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quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Gente da Ataíja de Cima - António Baptista Vigário - o António Sabino



Sob a epígrafe Gente da Ataíja de Cima pretendemos construir uma galeria que lembre aos mais velhos e ensine aos mais novos, algumas pessoas que, pelas suas características ou pela sua acção deixaram, na vida da aldeia, uma marca de importância que merece ser conhecida.
A transição da economia agrícola de subsistência, que durante séculos caracterizou a vida local, para a economia industrial que começou (e continua) pela extracção de pedra (a apreciada rocha ornamental que tem a designação comercial de Vidraço de Ataíja), a que se seguiu a faiança e agora, a transformação de pedra e todas as actividades subsidiárias que entretanto foram surgindo, por serem indispensáveis à vida normal de uma comunidade industrial e ao evoluir dos tempos. Essa transição, dizíamos, também teve os seus protagonistas.
Já falamos neste blog do pioneiro João Veneno e de Luís da Graça (VER AQUI).

Falemos, agora, de António Baptista Vigário, o António Sabino.



Nascido em 6 de Julho de 1932, foi um dos três filhos de Sabino[i] Vigário e de Joaquina Baptista e, pelo lado paterno, neto de José Lourenço e Luísa Sabino, alfaiates e bisneto de José Vigário e Ana Lourenço e de Sabino dos Santos, também alfaiate e Maria Branca.
Teve dois irmãos:
José, o mais velho dos três, já falecido e que fez a maior parte da sua vida “lá para Lisboa”[ii], também teve por alcunha o nome do pai e foi, por sua vez, ao que se dizia, responsável pela alcunha do Manuel “Mochila”. É que o José Sabino era acordeonista ou aprendiz de acordeonista[iii] e, transportava o instrumento às costas, à laia de mochila. O dito Manuel “Mochila” nasceu de mãe solteira e mais não é preciso contar que os filhos de mãe solteira eram, sempre, alcunhados por referência ao pai presumido.
O outro irmão, o mais novo, é o Arnaldo que, pela raridade - durante décadas, mesmo, singularidade - do nome, nunca precisou de alcunha.

Desde novo que o António Sabino mostrou apetência para os negócios e pouca vontade de seguir as pisadas do pai que era carreiro[iv] profissional e, nos tempos mortos da sua actividade principal, também arriscava o ofício de sapateiro, o qual exercia na Casa do Couto.
Negociar tudo o que podia ser negociado, fossem peles de coelho ou chinelos velhos e, no devido tempo, candonga de azeite, foram actividades a que o António Sabino se dedicou logo na adolescência, muitas vezes tendo por companheiro de aventuras o amigo Luís da Graça, apenas alguns meses mais velho.
Os negócios corriam bem como o demonstra o facto de, aos dezoito anos, ter sido emancipado para poder tirar a carta de condução e, de seguida, comprar (já nem o próprio se lembra bem, se em 1950, se em 1951) um automóvel, um velho Opel que foi o primeiro veículo automóvel ligeiro de passageiros que houve na Ataíja de Cima. (VER AQUI)

Em 4 de Março de 1956, aos 23 anos de idade, essa tendência para o negócio ficou definitiva e necessariamente fixada. Nesse dia, quando ia à "pendura" na moto (eu tinha a memória de que era uma Norton mas, há quem jure que era uma AJS) do seu amigo António Faustino Ribeiro, “O Mosca” o qual, por vezes, também era companheiro nas aventuras da candonga do azeite[v], um grave acidente levou-o por largo tempo ao hospital, deixou-o a coxear para o resto da vida e livrou-o, de vez, de ter de vir a trabalhar no campo ou em outra actividade de igual exigência física.

Por essa altura, tinha sido construída no Largo do Outeiro a “casa do Maneta”, destinada a armazém de alfaias, adubos e produtos agrícolas, taberna e casa do rancho[vi].
Curado tomou então, em 1957, a exploração da taberna e aí ficou durante cerca de seis anos, até ao seu casamento, em 1963.

Em 1959, tornou-se um dos pioneiros da exploração da pedra VIDRAÇO de ATAÍJA, abrindo uma pedreira nos Caramelos.
A pedreira ainda existe. É a Pedreira “Caramelo 3”, propriedade de Mármores Vigário, Lda.

Em data que não consegui apurar, por volta de 1969/70, foi episódico (durante cerca de um ano) proprietário, ou co-proprietário da Safaril[vii], a primeira fábrica de faiança que existiu na Ataíja de Cima[viii].

