plano médio da concha, deixando cada metade numa chapa diferente.






[i] Classe a que pertencem os chocos, as lulas e os polvos. Cefalópode significa, literalmente, “com os pés na cabeça”
[ii] Uma escala do tempo geológico pode ser vista, por ex., no artigo com o mesmo título na Wikipédia: (https://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_tempo_geol%C3%B3gico)
[iii] Como é fácil notar, nomeadamente nas arribas e nas pedreiras, os solos sedimentares são formados por camadas, estratos.
[iv] Na freguesia de Alcaria, Porto de mós, ocorre uma formação rochosa com tal quantidade de fósseis que é conhecida por “pedra-bicho”.
[v] O Monumento Nacional das Pegadas de Dinossáurio, fica situado na estrada de Ourém a Torres Novas, no extremo oriental do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. (ver: http://www.icnf.pt/portal/ap/nac/mon-nat-peg-dino-ourem-torres)
[vi] Em particular na zona da Fórnea, onde os geocachers já definiram um percurso a que chamam o “trilho das amonites” (ver: https://www.geocaching.com/seek/log.aspx?LUID=ca58a651-d0c7-4349-a466-538721e92fef&IID=c08fb6b3-d935-435d-be0b-c9f7793b6e3d)  
[vii] INEG, “Maciço Calcário Estremenho Caracterização da Situação de Referência” - Relatório Interno - Jorge M. F. Carvalho, Carla Midões, Susana Machado, José Sampaio, Augusto Costa e Vítor Lisboa, 2011, consultado em linha em 5-5-2016

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Chafariz de Cacilhas


Cacilhas sempre foi pouco mais do que um cais onde acostam os barcos que transportam os passageiros (e, antes da ponte, também transportavam as mercadorias) que circulam entre Lisboa e a margem sul na parte mais estreita do estuário do Tejo.
Almada, lá no alto, é terra antiga que teve foral de D. Sancho I mas, a sua história tem tanto de longa quanto de discreta.
É, assim com todas as povoações das margens sul. De costas para o sol, estão lá apenas como ponto de apoio às cidades grandes que na sua frente de desenvolvem do outro lado do rio.
E, nem a inauguração, em 17 de Maio de 1959, da gigantesca estátua do Cristo-Rei[i], mudou grandemente as coisas.

Embora desde meados do Séc. XIX se verifique no concelho de Almada um crescimento populacional constante, o grande salto, económico e demográfico[ii], só é dado a partir de 1966 quando, no dia 6 de Agosto, foi inaugurada a ponte sobre o Tejo, logo seguida da inauguração do estaleiro da Margueira[iii] em 1967[iv].

Cacilhas era (é) uma pequena faixa, uma praia, encaixada entre o rio e a colina onde se ergue Almada. Pequena povoação justificada pela existência do cais, de que há memória desde os Fenícios e os Romanos, foi, sempre, terra de pescadores, marítimos, carregadores e almocreves que, em meados do Séc. XVIII, já eram em número suficiente para justificar a construção da Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Bom Sucesso.

Ali, na estreita praia, tudo se concentra: o cais dos “cacilheiros” e a correspondente estação de autocarros, a Igreja a alguns metros, as docas do desactivado estaleiro da H. Parry & Son, Lda e, um niquinho mais para sul, as gigantescas e também desactivadas docas do estaleiro da Margueira da Lisnave. Para o lado direito de quem chega de barco há becos e está o Ginjal onde pontificam restaurantes, antigas tascas e magníficas vistas para o rio e Lisboa.

Tudo chega e tudo parte do Largo de Cacilhas onde, em 1874, a Câmara Municipal de Almada mandou erguer um chafariz que ficou colocado à entrada da Rua Direita[v], por onde se chegava à sede do concelho.
Pode ter-se uma noção da importância e notoriedade pública do acontecimento vendo o destaque que lhe foi dado na primeira página do “Diário Ilustrado” de 1 de Novembro de 1874:



Depois de ter servido a população durante mais de setenta anos, por razões aparentemente desconhecidas e em data incerta, algures pelos anos de 1940 ou princípios de 1950, o chafariz desapareceu, quando a má qualidade da água já não permitia o uso humano[vi].

Aguadeiros, Cacilhas, [s.d.].
José Arthur Leitão Barcia, in archivo photographico da C.M.L.

De então para cá, o Largo de Cacilhas mudou de nome e, várias vezes, de configuração, esta, tentando a cada vez uma melhor adaptação às necessidades decorrentes do serviço do cais e da articulação entre “cacilheiros” e transportes rodoviários e, essa terá sido a razão próxima para a o desaparecimento do chafariz.

