quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Gente da Ataíja de Cima – José Sabino – o José Coelho

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José Sabino que foi por todos conhecido como José Coelho, nasceu na Ataíja de Cima em 29 de Janeiro de 1920 e faleceu em 13 de Outubro de 1991.

Era filho de Francisco Sabino que teve uma vida aventurosa, incluindo a imigração para a América (New Beresford, Massachusetts)  e morreu jovem, com 41 anos de idade e de Maria Coelho, tecedeira de mantas e tapetes de trapo.

Ficou órfão de pai com vinte e um meses de idade e veio a casar, em Dezembro de 1944 com Joaquina Rosalia de Sousa, conhecida por Joaquina Rosalia, tendo construído a casa que ainda existe no largo do Outeiro.

A falta de trabalho que então havia na Ataíja, a necessidade de fazer face ao sustento da família que começava a crescer rapidamente e a de pagar as dívidas resultantes da construção do lar familiar, obrigaram-no a seguir o caminho que era, então, o de quase todos os homens ataíjenses: a emigração sazonal, para trabalhos agrícolas nas quintas da região de Lisboa.

Acabou por se fixar, primeiro como vaqueiro e por fim como caseiro, numa quinta em Camarate onde, em 1953, juntou a família.

Tinha então quatro filhos, (entre eles o Américo de Sousa Sabino, já mais de uma vez, justamente, referido neste blog) e aí haviam de nascer mais outros quatro.

Manteve sempre uma estreita ligação à Ataíja e um forte empenho no progresso da aldeia, sendo de destacar a doação que fez do terreno para se construir a actual Escola Básica de 1.º Ciclo e Jardim de Infância, bem como a actividade que desenvolveu na comissão que, nos anos de 1975 e 1976, muito trabalhou para conseguir o alcatroamento da estrada municipal n.º 553 que liga a EN 8 em Aljubarrota à Ataíja de Cima e ao IC 2, passando pelo Cadoiço.

Faleceu em 13 de Outubro de 1991, depois de ter regressado à aldeia, quando a quinta de Camarate, nos arredores de Lisboa, onde vivera e criara os filhos, começou a ceder à pressão imobiliária que, entretanto, a submergiu.

A colecção das cartas que trocou com sua mulher, entre 1948 e 1952, nos anos em que – forçados pelas contingências económicas - viveram separados, ela na Ataíja cuidando das poucas terras familiares e dos filhos e ele em Camarate, constitue um importante acervo documental, um raro e poderoso testemunho, sobre as condições de vida na nossa região em meados do Séc. XX.

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