Em 1984 entrou em novo ramo de negócio abrindo, sempre na Ataíja de Cima, uma fábrica de recauchutagem de pneus.

Entretanto, em 1963, tinha-se casado com Maria do Rosário, oriunda das Pedreiras e, infelizmente, precocemente falecida. Para instalar a nova família, comprou a casa e quintal da Benedita (a Benedita era uma senhora que sempre conheci viúva e, vim a sabê-lo mais tarde, o era de um marido que tinha falecido “na América”, não tenho a certeza se nos EUA se no Canadá) e aí construiu uma casa de dois pisos, sendo o primeiro andar destinado à habitação e o rés-do-chão a taberna e mercearia.
Esta foi a primeira casa da Ataíja de Cima equipada, de raíz, com casa(s) de banho(s) (2).


Hoje, aos 82 anos de idade, o António Sabino contempla, com justificado orgulho, o trabalho dos filhos, o Rogério e o Luís que dão, brilhantemente, continuidade ao pioneirismo do pai, dedicando-se à extracção e transformação de pedra, através das empresas Mármores Vigário, Lda e MVC - Mármores de Alcobaça, Lda.

À MVC – Mármores de Alcobaça, Lda., uma empresa com instalações fabris de grande dimensão, altamente sofisticada, dotada dos equipamentos e tecnologias mais modernas, o que lhe permite produtos de grande qualidade e, consequentemente, actuar nos mais exigentes mercados de exportação, já dedicamos um texto neste blog. (VER AQUI)

Sítio de internet da MVC – Mármores de Alcobaça, Lda:




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O texto acima foi publicado neste blog em 27 de setembro de 2014.

António Baptista Vigário, António Sabino, faleceu hoje, dia 04 de novembro de 2021, aos 89 anos, escassos dias após o seu amigo de sempre, Luis da Graça. Com ele, com eles, morre a geração de pioneiros que levou a Ataíja de Cima da agricultura de subsistência à economia industrial.






[i] Como é muito comum, o nome próprio do pai tornou-se alcunha do filho.
[ii] “lá para Lisboa” era uma expressão corrente que muitas vezes ouvi na boca de mulheres mais velhas que só escassamente faziam idéia de onde andavam os seus maridos e filhos.
[iii] É minha a hipótese de ter sido, apenas, aprendiz e nunca terá efectivamente feito carreira de acordeonista ou, então, desistiu cedo dela. É que nunca lhe conheci acordéon e nem me lembro de alguém, alguma vez, me ter dito que o ouviu tocar.
[iv] Carreiro, era o profissional que conduzia o seu carro de bois, com o qual faz transportes e, com as alfaias, - charrua, grade, trilho, etc. - prestava outros serviços agrícolas com a sua junta de bois (ou vacas, o que era o caso). Não confundir com abegão que desempenhava funções semelhantes mas enquanto trabalhador ao serviço de uma exploração agrícola.
[v] O cerrado controlo estatal sobre os abastecimentos alimentares que tinha atingido o seu pico durante a guerra com o racionamento, era o pretexto perfeito para o trânsito ilícito dos bens mais valiosos como o azeite.
[vi] Naquele tempo, em que não havia empregos fixos, eram cíclicas as deslocações de grandes grupos para tarefas agrícolas exigentes de muita mão-de-obra. Para a Ataíja, cujos campos eram um enorme mar de oliveiras, vinham, no devido tempo, grupos de pessoas – ranchos - de fora da aldeia para trabalhar na apanha da azeitona.
[vii] A fábrica começou a ser construída em 1969, na perspectiva da chegada da electricidade que viria a acontecer em Outubro desse ano. Embora a escritura de constituição da Safaril seja de 1972, o início da laboração é anterior.
[viii] Que adquiriu a uns tais Caetano e Fróis que julgo terem sido os empreendedores iniciais. Daquele Fróis, lembro-me de um dia em que, na adega do meu pai, bebeu mais do que a conta e foi o filho, então com uns escassos doze anos, quem conduziu o carro até a casa.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

sobre A Indústria da pedra e o PNSAC



No âmbito das comemorações do quadragésimo aniversário do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, teve lugar no passado dia 28 de Junho de 2019, nas instalações da empresa Solancis (http://www.solancis.com/pt/), na Benedita, um evento subordinado ao tema “Inovação tecnológica e economia circular na utilização de recursos geológicos”

Os cerca de cem participantes receberam as boas vindas do CEO da Solancis, Sr. Samuel Delgado que se congratulou com o facto de ser possível este evento que, disse, ficará na história do sector da pedra e deixa a Solancis muito orgulhosa, por juntar no mesmo propósito  a indústria, o PNSAC, e a escola representada pelo Instituto Politécnico de Leiria, constituindo uma recompensa por muitos anos de trabalho.
Víamos a PNSAC como um inimigo e agora vê-mo-lo como um parceiro. Disse.