Mas, se desapareceu o chafariz não desapareceu a memória da sua importância, o que levou a Câmara Municipal de Almada a decidir, no âmbito de obras para revitalização do centro histórico de Cacilhas, levantar no mesmo local do primitivo chafariz uma réplica, cuja inauguração teve lugar, no meio de grande festa, em 13 de Julho de 2012.


E, o que é que a Ataíja de Cima tem a ver com tudo isto?

O caso é que a dita réplica, uma cópia perfeita, colocada no local onde existiu o chafariz original, local esse que hoje como então é o coração da vida de Cacilhas, o que faz com que o chafariz seja visto, diariamente, por milhares de pessoas, essa réplica, é obra da empresa ataíjense Vigário & Machado. Lda[vii]

 Foto de Marco Balsinha, in http://www.panoramio.com/photo/76206415



[i] O Cristo-Rei não foi concebido em atenção a Almada, foi concebido para ser visto a partir de Lisboa.
Nesse tempo não existia a Diocese de Setúbal, criada em 1975. A área pertencia ao Patriarcado de Lisboa onde, aliás, o Cristo-Rei se manteve, apenas transitando para a Diocese de Setúbal em 1999.
[ii] O concelho de Almada que em 1960 tinha pouco mais de 70.000 habitantes, passou em 1980 para cerca do dobro e, actualmente, terá cerca de 174.000 residentes.
[iii] Com capacidade para receber os maiores navios então existentes, o estaleiro beneficiou largamente do encerramento do Canal do Suez, ocorrido no ano da sua inauguração, em 1967 e que se manteve até 1975.
[iv] Ainda não tinha passado um ano sobre a data de 5 de Maio de 1966 quando, primeira vez, um navio transportando contentores descarregou num porto europeu (Roterdão, na Holanda). A contentorização das cargas havia de, nos anos seguintes, revolucionar completamente os transportes em geral e o transporte marítimo em particular.
[v] Actual Rua Cândido dos Reis a qual foi, até à década de 1960, o principal acesso de Cacilhas a Almada.
[vi] Em meados dos anos de 1940, quando começava a verificar-se crescimento urbano de Almada, foi resolvido o problema crónico do abastecimento de água a Cacilhas, com a entrada em serviço da rede de abastecimento domiciliário e, daí, a desnecessidade e o consequente desaparecimento do chafariz.
[vii] Vigário & Machado, Lda, Rua dos Arneiros, 5, 2460-713 Ataíja de Cima. Tel. 262508146, https://www.facebook.com/vigariomachado.lda/

domingo, 17 de março de 2013

MVC - Mármores de Alcobaça. Lda.

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A empresa ataíjense MVC - Mármores de Alcobaça, Lda, tem agora dísponível no Youtube um interessante video de apresentação.
Neste, ao longo de 7' e 23'', é possível ficar com uma boa idéia das actividades da empresa, compreender todo o processo de transformação da pedra, desde a sua extracção na pedreira até ao ladrilho e perceber a sofisticação tecnológica da MVC.

Vale a pena dar uma vista de olhos:

http://www.youtube.com/watch?v=H0COtHAPNuM


Para saber mais sobre a MVC - Mármores de Alcobaça, Lda:

https://www.facebook.com/mvc.marmoresdealcobaca?fref=ts

http://www.mvc.pt/

segunda-feira, 4 de abril de 2011

MVC - Mármores de Alcobaça, Lda.

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Desde o início da exploração - há pouco mais de cinquenta anos - do Vidraço da Ataíja, percorreu-se um longo caminho de desenvolvimento do conhecimento dos modos de extraír e trabalhar a pedra, cujo corolário é a moderna capacidade de transformação. Este blog, que tem por objecto exclusivo a divulgação da Ataíja de Cima, não podia, por isso, deixar de dedicar um post a uma das mais importantes empresas locais.

Fundada em 1993 e dirigida pelos irmãos Rogério e Luís Vigário, a MVC - Mármores de Alcobaça, Lda, é uma empresa especializada na transformação de cálcareos, produzindo essencialmente ladrilhos e chapas para revestimento de pavimentos, paredes e fachadas de edifícios.

A empresa possui uma fábrica de grande dimensão (mais de 13.000 m2 de área coberta), equipada com a mais moderna tecnologia e os mais modernos equipamentos, altamente automatizada e informatizada e com rigoroso controlo de todo o processo de fabrico,  o que permite a realização de todas as operações de transformação da pedra, desde a serragem dos blocos até ao acabamento das peças.

