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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Gente da Ataíja de Cima – Luís da Graça

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Luís da Graça de Sousa, nasceu na Ataíja de Cima em 12 de Maio de 1931, (tendo, no entanto, sido registado como nascido a 27 do mesmo mês), filho de Manuel Luís de Sousa e de Maria da Graça.

Para sustentar a numerosa prole, o pai emigrava sazonalmente para a região de Lisboa onde, a meias com seu irmão João Luís de Sousa, era responsável por uma vacaria (os irmãos revezavam-se na função, em períodos de cerca de três meses. Enquanto um ficava por Lisboa, o outro estava na Ataíja cuidando das magras terras familiares e olhando pelas famílias) e foram os tostões assim amealhados que lhe permitiram construir uma cisterna de abóboda que ainda existe junto à casa que foi sua, na Rua das Seixeiras e, a escassos metros, um moinho de vento que existiu onde na segunda metade dos anos de 1940 o seu filho, que foi conhecido por João Frade, construiu a sua casa.

(Sobre essa cisterna publicámos um texto neste blog, em 23-02-2011 - ver AQUI)

(Sobre o moínho publicámos um texto neste blog em 24-08-2018 - ver AQUI)


Tudo isso não obstava à continuada pobreza da família pelo que ao Luís coube, aos 12 anos de idade, ir “servir”, ou seja, como criado de cama e mesa, em casa de um agricultor de Serro Ventoso, onde se manteve até aos 17 anos e ganhou para as primeiras botas.
Regressado à Ataíja, iniciou-se nos negócios de compra e venda de peles de coelho, chinelos velhos, azeite e tudo o que pudesse ajudá-lo a escapar à incerta vida de jornaleiro.

Mais tarde havia de seguir a aventura de se tornar leiteiro, em Lisboa, o mesmo caminho percorrido por muitos alcobacenses da “borda da serra” (conheci pessoalmente leiteiros oriundos de Aljubarrota, Ataíja de Baixo, Casal do Rei, Molianos, etc.e, da Ataíja de Cima, foram leiteiros, entre outros, os meus pais, João Lourenço Quitério e Maria Joaquina da Graça (Maria Carlota).
Naquele tempo, os naturais de uma determinada região emigravam para a capital para exercer uma determinada profissão (ía-se para a profissão de um amigo ou conhecido: galegos e minhotos para tabernas e restaurantes, os tomarenses para a construção civil, os de Tábua para padeiros, alcobacenses também, muitos, para vaqueiros (da Ataíja de Cima foram vaqueiros em Lisboa - cito de memória - Porfírio Coelho, António e Francisco Jorge, João Dias (Janita), João Ângelo e outros) e os alentejanos para operários, fixando-se nos arrabaldes industriais do Barreiro, Amadora e Moscavide).

Em Lisboa se manteve até 1958 – tinha, entretanto, casado em, em 8 de Abril de 1956, com Luísa Cordeiro Catarino - quando regressou à Ataíja, instalando-se na casa dos meus pais, agora minha, onde ficou até que construiu a sua, indo nós ocupar a “parte de casa” onde ele vivia, na cave de um prédio que já não existe, na Rua Luís Monteiro, nº 28, no Alto do Pina). 

Aproveitando a recente descoberta do valor comercial do vidraço de Ataíja, que o "Veneno" tinha começado a explorar pouco antes, começou também ele a escavar uma pedreira, num pequeno terreno no Vale Cordeiro que era propriedade do seu sogro, António Catarino. O negócio foi crescendo e a escola que, no tempo próprio, se tinha ficado pela segunda classe, foi retomada aos 37 anos quando, feita a quarta classe, pode tirar a carta de condução, e ter o seu primeiro automóvel.



O resto da história é conhecido:

Dotado de inteligência e carácter e impulsionado por uma enorme vontade de trabalhar, extraordinária visão empresarial, espírito inovador,  – Luís da Graça foi sempre um pioneiro, o primeiro a usar nas suas pedreiras cada uma das novas tecnologias e equipamentos que iam surgindo - e capacidade de gestão, o negócio não parou de crescer.