O Engº Carlos Neves, professor no Instituto Politécnico de Leiria, proferiu uma palestra subordinada ao tema Fábricas do futuro: A relação connosco e com o cotidiano, na qual percorreu brevemente as caraterísticas distintivas das 1ª, 2ª e 3ª revoluções industriais e a 4ª revolução, que agora desperta e na qual a fábrica, a fábrica do futuro que agora começa, será bastante diferente das que conhecemos, cada vez mais automatizada e robotizada constituída por sistemas ciberfísicos, capazes de produzir produtos inteligentes e centrada no serviço.

Chamou a atenção para o facto de que esta 4ª revolução já começou embora, como aconteceu com as anteriores revoluções industriais, muitos disso se não apercebam.


Célia Marques, Diretora de qualidade, ambiente e território da ASSIMAGRA, falou sobre A sustentabilidade da indústria extrativa no PNSAC: Compatibilizar e cooperar para a exploração racional de massas minerais e a valorização do território, debruçando-se sobre os constrangimentos à actividade extractiva, designadamente a necessidade de assegurar a sustentabilidade ambiental das explorações na área do parque natural,  respeitando o rico património paisagístico, geomorfológico e paleontológico, bem como a sociedade, as populações e a economia tradicional que ainda subsiste em largas zonas e enunciou os problemas para as cerca de 350 pedreiras (de todos os tipos, apenas 98 de rochas ornamentais) que laboram na área e nas novas formas, nomeadamente através de comissões mistas, que vêm sendo encontradas para o diálogo entre o PNSAC, os municípios e a indústria extractiva.

A Dra. Maria de Jesus Fernandes, directora do Departamento Regional de Conservação da Natureza e Biodiversidade de Lisboa e Vale do Tejo, moderou um breve debate, durante o qual o sr. Samuel Delgado referiu a necessidade de breve aprovação do PDM (de Alcobaça) que está em revisão desde o ano 2000 e, do mesmo modo o Plano de Ordenamento do Parque que, igualmente, carece de revisão.

Engº Geólogo Marco Aniceto, da Solancis, falou sobre alguns dos aspectos da actividade da Solancis de cujas 12 pedreiras, 9 se situam na área do PNSAC, centrando-se na recuperação paisagística das pedreiras abandonadas (para cujo enchimento se aproveitam quer as escombreiras locais, quer desperdícios das pedreiras). Mencionou, a este propósito, números interessantes:

As pedreiras existentes do PNSAC ocupam uma área de  776 ha, correspondente a  1,94% da área total do parque que é de 40.000 ha.
As pedreiras da Solancis ocupam 34 ha, correspondente a 4,45% da área total das pedreiras.

Na área do parque foram já objecto de recuperação 80 ha, dos quais 21,7%, correspondentes a 17 ha, foram recuperados pela Solancis.

Enunciou medidas tendentes a assegurar a sustentabilidade das explorações, designadamente o facto de que as pedreiras produzem, quase exclusivamente, para alimentar as necessidades da fábrica (sendo que a fábrica só trabalha para satisfazer encomendas), extraindo-se apenas o necessário e quando necessário, minimizando-se os stocks.

Na fábrica, de imponentes dimensões, que visitámos de seguida, prenderam a atenção deste visitante o elevado grau de automatização, o sistema de recolha de desperdícios (toda a fábrica é percorrida por túneis onde correm tapetes rolantes que recolhem os desperdícios de pedra e os encaminham para o local onde são carregados nos camiões que os conduzem ao seu destino final), a produção própria de energia eléctrica, por recurso a painéis fotovoltaicos que já corresponde a quase 20% do consumo, (respectivamente, 1111 kwh/dia e 6098 kwh/dia) e os números, igualmente impressionantes, relativos à ETAR própria, com capacidade de tratamento de 8000 litros de água por minuto e a produção de lamas que atinge as 30 toneladas diárias.

Ao terminar a visita passamos por um veículo plug-in que estava a carregar as suas baterias e a provar que na Solancis as questões ambientais são levadas a sério.

Numa das paredes da recepção da Solancis este painel mostra diferentes acabamentos da pedra, que a entrada de designers na fábrica e a moderna maquinaria CNC (controlo numérico computorizado) agora permitem.


