quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ataíjenses na(s) América(s)

Há vários indícios de que no Século XIX, pelo menos a partir da extinção das Ordens Religiosas e das profundas alterações na propriedade e no sistema produtivo que, na nossa região, se verificaram em virtude da saída dos frades de Alcobaça e da subsequente venda dos bens fradescos a uma burguesia emergente, havia na Ataíja escassez de mão-de-obra.

Será isso que justifica a fixação na nossa aldeia de um relativamente elevado número de enjeitados, de tal modo que muitos dos actuais ataíjenses têm entre os seus ancestrais, avós, bisavós e trisavós, que eram enjeitados.

Talvez por essas razões, a Ataíja de Cima não acompanhou o fortíssimo movimento que, a partir do primeiro quartel do Séc. XIX e durante cem anos levou cerca de 1.300.000 portugueses pelos caminhos da emigração, sobretudo para os Estados Unidos e o Brasil.

Apesar disso, alguns ataíjenses emigraram no inicio do Séc. XX.

Nenhum, que eu saiba, para o Brasil mas um meu tio-avô emigrou para a Argentina e lá faleceu e pelo menos três emigraram para os Estados Unidos: Um deles foi Francisco Sabino, avô paterno do nosso amigo Américo de Sousa Sabino (em 20 de Agosto de 1913 vivia em New Bedford, Masachussets, conforme se vê de uma procuração que nessa data passou a sua mulher Maria Coelho), outro foi o sogro da minha tia Angélica, outro foi o marido da Benedita, uma senhora que sempre conheci viúva e só e morava na Rua das Seixeiras, numas casas que agora são de António Baptista Vigário (António Sabino).



Um desses emigrantes, ou outro (não sei, já que ainda não consegui relacionar o nome com a pessoa), foi Joaquim Batista que se fez fotografar por M. B. Pereira, um célebre fotógrafo que tinha estabelecimento em New Bedford, Massachussetts:

(no verso da foto, escrito a lápis: "Joaquim Batista")



(Foto actual da casa que foi da minha tia Angélica da Graça e, antes, de seus sogros. A parte da casa a partir do postalete de electricidade, para o lado da estrada, corresponde a dois quartos que se ligam à "casa de fora" por uma grossa parede de pedra. Um dia, estranhando eu esse facto, por inabitual, a minha tia explicou-me que tinham sido mandados construir (e acrescentados à casa original) pela sua sogra, "com dinheiro que o meu sogro mandou da América")


Mais tarde, nos anos 50, Manuel Sabino (filho de Francisco Sabino) emigrou também, fixando-se no Canadá.

Posteriormente, pelo menos mais dois ataijenses emigraram para o continente norte-americano e aí vivem actualmente.

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