E, a par do negócio, apoiado na divisa que tanto gostava de repetir: “Quanto mais dou, mais tenho!”, cresceu o Benemérito:

Bombeiros, Misericórdias, Autarquias e Associações, de todas as terras onde exerceu actividade industrial, beneficiaram largamente dos donativos de Luís da Graça.



No dia 25 de Maio de 2008, a pretexto da inauguração do monumento aos Cabouqueiros que ofertou à Ataíja, foi objecto de uma grande e merecida homenagem que incluiu o descerramento do seu busto, cuja fotografia ilustra este texto

Manteve-se até perto dos oitenta anos de idade, à frente da sua empresa Sousa & Catarino, Lda (http://sousaecatarino.pt).

Pouco depois, o curso inexorável do tempo impôs-se e Luís da Graça deixou aos seus filhos a direcção efectiva da empresa.
Os últimos anos viveu-os no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça.

Luís da Graça de Sousa foi um grande industrial, um grande filantropo, um grande ataijense e foi um amigo.

Faleceu no dia 23 de outubro de 2021



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O texto acima foi inicialmente publicado em 22 de Março de 2011, actualizado em 23 de Outubro de 2021 e hoje, 30 de Maio de 2024, de novo actualizado, agora a pretexto da inserção do seu diploma da 4ª Classe, cuja disponibilização agradecemos ao seu neto Marcelo Paulino.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Gente da Ataíja de Cima - António Baptista Vigário - o António Sabino



Sob a epígrafe Gente da Ataíja de Cima pretendemos construir uma galeria que lembre aos mais velhos e ensine aos mais novos, algumas pessoas que, pelas suas características ou pela sua acção deixaram, na vida da aldeia, uma marca de importância que merece ser conhecida.
A transição da economia agrícola de subsistência, que durante séculos caracterizou a vida local, para a economia industrial que começou (e continua) pela extracção de pedra (a apreciada rocha ornamental que tem a designação comercial de Vidraço de Ataíja), a que se seguiu a faiança e agora, a transformação de pedra e todas as actividades subsidiárias que entretanto foram surgindo, por serem indispensáveis à vida normal de uma comunidade industrial e ao evoluir dos tempos. Essa transição, dizíamos, também teve os seus protagonistas.
Já falamos neste blog do pioneiro João Veneno e de Luís da Graça (VER AQUI).

Falemos, agora, de António Baptista Vigário, o António Sabino.



Nascido em 6 de Julho de 1932, foi um dos três filhos de Sabino[i] Vigário e de Joaquina Baptista e, pelo lado paterno, neto de José Lourenço e Luísa Sabino, alfaiates e bisneto de José Vigário e Ana Lourenço e de Sabino dos Santos, também alfaiate e Maria Branca.
Teve dois irmãos:
José, o mais velho dos três, já falecido e que fez a maior parte da sua vida “lá para Lisboa”[ii], também teve por alcunha o nome do pai e foi, por sua vez, ao que se dizia, responsável pela alcunha do Manuel “Mochila”. É que o José Sabino era acordeonista ou aprendiz de acordeonista[iii] e, transportava o instrumento às costas, à laia de mochila. O dito Manuel “Mochila” nasceu de mãe solteira e mais não é preciso contar que os filhos de mãe solteira eram, sempre, alcunhados por referência ao pai presumido.
O outro irmão, o mais novo, é o Arnaldo que, pela raridade - durante décadas, mesmo, singularidade - do nome, nunca precisou de alcunha.

Desde novo que o António Sabino mostrou apetência para os negócios e pouca vontade de seguir as pisadas do pai que era carreiro[iv] profissional e, nos tempos mortos da sua actividade principal, também arriscava o ofício de sapateiro, o qual exercia na Casa do Couto.
Negociar tudo o que podia ser negociado, fossem peles de coelho ou chinelos velhos e, no devido tempo, candonga de azeite, foram actividades a que o António Sabino se dedicou logo na adolescência, muitas vezes tendo por companheiro de aventuras o amigo Luís da Graça, apenas alguns meses mais velho.
Os negócios corriam bem como o demonstra o facto de, aos dezoito anos, ter sido emancipado para poder tirar a carta de condução e, de seguida, comprar (já nem o próprio se lembra bem, se em 1950, se em 1951) um automóvel, um velho Opel que foi o primeiro veículo automóvel ligeiro de passageiros que houve na Ataíja de Cima. (VER AQUI)