O PNSAC ofereceu aos participantes algumas das suas publicações:

- Plantas a Proteger no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros;
- Guia de Aves do PNSAC;
- Guia de Recuperação de Áreas Degradadas.

No decurso da visita tive a oportunidade de cumprimentar dois ataíjenses que ali trabalham e se hão-de ter interrogado sobre o que eu fazia ali. A resposta a essa interrogação é simples: Por um lado, a minha convicção de que o assunto interessa à Ataíja de Cima e o objectivo de dar conta dele neste blog. Por outro lado, a tentativa – conseguida – de aprender alguma coisa. É que eu acredito firmemente que, enquanto aprendemos, não envelhecemos verdadeiramente.

A jornada terminou com um pic-nic na Casa Florestal de Vale de Ventos, uma degustação de produtos regionais oferecida pela CMA, que constituiu uma excelente oportunidade para a troca informal de impressões entre os participantes.



quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Gente da Ataíja de Cima - Francisco da Silva Salgueiro - O Chico Patoixo




Como já anteriormente escrevi, esta rubrica - Gente da Ataíja de Cima -, serve para trazer aqui histórias de pessoas extraordinárias, incomuns, pessoas que, por alguma razão, fosse a singularidade da sua condição ou inteligência, a importância das suas acções ou os acasos da vida, se tornaram diferentes dos demais mortais que as rodeavam ou rodeiam e tiveram, ou têm, papel relevante na vida da aldeia.

É por isso que agora vamos falar do Chico Patoixo que, pela sua intensa actividade empresarial e desportiva, foi um dos protagonistas da transição da economia agrícola de subsistência, para a economia industrial e de serviços.

Eu e o Francisco da Silva Salgueiro (Patoixo é alcunha herdada da mãe, Ana Lourenço da Silva, recentemente falecida aos 96 anos) nascemos, ele dois anos antes, em 11-12-1946, a escassos metros de distância, pegados que são os terenos onde se situa a casa que foi dos meus pais e aquele onde se impantaram as que foram de seus pais e dos avós maternos.
Embora o seu avô, e também o seu pai, possuísse uma casa mais abastada do que a generalidade dos ataijenses, isso não o livrou do percurso comum aos rapazes da sua idade, pelo que terminada a quarta, se seguiu a quinta, quer dizer, feito o então ensino obrigatório, a quarta classe, (hoje quarto ano) a sua ocupação passou a ser o trabalho do campo nas terras familiares.

Mas, se o trabalho do campo não era, por si, especialmente atractivo, menos o era quando prestado exclusivamente e sem remuneração nas terras familiares.

Por isso, logo que pode, em 1964, com dezoito anos, o Francisco tratou de fugir ao diário jugo paterno e foi trabalhar para a Cerâmica Vala, uma das grandes fábricas de telha e tijolo das muitas que então havia na Cruz da Légua e arredores.
Seguiu-se, entre 1966 e 1968, o serviço militar, incluindo dois anos na Guerra Colonial, na Guiné.
De regresso, voltou a trabalhar na Cerâmica Vala e aí se manteve até ao início de 1972 quando se casou com Luísa Gomes Henriques.
Logo de seguida, em Maio desse ano, emigrou com a mulher para França, para a região da Loire onde, em Blois, se dedicaram à apanha de morangos.
No ano seguinte mudaram-se para Orleans, ainda na Loire e aí trabalharam em estufas e na condução de máquinas agrícolas até 1977, quando se mudou para Valence, onde trabalhou numa empresa de limpezas e lhe nasceu a única filha.

Regressou a Portugal em 1985.

Nesse ano de 1985 abriu o restaurante Apeadeiro, junto ao entroncamento da Estrada do Lagar dos Frades com a Estrada Nacional nº 1, um lugar então pouco mais do que desértico (havia por ali, desde há alguns anos, a fábrica de cerâmica decorativa Safaril e pouco mais), pelo que a clientela prevista do restaurante seria constituída pelos passantes da EN 1, designadamente os motoristas de camião. Mas, se o restaurante nunca chegou a encher-se de camionistas, em contrapartida o aparecimento de diversas unidades industriais nas redondezas trouxe uma nova clientela que se mantém.
O nome Apeadeiro deve-se ao facto de ali fazer paragem, quando solicitado, o autocarro da carreira Expresso que ligava Leiria a Lisboa.