A fábrica localiza-se no IC2 (EN1), ao Km 98, na Ataíja de Cima.

A associação a empresas extractivas  confere à MVC, uma grande capacidade produtiva e um controlo rigoroso da sua produção e a alta qualidade dos seus produtos permite-lhe exportá-los para todo o mundo, constando do seu portfólio obras realizadas nos Estados Unidos, Reino Unido, Islândia e Dubai, entre muitos outros países.





Um aspecto da fábrica:


O Vidraço Ataíja no catálogo da MVC:









Para saber mais sobre a MVC - Mármores de Alcobaça, Lda., consulte: http://www.mvc.pt/


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sábado, 1 de janeiro de 2011

Empresas na Ataíja de Cima

Na sequência de três artigos, recentemente publicados neste blog, sobre a economia ataíjense, subordinados aos títulos Vidraço de Ataíja, A Faiança na Ataíja de Cima e A Indústria e o Comércio na Ataíja de Cima, hoje, apresentamos agora o resultado de uma pesquisa sobre as empresas que têm sede, fábricas, oficinas, armazéns ou outras instalações na Ataíja de Cima.

A lista, de mais de quarenta empresas, que vai organizada por ordem alfabética de actividade, firma ou designação social, Email e Website, foi elaborada a partir de pesquisas na Internet e, por isso, terá algumas deficiências, erros ou lacunas. As empresas interessadas ou que não constem da lista, devem entrar em contacto connosco para se proceder às alterações que forem adequadas.


Automóveis (rent-a-car)
     Eurorent-Aluguer de Automóveis Lda.

Automóveis (reparação)
     Améliauto - Reparadora de Automóveis, Unipessoal Lda
     Vítor Manuel Vigário Ribeiro, Electricista Auto, Lda

Cafés e Restaurantes
     Café Aguarela
     Café Centro
     Restaurante Doces Sabores

Camiões (reparação)
     Reparafrota - Comércio e Indústria de Reparação Periódica de Frotas, Lda.
     Riotrailer

Cerâmica decorativa e utilitária (comércio)
     Cerearte - Cerâmica Artística, Lda
     Delta Faianças, Lda
     Terpal - Comércio e Indústria de Produtos Cerâmicos, Lda

Cerâmica decorativa e utilitária (fábricas)
     Destinos - Arte Cerâmica, SA
          geral@destinos-sa.com
          http://www.destinos-sa.com/
     Sousicer - Faianças Decorativas, Lda

Churrasqueiras (fabricação)
     Churrasqueiras Bernardino, Lda
          churrasqueirasbernardino@gmail.com
          http://www.churrasqueirasbernardino.com/

Equipamentos hoteleiros (manutenção)
     Filtrobaça - Manutenção de Equipamentos Hoteleiros, Lda

Funerária
     Funerária Ataíjense, Lda.

Mercearias, utilidades, tecidos e confecções (comércio)
     Maria Lúcia Carvalho Gomes

Rochas ornamentais (extracção, comércio, transformação)
     Airemarmores – Extracção de mármores, Lda.
          geral@airemarmores.pt
          http://www.airemarmores.pt/
     Arte e Fogo-Lareiras de Portugal Lda
          artef@arte-e-fogo.pt
          http://www.arte-e-fogo.pt/
     Levantina
          alcobaça@levantina.com
          http://www.levantina.com/
     Gaspares, Lda
          info@sousaecatarino.com
          http://www.sousaecatarino.com/
     Germano & Cordeiro, Lda.
     Granmalco - Comercial de Granitos, Lda.
     Grupo Ingemar - Comércio de Mármores e Granitos, Lda.
          alcobaca@ingemargroup.com
          http://www.ingemargroup.com/
     João Gomes de Sousa
     Lareiarte - Arte em Fabrico de Lareiras, Lda
          lareiarte@lareiarte.com
          http://www.lareiarte.com/
     Lareiras Sousa, Lda.
     Mármores Galrão, SA
          vendas@mocapor.com
          http://www.galrao.com/
     Mocapor - Comércio e Indústria de Mármores, Lda.
          mocapor@mocapor.com
          http://www.mocapor.com/
     MVC - Mármores de Alcobaça, Lda.
          geral@mvc.pt
          http://www.mvc.pt/
     Perpedra, Indústria de Mármores, Lda
          perpedra@sapo.pt
          http://www.perpedra.com/
     Ricarle Stone, Lda
          geral@ricarlestone.com
          http://www.ricarlestone.com/
     Ruipedra – Indústria de Extracção e Transformação de Pedra, Lda
          geral@ruipedra.pt
          http://www.ruipedra.pt/
     Sousa & Catarino, Lda
          info@sousaecatarino.com
          http://www.sousaecatarino.com/
     Vigário & Machado Lda

Saibro, areia e pedra britada (extracção)
     Vigarpedra, Lda

Serralharia Civil
     Artisolda, de Cláudio Lourenço Matias
     Soltage-Serralharia Lda.