Em 4 de Março de 1956, aos 23 anos de idade, essa tendência para o negócio ficou definitiva e necessariamente fixada. Nesse dia, quando ia à "pendura" na moto (eu tinha a memória de que era uma Norton mas, há quem jure que era uma AJS) do seu amigo António Faustino Ribeiro, “O Mosca” o qual, por vezes, também era companheiro nas aventuras da candonga do azeite[v], um grave acidente levou-o por largo tempo ao hospital, deixou-o a coxear para o resto da vida e livrou-o, de vez, de ter de vir a trabalhar no campo ou em outra actividade de igual exigência física.

Por essa altura, tinha sido construída no Largo do Outeiro a “casa do Maneta”, destinada a armazém de alfaias, adubos e produtos agrícolas, taberna e casa do rancho[vi].
Curado tomou então, em 1957, a exploração da taberna e aí ficou durante cerca de seis anos, até ao seu casamento, em 1963.

Em 1959, tornou-se um dos pioneiros da exploração da pedra VIDRAÇO de ATAÍJA, abrindo uma pedreira nos Caramelos.
A pedreira ainda existe. É a Pedreira “Caramelo 3”, propriedade de Mármores Vigário, Lda.

Em data que não consegui apurar, por volta de 1969/70, foi episódico (durante cerca de um ano) proprietário, ou co-proprietário da Safaril[vii], a primeira fábrica de faiança que existiu na Ataíja de Cima[viii].

Em 1984 entrou em novo ramo de negócio abrindo, sempre na Ataíja de Cima, uma fábrica de recauchutagem de pneus.

Entretanto, em 1963, tinha-se casado com Maria do Rosário, oriunda das Pedreiras e, infelizmente, precocemente falecida. Para instalar a nova família, comprou a casa e quintal da Benedita (a Benedita era uma senhora que sempre conheci viúva e, vim a sabê-lo mais tarde, o era de um marido que tinha falecido “na América”, não tenho a certeza se nos EUA se no Canadá) e aí construiu uma casa de dois pisos, sendo o primeiro andar destinado à habitação e o rés-do-chão a taberna e mercearia.
Esta foi a primeira casa da Ataíja de Cima equipada, de raíz, com casa(s) de banho(s) (2).


Hoje, aos 82 anos de idade, o António Sabino contempla, com justificado orgulho, o trabalho dos filhos, o Rogério e o Luís que dão, brilhantemente, continuidade ao pioneirismo do pai, dedicando-se à extracção e transformação de pedra, através das empresas Mármores Vigário, Lda e MVC - Mármores de Alcobaça, Lda.

À MVC – Mármores de Alcobaça, Lda., uma empresa com instalações fabris de grande dimensão, altamente sofisticada, dotada dos equipamentos e tecnologias mais modernas, o que lhe permite produtos de grande qualidade e, consequentemente, actuar nos mais exigentes mercados de exportação, já dedicamos um texto neste blog. (VER AQUI)

Sítio de internet da MVC – Mármores de Alcobaça, Lda:




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O texto acima foi publicado neste blog em 27 de setembro de 2014.

António Baptista Vigário, António Sabino, faleceu hoje, dia 04 de novembro de 2021, aos 89 anos, escassos dias após o seu amigo de sempre, Luis da Graça. Com ele, com eles, morre a geração de pioneiros que levou a Ataíja de Cima da agricultura de subsistência à economia industrial.