Deixando a mulher no restaurante, logo no ano seguinte, em 1986, criou a LIMPEC, que foi a primeira empresa de limpezas que houve em toda a região.
Hoje são vulgares as empresas de limpeza e todas as grandes e médias e muitas pequenas empresas, os bancos e os organismos públicos etc, contratam a limpeza das suas instalações a empresas  especializadas mas, quando o Francisco Salgueiro criou a LIMPEC não havia nada disso, salvo em Lisboa e poucas outras cidades do país.
A sua decisão, baseada na experiência que obteve em França, foi absolutamente inovadora.

Entre 1989 e 2001 foi o Presidente e a alma do Clube Desportivo e Recreativo Ataíjense, que hoje está inactivo mas nesse período chegou a militar no Campeonato da 1ª Divisão da Associação de Futebol de Leiria.
Ao Clube Desportivo e Recreativo Ataijense dedicámos, anteriormente, dois textos neste blog, aos quais os leitores interessados podem aceder clicando (CRTL+Clique) AQUI e 
 AQUI

Entretanto, em 1994, criou uma nova empresa de limpezas, a Restaurilimpa, Lda, a qual se mantém em plena actividade, agora com novos proprietários e sede em Alfeizerão, Alcobaça.

Por esta época, remodelou a casa e cómodos (adega e palheiro das vacas) que foram de seu avô Francisco Dionísio (Francisco da Silva Vigário, Dionísio por ser filho de Dionízia dos Santos) e, em 1996, ali abriu um café-restaurante, um mini-mercado e uma loja “dos trezentos”, tudo sob a designação de Novo Espaço.
No local, exactamente onde eram o palheiro das vacas e a eira onde muito brinquei quando era pequeno, funciona actualmente, por arrendamento, o café-restaurante e padaria Pátio dos Sabores.

No ano de 2000, no que julgo ter sido a sua última iniciativa empresarial criou, ainda, a empresa Mega Serviços de Francisco Salgueiro, Unipessoal Lda que dissolveu em 2015.

Em 2010 e após profundas obras de remodelação e modernização, o restaurante Apeadeiro reabriu com o novo nome de Doces Sabores e mantém-se ainda hoje na sua propriedade, embora já não sobre a sua gerência e, com uma excelente relação qualidade preço, é um bom restaurante cuja cozinha, dirigida pelo Chef Carlos Roxo, atrai comensais de toda a região.

Ao restaurante Doces Sabores dedicámos, antes, o texto com o mesmo nome, a que os leitores podem aceder (CRTL+Clique) 
AQUI


Por tudo isto, o Chico Patoixo é um dos protagonistas do processo de modernização da Ataíja de Cima e merece bem integrar esta galeria de ataijenses extraordinários.

Em Maio de 1999, o Chico Patoixo (de pé, 2º, da direita para a esquerda) com a "sua" equipa do Grupo Desportivo e Recreativo Ataíjense, 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

O Moleiro



Ainda estão vivos alguns que se podem lembrar de ter ouvido os seus búzios assobiar ou de ter visto as suas velas a rodar ao vento, mas as memórias começam a ficar difusas e, dele, não se conhecem fotografias ou desenhos, mas não havia de ser muito diferente (ao menos no que diz respeito ao mecanismo de moagem) do que se mostra no desenho abaixo, o moinho de vento que, algures pelos finais dos anos 30 ou inícios dos anos 40 do século passado, o ti Manuel Luís mandou construir no quintal.

Teve curta duração e dele não há ruínas ou quaisquer indícios que atestem a sua existência, já que se erguia no lugar onde depois foi construída a casa de João Frade, filho do proprietário, mesmo ao lado de onde agora está a do neto Zé Frade, um lugar alto aonde o vento podia chegar, sem obstáculos, de todas as direcções.

Ali se moía o milho de que se fazia a broa dos vizinhos e o próprio e das maquias com que se alimentava a numerosa prole e algum trigo para o pão-alvo dos domingos e dias santos.

Mas, naqueles dias de Agosto, havia mais de uma semana que sobre a terra tinha caído uma calmaria tal que nem as folhas das nogueiras buliam. Nada, nem uma brisa ligeira. Apenas, dia sobre dia, aquele calor seco que tão bem conhecemos, quando o sol queima na pele, os pássaros não voam, os cães se arrastam nas sombras e só o canto das cigarras rasga o silêncio.

Era Domingo. Talvez no ano de 1941 ou 1942, quando a Europa sofria sob a guerra e Portugal sofria sob a pobreza de sempre, agora agravada pelo racionamento. Na casa da ti Maria da Graça o pão, fossem os restos do pão-alvo do domingo passado, fosse a broa semanal, já tinham acabado. Nem uma côdea sobrava na arca.