Transportes rodoviários de mercadorias
     Brisa Ligeira - Transportes Lda
     Martaureltrans - Transportes, Lda
     Silvino Cordeiro de Sousa
     Transportes Moura Constantino Lda.
     Transtage - Transportes Ataija, Lda

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A indústria e o Comércio na Ataíja de Cima, hoje

Se, como referimos em post anterior (aqui), a importância económica da indústria da faiança é, hoje em dia, bem menor do que foi há vinte ou quinze anos atrás, em compensação as actividades ligadas à exploração da pedra Vidraço da Ataíja não têm parado de se desenvolver e alastraram-se, aliás, a todas as aldeias vizinhas. Agora já não é só, nem sobretudo, a actividade extractiva mas, antes, as da transformação e serviços associados.

Ao contrário do que aconteceu na cerâmica decorativa que é uma actividade importada e onde os ataíjenses quase nunca ultrapassaram a função de operários, no caso do Vidraço da Ataíja , verificou-se uma rápida adaptação que permitiu aos naturais aprender não só a extrair a pedra (a) como, mais importante em termos económicos, a transformá-la.

Por outro lado, as excelentes condições de acesso propiciadas pelo IC 2 (b) e a crescente importância da indústria extractiva regional, propiciada designadamente pelo desenvolvimento provocado pela crescente aceitação da pedra Molianos e outras extraídas nas Serras de Aire e Candeeiros, levaram alguns dos maiores grupos empresariais ligados à extracção e ao comércio de rochas ornamentais a instalar-se na Ataíja de Cima.

Esta dinâmica industrial levou a que as actividades, directa ou indirectamente ligadas viessem a, do mesmo modo, instalar-se ou desenvolver-se no local. Desde logo, a satisfação da necessidade básica da alimentação dos trabalhadores envolvidos, levou ao surgimento de cafés e restaurantes. A melhoria das condições de vida local, à banalização do automóvel e à necessidade de existência de oficinas de reparação. A produção industrial à necessidade de especialistas na sua comercialização. O crescimento do conhecimento local das técnicas de trabalhar a pedra ao surgimento de fábricas e oficinas de transformação.

Hoje, fazendo uma pesquisa sobre as empresas que têm fábricas, oficinas, armazéns ou outras instalações na Ataíja de Cima, contei 43 (c).

Mais de metade das empresas estão no sector da pedra, (extracção, serragem, armazenamento, fabrico de lareiras, pavimentos, revestimentos e cantarias, transporte, etc,).

Mais de 25% (12 empresas) possui sites próprios na internet. Este é um bom indício de que se trata de empresas modernas e viradas ao futuro.

O encerramento da maioria das fábricas de faianças conduziu, naquela época, ao surgimento de desemprego. Mas hoje em dia o desemprego é perfeitamente marginal (d) e, – parte boa – tendo desaparecido a exagerada pressão sobre a mão-de-obra local que levou a que uma geração inteira tivesse abandonado a escola para, (muito jovens, com catorze anos de idade), ir trabalhar nas fábricas há, finalmente, condições para a juventude estudar como deve estudar, já que só o estudo lhes poderá permitir fazer a gestão das empresas que os seus pais criaram, ou exercer, nelas, os cargos cada vez mais especializados que o futuro exige.

NOTAS:
a) -Nos primeiros tempos foi necessário recorrer à emigração de trabalhadores experientes, oriundos de Pero Pinheiro, Vila Viçosa, Ançã e Tentúgal (destes, cá ficou o Pimenta que, há muito tempo, já é um ataíjense).
b) Condições essas que, aquando da entrada ao serviço do IC 9, terão uma melhoria muito significativa.
c) Faltam algumas. A colaboração dos leitores para colmatar as falhas será bem-vinda.
d) A insuficiência da mão-de-obra local continua a justificar a existência de emigrantes, agora oriundos, sobretudo, dos chamados países de Leste.