[i] Como é muito comum, o nome próprio do pai tornou-se alcunha do filho.
[ii] “lá para Lisboa” era uma expressão corrente que muitas vezes ouvi na boca de mulheres mais velhas que só escassamente faziam idéia de onde andavam os seus maridos e filhos.
[iii] É minha a hipótese de ter sido, apenas, aprendiz e nunca terá efectivamente feito carreira de acordeonista ou, então, desistiu cedo dela. É que nunca lhe conheci acordéon e nem me lembro de alguém, alguma vez, me ter dito que o ouviu tocar.
[iv] Carreiro, era o profissional que conduzia o seu carro de bois, com o qual faz transportes e, com as alfaias, - charrua, grade, trilho, etc. - prestava outros serviços agrícolas com a sua junta de bois (ou vacas, o que era o caso). Não confundir com abegão que desempenhava funções semelhantes mas enquanto trabalhador ao serviço de uma exploração agrícola.
[v] O cerrado controlo estatal sobre os abastecimentos alimentares que tinha atingido o seu pico durante a guerra com o racionamento, era o pretexto perfeito para o trânsito ilícito dos bens mais valiosos como o azeite.
[vi] Naquele tempo, em que não havia empregos fixos, eram cíclicas as deslocações de grandes grupos para tarefas agrícolas exigentes de muita mão-de-obra. Para a Ataíja, cujos campos eram um enorme mar de oliveiras, vinham, no devido tempo, grupos de pessoas – ranchos - de fora da aldeia para trabalhar na apanha da azeitona.
[vii] A fábrica começou a ser construída em 1969, na perspectiva da chegada da electricidade que viria a acontecer em Outubro desse ano. Embora a escritura de constituição da Safaril seja de 1972, o início da laboração é anterior.
[viii] Que adquiriu a uns tais Caetano e Fróis que julgo terem sido os empreendedores iniciais. Daquele Fróis, lembro-me de um dia em que, na adega do meu pai, bebeu mais do que a conta e foi o filho, então com uns escassos doze anos, quem conduziu o carro até a casa.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Vidraço de Ataíja no Santuário de Fátima


"A pedra ataíja com que foram construídas a escadaria e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário será o mais usado na nova construção."

Eis uma boa razão para, aqui, dar notícia da construção de um novo presbitério no Santuário de Fátima.


Maquete do novo presbitério que vai ser construído no Santuário de Fátima. 
Foto retirada, coma devida vénia, de: http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=89282, onde os interessadoss poderão consultar mais elementos sobre a obra.

domingo, 17 de março de 2013

MVC - Mármores de Alcobaça. Lda.

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A empresa ataíjense MVC - Mármores de Alcobaça, Lda, tem agora dísponível no Youtube um interessante video de apresentação.
Neste, ao longo de 7' e 23'', é possível ficar com uma boa idéia das actividades da empresa, compreender todo o processo de transformação da pedra, desde a sua extracção na pedreira até ao ladrilho e perceber a sofisticação tecnológica da MVC.

Vale a pena dar uma vista de olhos:

http://www.youtube.com/watch?v=H0COtHAPNuM


Para saber mais sobre a MVC - Mármores de Alcobaça, Lda:

https://www.facebook.com/mvc.marmoresdealcobaca?fref=ts

http://www.mvc.pt/

segunda-feira, 4 de abril de 2011

MVC - Mármores de Alcobaça, Lda.

COVERING THE WORDL WIHT PORTUGUESE LIMESTONE


Desde o início da exploração - há pouco mais de cinquenta anos - do Vidraço da Ataíja, percorreu-se um longo caminho de desenvolvimento do conhecimento dos modos de extraír e trabalhar a pedra, cujo corolário é a moderna capacidade de transformação. Este blog, que tem por objecto exclusivo a divulgação da Ataíja de Cima, não podia, por isso, deixar de dedicar um post a uma das mais importantes empresas locais.

Fundada em 1993 e dirigida pelos irmãos Rogério e Luís Vigário, a MVC - Mármores de Alcobaça, Lda, é uma empresa especializada na transformação de cálcareos, produzindo essencialmente ladrilhos e chapas para revestimento de pavimentos, paredes e fachadas de edifícios.

A empresa possui uma fábrica de grande dimensão (mais de 13.000 m2 de área coberta), equipada com a mais moderna tecnologia e os mais modernos equipamentos, altamente automatizada e informatizada e com rigoroso controlo de todo o processo de fabrico,  o que permite a realização de todas as operações de transformação da pedra, desde a serragem dos blocos até ao acabamento das peças.