O Padre Casimiro marcava as missas em São Vicente para muito cedo, quase de madrugada, o que por outro lado era bom que, assim, não tinha a gente de torrar sob o sol naquela viagem de seis quilómetros, ida e volta. 

Estava todo o povo na missa, as mulheres e as crianças pequenas no corpo da igreja, os homens ocupando a capela-mor e o coro, como era uso naquele tempo e ainda me lembra e o meu pai contava-me que, quando ele era pequeno e ainda ficava com a mãe no corpo da igreja, que se os homens se ajoelhavam, (apenas o joelho esquerdo no chão, mão direita segurando firmemente o pau, cotovelo apoiado na coxa) ficava a capela-mor feita uma floresta de paus. Nos anos cinquenta os paus já tinham desaparecido – pelo menos da missa - mas o resto mantinha-se muito parecido.

Estava o povo na missa, dizia eu, e o ti António da Graça, então um jovem dos seus dezoito ou dezanove anos, assistia no coro quando ouviu lá fora o rumor de uma rabanada de vento. Benzeu-se à pressa, desceu à rua e, não havia dúvidas, fazia um vento suão que levantava a poeira seca dos caminhos.

 Não pensou duas vezes: desatou a correr quanto pode e, num ápice, galgou os três quilómetros que o separavam de casa e do moinho. Despiu a camisa domingueira que o suor colara ao corpo e foi-se ao moinho. Verificou brevemente o engenho. Desenrolou as velas e amarou-as às varas das escotas.  Despejou a saca de trigo no tegão. Manobrou o sarilho, fazendo girar o capelo para alinhar as velas com a direcção do vento.
Sob a força da entrosga todo o engenho rangeu e a mó andadeira começou a rodar, o grão a escorrer pela calha e a farinha a surdir no panal.


Acabada a missa, a ti Maria da Graça vasculhou o adro em busca do filho que não encontrou. Levantou o rosto para sueste e os seus olhos saltaram o vale e chegaram ao seu moinho e pode ver, destacando-se no cenário de fundo da serra dos Candeeiros, as velas brancas a girar.

Graças a Deus!

O meu António já tem o moinho a trabalhar!

Estugou o passo e, também ela, chegou ofegante a casa e ao moinho onde o António já tinha a farinha suficiente. Peneirou-a e amassou-a brevemente, abafou-a com uma manta para levedar mais depressa e, usando o azeite que, esse, felizmente, ainda abundava na talha, fez filhoses que polvilhou moderadamente com açúcar e esse foi o almoço de todos.


Corte longitudinal de um moinho de vento, permitindo ver o mecanismo 
(imagem retirada, com a devida vénia, de Museu da Memória Rural, uma realização da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, com um excelente site na internet, in https://museudamemoriarural.pt/)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

As empresas e a informação digital


(A Propósito do Texto "A Ataíja de Cima e o Portugal 2020")




No texto que publicámos recentemente neste blog sob o título A Ataíja de Cima e o Portugal 2020 era importante, para a análise que pretendíamos fazer, saber qual a freguesia e se possível o lugar onde se situam a sede das empresas promotoras de cada um dos projectos aprovados e, ou, a delegação, filial, instalação fabril ou similar cuja existência justifica a imputação do projecto ao concelho de Alcobaça.
Ora, na lista publicada, os elementos relativos à entidade promotora do projecto são, apenas, a designação social, o CAE e o NIF.

Recorremos então à internet para conhecer aqueles elementos, o que julgamos ter conseguido na maioria dos casos. Com vista a garantir a maior homogeneidade possível dos elementos recolhidos, privilegiámos a consulta ao site da própria empresa e, quando necessário, ao site empresite.jornaldenegócios.pt que se intitula o maior directório online de empresas de Portugal, consulta essa complementada com a de outros sites especializados, designadamente pt.kompass.com, www.racius.com, www.gescontact.pt e outros.

Apesar disso, não foi possível, como dissemos naquele texto, confirmar relação entre cinco das empresas promotoras de projectos e o concelho de Alcobaça.
Por outro lado e a nosso ver mais importante, foi possível verificar a deficiente qualidade dos dados publicados relativamente a diversas empresas, sinal de que as nossas empresas ainda não estão despertas para a importância das modernas formas de comunicação.

De facto, aconteceu um pouco de tudo. Desde empresas que não  têm um site na internet até outras (ou as mesmas) que têm páginas no Facebook mas onde faltam elementos essenciais, como o que fazem ou como podem ser contactadas e outras que já há anos não actualizam essas páginas.
Outras, ainda, publicam com regularidade no Facebook mas caiem em exageros de juntar dezenas de fotos de uma vez e, frequentemente, sem que essas fotos tenham um mínimo de qualidade ou de cuidado na sua feitura e onde o que se quer mostrar mal se distingue do cenário onde se amontoam outras peças, resto de produção, paletes e sabe Deus mais o quê.

Ora, se queremos, por exemplo, mostrar uma obra em pedra – uma lareira ou semelhante – ou qualquer peça, é elementar considerar a cor desse objecto e, se é claro arranjar um fundo escuro e vice-versa. O fundo deve ser uma cor plana para realçar o objecto que se quer mostrar[i].  

Naquela nossa busca podemos ainda verificar que, quer seja nos sites especializados de informação económico-comercial como os citados, quer em sites de informação geográfica dirigidos ao público em geral como o Google Maps e outros, quer nos sites e páginas de Facebook das próprias empresas, as informações estão, com frequência, erradas[ii] ou desactualizadas[iii].

Como é evidente, a circulação na internet de informações erradas ou desactualizadas sobre as empresas não as pode beneficiar.

É, a meu ver, necessário que os empresários – sobretudo os empresários que trabalham essencialmente para a exportação ou que querem actuar em mercados não meramente locais, - se consciencializem de que hoje em dia qualquer interessado, em qualquer produto, a primeira coisa que faz é abrir o Google e recolher todas as informações possíveis sobre o fornecedor.
Nestas matérias, como nas outras, um dos melhores métodos para aprender o que deve ou não deve ser a comunicação digital é o benchemarking.[iv] É o observar, aprender e melhorar com o que fazem os outros que fazem bem, ou melhor do que nós (e, também, observando e analisando os erros alheios, como método para evitar erros idênticos).

Em matéria de sites empresariais na internet, a Ataíja de Cima, tem bons exemplos de sites bens feitos e que passam eficazmente as informações essenciais sobre a empresa: o que é, o que faz, como pode ser contactada, e de outros que quase cumprem esses objectivos mas onde se notam deficiências várias, dos tipos indicados no texto, como pode ser visto, por ex., nos seguintes (um ex. de um bom site e dois com algumas deficiências):
https://www.mvc.pt/pt

Uma última referência, para um meio de informação digital cada vez mais importante, o Facebook, e um exemplo concreto dessa importância:
O texto A Ataíja de Cima e o Portugal 2020, foi publicado neste blog, no dia 17-02-2018.
Nove dias depois, no dia 26-02-2018 ao fim do dia, tinha apenas 19 visualizações. Partilhado então na minha página pessoal no Facebook, menos de 24 horas depois já tinha mais de 200 visualizações.


Estas são realidades que os empresários têm de ter presentes:

- A comunicação do nosso tempo é a comunicação digital.
- Um bom site na internet e uma boa página no Facebook[vii] podem ajudar a levar a empresa e os negócios muito mais longe e muito mais depressa.

 






[i] No caso das peças de pedra, geralmente de cor clara, o meu conselho é que se tenha uma parede livre pintada de cor escura (preto ou azul escuro) ou onde se possa pendurar um pano escuro e fotografar a peça tendo essa parede por fundo. É claro que há outras questões, como a iluminação etc., mas são coisas que se podem resolver com alguma facilidade, desde que haja a preocupação e o cuidado necessários.
[ii] Por exemplo, se buscarmos no Google Maps por Ricarle Stone Lda, vemos que a sua localização é indicada como situando-se na esquina entre a Rua dos Arneiros e a Rua do Martins.
[iii] Desactualizadas, para dizer o mínimo. Há uma empresa ataijense que, em três sites diferentes tem três moradas diferentes, uma delas a mais de cem quilómetros de distância.
[iv] Uma breve introdução ao benchemarking pode ser lida em http://www.pmelink.pt/manuais/planeamento-e-estrategia/como-fazer-benchmarking
[v] Entre outras deficiências, o site tem excesso de fotos, algumas delas em cenários pouco cuidados. Não é preciso mostrar tudo o que se faz. Basta mostrar o melhor que se faz).
[vi] Entre outras deficiências, o mapa no separador Gallery assinala a empresa em local errado e é de manuseamento (CTRL+Rollerball) excusadamente difícil. Por outro lado, se buscarmos no Google Maps por Destinos - Arte Cerâmica S.A, a morada está errada.
[vii] E, nunca serão bons sites nem boas páginas se não estiverem actualizados.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A Ataíja de Cima e o Portugal 2020