A fábrica localiza-se no IC2 (EN1), ao Km 98, na Ataíja de Cima.

A associação a empresas extractivas  confere à MVC, uma grande capacidade produtiva e um controlo rigoroso da sua produção e a alta qualidade dos seus produtos permite-lhe exportá-los para todo o mundo, constando do seu portfólio obras realizadas nos Estados Unidos, Reino Unido, Islândia e Dubai, entre muitos outros países.





Um aspecto da fábrica:


O Vidraço Ataíja no catálogo da MVC:









Para saber mais sobre a MVC - Mármores de Alcobaça, Lda., consulte: http://www.mvc.pt/


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sábado, 1 de janeiro de 2011

Empresas na Ataíja de Cima

Na sequência de três artigos, recentemente publicados neste blog, sobre a economia ataíjense, subordinados aos títulos Vidraço de Ataíja, A Faiança na Ataíja de Cima e A Indústria e o Comércio na Ataíja de Cima, hoje, apresentamos agora o resultado de uma pesquisa sobre as empresas que têm sede, fábricas, oficinas, armazéns ou outras instalações na Ataíja de Cima.

A lista, de mais de quarenta empresas, que vai organizada por ordem alfabética de actividade, firma ou designação social, Email e Website, foi elaborada a partir de pesquisas na Internet e, por isso, terá algumas deficiências, erros ou lacunas. As empresas interessadas ou que não constem da lista, devem entrar em contacto connosco para se proceder às alterações que forem adequadas.


Automóveis (rent-a-car)
     Eurorent-Aluguer de Automóveis Lda.

Automóveis (reparação)
     Améliauto - Reparadora de Automóveis, Unipessoal Lda
     Vítor Manuel Vigário Ribeiro, Electricista Auto, Lda

Cafés e Restaurantes
     Café Aguarela
     Café Centro
     Restaurante Doces Sabores

Camiões (reparação)
     Reparafrota - Comércio e Indústria de Reparação Periódica de Frotas, Lda.
     Riotrailer

Cerâmica decorativa e utilitária (comércio)
     Cerearte - Cerâmica Artística, Lda
     Delta Faianças, Lda
     Terpal - Comércio e Indústria de Produtos Cerâmicos, Lda

Cerâmica decorativa e utilitária (fábricas)
     Destinos - Arte Cerâmica, SA
          geral@destinos-sa.com
          http://www.destinos-sa.com/
     Sousicer - Faianças Decorativas, Lda

Churrasqueiras (fabricação)
     Churrasqueiras Bernardino, Lda
          churrasqueirasbernardino@gmail.com
          http://www.churrasqueirasbernardino.com/

Equipamentos hoteleiros (manutenção)
     Filtrobaça - Manutenção de Equipamentos Hoteleiros, Lda

Funerária
     Funerária Ataíjense, Lda.

Mercearias, utilidades, tecidos e confecções (comércio)
     Maria Lúcia Carvalho Gomes

Rochas ornamentais (extracção, comércio, transformação)
     Airemarmores – Extracção de mármores, Lda.
          geral@airemarmores.pt
          http://www.airemarmores.pt/
     Arte e Fogo-Lareiras de Portugal Lda
          artef@arte-e-fogo.pt
          http://www.arte-e-fogo.pt/
     Levantina
          alcobaça@levantina.com
          http://www.levantina.com/
     Gaspares, Lda
          info@sousaecatarino.com
          http://www.sousaecatarino.com/
     Germano & Cordeiro, Lda.
     Granmalco - Comercial de Granitos, Lda.
     Grupo Ingemar - Comércio de Mármores e Granitos, Lda.
          alcobaca@ingemargroup.com
          http://www.ingemargroup.com/
     João Gomes de Sousa
     Lareiarte - Arte em Fabrico de Lareiras, Lda
          lareiarte@lareiarte.com
          http://www.lareiarte.com/
     Lareiras Sousa, Lda.
     Mármores Galrão, SA
          vendas@mocapor.com
          http://www.galrao.com/
     Mocapor - Comércio e Indústria de Mármores, Lda.
          mocapor@mocapor.com
          http://www.mocapor.com/
     MVC - Mármores de Alcobaça, Lda.
          geral@mvc.pt
          http://www.mvc.pt/
     Perpedra, Indústria de Mármores, Lda
          perpedra@sapo.pt
          http://www.perpedra.com/
     Ricarle Stone, Lda
          geral@ricarlestone.com
          http://www.ricarlestone.com/
     Ruipedra – Indústria de Extracção e Transformação de Pedra, Lda
          geral@ruipedra.pt
          http://www.ruipedra.pt/
     Sousa & Catarino, Lda
          info@sousaecatarino.com
          http://www.sousaecatarino.com/
     Vigário & Machado Lda

Saibro, areia e pedra britada (extracção)
     Vigarpedra, Lda

Serralharia Civil
     Artisolda, de Cláudio Lourenço Matias
     Soltage-Serralharia Lda.

Transportes rodoviários de mercadorias
     Brisa Ligeira - Transportes Lda
     Martaureltrans - Transportes, Lda
     Silvino Cordeiro de Sousa
     Transportes Moura Constantino Lda.
     Transtage - Transportes Ataija, Lda

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A indústria e o Comércio na Ataíja de Cima, hoje

Se, como referimos em post anterior (aqui), a importância económica da indústria da faiança é, hoje em dia, bem menor do que foi há vinte ou quinze anos atrás, em compensação as actividades ligadas à exploração da pedra Vidraço da Ataíja não têm parado de se desenvolver e alastraram-se, aliás, a todas as aldeias vizinhas. Agora já não é só, nem sobretudo, a actividade extractiva mas, antes, as da transformação e serviços associados.

Ao contrário do que aconteceu na cerâmica decorativa que é uma actividade importada e onde os ataíjenses quase nunca ultrapassaram a função de operários, no caso do Vidraço da Ataíja , verificou-se uma rápida adaptação que permitiu aos naturais aprender não só a extrair a pedra (a) como, mais importante em termos económicos, a transformá-la.

Por outro lado, as excelentes condições de acesso propiciadas pelo IC 2 (b) e a crescente importância da indústria extractiva regional, propiciada designadamente pelo desenvolvimento provocado pela crescente aceitação da pedra Molianos e outras extraídas nas Serras de Aire e Candeeiros, levaram alguns dos maiores grupos empresariais ligados à extracção e ao comércio de rochas ornamentais a instalar-se na Ataíja de Cima.

Esta dinâmica industrial levou a que as actividades, directa ou indirectamente ligadas viessem a, do mesmo modo, instalar-se ou desenvolver-se no local. Desde logo, a satisfação da necessidade básica da alimentação dos trabalhadores envolvidos, levou ao surgimento de cafés e restaurantes. A melhoria das condições de vida local, à banalização do automóvel e à necessidade de existência de oficinas de reparação. A produção industrial à necessidade de especialistas na sua comercialização. O crescimento do conhecimento local das técnicas de trabalhar a pedra ao surgimento de fábricas e oficinas de transformação.

Hoje, fazendo uma pesquisa sobre as empresas que têm fábricas, oficinas, armazéns ou outras instalações na Ataíja de Cima, contei 43 (c).

Mais de metade das empresas estão no sector da pedra, (extracção, serragem, armazenamento, fabrico de lareiras, pavimentos, revestimentos e cantarias, transporte, etc,).

Mais de 25% (12 empresas) possui sites próprios na internet. Este é um bom indício de que se trata de empresas modernas e viradas ao futuro.

O encerramento da maioria das fábricas de faianças conduziu, naquela época, ao surgimento de desemprego. Mas hoje em dia o desemprego é perfeitamente marginal (d) e, – parte boa – tendo desaparecido a exagerada pressão sobre a mão-de-obra local que levou a que uma geração inteira tivesse abandonado a escola para, (muito jovens, com catorze anos de idade), ir trabalhar nas fábricas há, finalmente, condições para a juventude estudar como deve estudar, já que só o estudo lhes poderá permitir fazer a gestão das empresas que os seus pais criaram, ou exercer, nelas, os cargos cada vez mais especializados que o futuro exige.