O Portugal 2020[i] publicou, actualizada a 31-01-2018, a lista dos projectos co-financiados aprovados até àquela data para a Região Centro que, lembre-se, abrange uma vastíssima área correspondente a cerca de 30% do território continental, entre a margem esquerda do Douro e a margem norte do Tejo, abrangendo 100 municípios com uma população de mais de 2.300.000 pessoas, cerca de 23% da população do continente.
Na Região, os municípios com maior número de projectos aprovados e de despesa total elegível bem como de fundo total aprovado são, por ordem decrescente, Leiria, Marinha Grande, Coimbra, Águeda e Alcobaça, a que se segue Viseu que, relativamente a Alcobaça tem um maior número de projectos aprovados (112 e 119 respectivamente), no entanto, correspondentes a uma despesa total elegível de menos de metade do valor (Alcobaça 54.501.252,55€, Viseu 23.935.428,59€)

No que diz respeita a Alcobaça, temos um total de 112 projectos aprovados, promovidos por 70 empresas e pelo Município de Alcobaça, das quais 45 empresas com 1 projecto comparticipado, 19 com 2 projectos, 3 com 3 projectos, 2 com 4 projectos, 1 com 5 e O Município de Alcobaça com 7 projectos comparticipados

Por freguesias, verifica-se que as freguesias de Bárrio, Cela e Vimeiro, não têm projectos aprovados, a Maiorga tem 1 projecto, Alfeizerão, Évora e Turquel têm 2 projectos cada uma, seguindo-se São Martinho do Porto com 5 projectos, UF Alcobaça e Vestiaria com 11, Aljubarrota 15, Benedita 19, UF Cós, Alpedriz e Montes 24 e UF Pataias e Martingança 26.

No caso da União de Freguesias de Alcobaça e Vestiaria estão incluídos os 7 projectos de iniciativa municipal que, na sua maioria são a desenvolver noutras freguesias do município[ii].
Note-se que a afectação dos projectos por freguesia fizemo-la nós atendendo à sede ou instalações da respectiva empresa na área do município. Relativamente a 5 projectos não foi possível estabelecer relação territorial, sendo certo que as empresas promotoras não têm sede no município de Alcobaça, nem aí nos foi possível encontrar qualquer delegação, filial, agência ou similar.

Os 112 projectos aprovados no município de Alcobaça correspondem a um investimento total elegível de 54.501.251,55€ e a um fundo total aprovado de 33.763.489,61€ ou seja, o fundo total aprovado corresponde a uma comparticipação de 61,95% do investimento total elegível.


Os seis projectos aprovados, das cinco empresas ataijenses, uma do sector da cerâmica e as restantes do sector de transformação de rochas ornamentais[iii] que constam da lista, somam um investimento total de 3.103.002,29€ e um financiamento no âmbito do Portugal 2020 de 1.806.455,55€, correspondendo a, respectivamente, 5,69% e 5,35% dos valores do investimento total elegível e do fundo total aprovado a nível municipal.

Muito relevante é, a nosso ver, o facto de todos esses seis projectos terem sido aprovados ao abrigo do mesmo eixo de intervenção do Programa, o Eixo 2 – Competitividade e Internacionalização da Economia Regional (COMPETIR) e tendo por objectivos o aumento da capacidade produtiva por automatização de processos industriais, a alteração do processo de produção, a valorização da pedra natural, a inovação e a internacionalização das empresas.

A lista completa dos projectos aprovados no âmbito do Programa Operacional Regional do Centro pode ser consultada aqui:
http://centro.portugal2020.pt/index.php/projetos-aprovados




[i] Para saber mais sobre o Portugal 2020 – acordo entre Portugal e a União Europeia para a aplicação dos fundos europeus no período de 22014 a 2020 – e a sua aplicação na Região Centro, através do Programa Operacional Regional do Centro 2014 – 2020, Centro 2020, pode consultar-se  a brochura em PDF disponível online em: https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/Default/Docs/Programas%20Operacionais/BROCHURAS%20PO/BrochuraCentro2020.pdf (consultado em 16-02-2018)
[ii] Informação mais detalhada sobre os projectos municipais comparticipados pode ser consultada, por ex., no site municipal em: http://www.cm-alcobaca.pt/pt/menu/1091/projetos-co-financiados-pela-uniao-europeia.aspx (consultado em 16-02-2018)
[iii] PSG Stone, S.A., Ceriart – Cerâmica Artística, S.A., Marmobaça – Indústria e Comércio de Pedras, Lda, MVC – Mármores de Alcobaça, Lda e Lareiarte – Arte em Fabrico de Lareiras, Lda.