NOTAS:
a) -Nos primeiros tempos foi necessário recorrer à emigração de trabalhadores experientes, oriundos de Pero Pinheiro, Vila Viçosa, Ançã e Tentúgal (destes, cá ficou o Pimenta que, há muito tempo, já é um ataíjense).
b) Condições essas que, aquando da entrada ao serviço do IC 9, terão uma melhoria muito significativa.
c) Faltam algumas. A colaboração dos leitores para colmatar as falhas será bem-vinda.
d) A insuficiência da mão-de-obra local continua a justificar a existência de emigrantes, agora oriundos, sobretudo, dos chamados países de Leste.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vidraço de Ataíja

Na década de cinquenta do Séc. XX, julgo que, exactamente, em 1955, a Ataíja de Cima começou, pela mão de João Veneno, natural das Pedreiras, Porto de Mós, a entrar na modernidade.

Até aí a economia local era exclusivamente agrícola e o único produto importante, o único capaz de gerar excedentes monetários relevantes era, como já referido em posts anteriores, o azeite.

Nesse ano de 1955 o João Veneno, conhecedor das técnicas de extracção da pedra de “cantaria” que se explorava nas Pedreiras, face à perda de importância económica dessas explorações, decide começar a escavar na Ataíja de Cima a pedra local.

As primeiras escavações tiveram lugar no sítio dos Caramelos, no terreno onde José Henriques, recentemente falecido e que era conhecido por José Neto e, mais vulgarmente, por José Carago, veio depois a construir a sua casa. Mesmo junto ao local onde hoje existe uma pedreira da empresa Mármores Vigário. Lda.

Pouco tempo depois, em 1958, Luís da Graça de Sousa que todos conhecem por Luís da Graça e era leiteiro em Lisboa, decidiu regressar à aldeia e, algum tempo depois, começou a explorar pedra no sítio do Vale Cordeiro, num pequeno terreno que era propriedade de seu sogro, António Catarino.

Seguiram-se muitos outros e, até hoje, a importância económica da exploração (e posteriormente da transformação) da pedra que é conhecida por Vidraço de Ataíja ou ,simplesmente, Ataíja, não tem parado de crescer.

Mas essa é uma história para mais tarde. Por agora, fiquemo-nos pela caracterização do vidraço da Ataíja.

(O que abaixo se diz é inteiramente retirado, apenas com pequenas adaptações para permitir um texto corrido, de: ORNABASE – Base de Dados do Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas, in
http://e-geo.ineti.pt/bds/ornabase/rocha.aspx?Id=59):


O vidraço da Ataíja é uma rocha calcária, finamente calciclástica, com tonalidade creme-acinzentada (o Ataíja Creme), ou cinzento e cinzento-azulado (o Ataíja Azul) que tem como utilizações recomendadas as cantarias e pavimentos e revestimentos, interiores e exteriores.

Explora-se em Ataíja de Cima, freguesia de São Vicente de Aljubarrota, município de Alcobaça, distrito de Leiria, em camadas integradas na formação Moleanos, datada do Caloviano Inferior a Médio (Jurássico Médio) e que apresenta grande continuidade no Maciço Calcário Estremenho (Orla Mezocenóica Ocidental) entre Alto da Serra e o paralelo de Porto de Mós.

Nas pedreiras que serviram para a caracterização das explorações e dos tipos litológicos, o Vidraço de Ataíja Creme ocorre conjuntamente com o Vidraço de Ataíja Azul. As bancadas têm atitude média, numa delas N30º E, 15º NW e na outra N3ºW E, 15º NW, por vezes são espessas, algo carsificadas e fracturadas, possibilitando, entretanto, a produção de blocos de dimensão média aceitável. Os principais sistemas de fracturação têm, em média, direcção N85º W, 85º N, N10º W, 65º E e N40º W, 80º E, este menos importante.

As placas são, em geral, obtidas por talhe ao “correr” da pedra.

As reservas são grandes e o acesso às pedreiras é bom.

Nas análises a que foram submetidas, não se notou qualquer alteração na cor nem na estrutura dos provetes no final dos 25 ciclos de gelo-degelo.




 Vidraço Ataíja Azul


Vidraço Ataíja Creme