domingo, 8 de novembro de 2009

O Trigo

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Nos anos setenta do Séc. XX ainda se cultivava trigo na Ataíja de Cima e era corrente o uso de tracção animal.
A eira do trigo era no terreno chamado "quintal da Rosalía", na Rua das Covas onde, anualmente, se instalava a debulhadora do Leonídio (ou debulhadeira, como também se dizia por cá) .
As fotografias seguintes foram tiradas, por mim, em data que não posso precisar, no verão de 1976.
A consertar a carrada está o Joaquim da Pequena e, a dar os molhos, o António Matias, vislumbrando-se, atrás deste, António Agostinho da Graça, meu tio, já falecido e que era pai do Joaquim e sogro do António e proprietário do trigo e das vacas (e do carro, está claro!).
A terceira fotografia é já na eira, no quintal da Rosalia. A debulhadora e a enfardadeira (que lhe estava acopulada e se não vê na fotografia) eram movidas pelo tractor que se vê em primeiro plano.
Sobre a debulhadora vêem-se dois homens: um recebe os molhos do trigo e corta o atilho, o outro introduz o cereal por um alcapão para ser debulhado (era chamado o aumentador).
Em baixo, sob a correia que liga o tractor à debulhadora vê-se um outro homem que está a receber os grãos de trigo já debulhados para sacos de sarapilheira (era o saqueiro). Este era o chefe da eira, o que comandava todas  as operações, pesava o trigo debulhado e cobrava as maquias.
Há, na cena, mais três homens: dois carregam, à forquilha, os molhos do trigo para cima da debulhadora, o terceiro, sobre a meda (a amoreia, dizíamos nós), coloca os molhos (dizía-se os feixes) a jeito de serem espetados pela forquilha.
O trabalho na eira envolvia mais gente. Às vezes a meda ficava relativamente longe e, aí, toda a gente era pouca para chegar os molhos para junto da debulhadora. Havia, ainda, para a enfardadeira, pelo menos mais cinco pessoas: O rapaz que preparava os arames de fardo, o aumentador que, munido de uma forquilha, empurrava a palha, vinda da debulhadora, para dentro da prensa, dois homens, um de cada lado, para colocar os arames no fardo, um outro para os retirar da enfardadeira e os carregar até local próximo, onde os empilhava para serem, posteriormente, recolhidos pelo proprietário.




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Casas do Século XVIII na Ataíja de Cima

Casa do Outeiro




Casa de Amélia Ribeiro


Esta casa foi objecto de remodelação no ano de 1981,conforme o atesta o pequeno painel de azulejos, sobre a porta.
Gravada na cantaria de padieira da porta, a data da construção: 1794
De notar, ainda, à direita da entrada, o banco feito de uma lage toscamente aparelhada e, à esquerda, cravada na parede, a pequena pia de pedra para dar de beber à montada. Sobre esta pia, a pequena mancha negra que se vê na parede é um olhal em pedra para prender a besta. À direita, em simetria, vê-se outro olhal idêntico. Quer a pia quer os olhais, são contemporãneos da construção da casa.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OS MARCOS DO OLIVAL DOS FRADES



O Olival dos Frades foi mandado plantar por D. Frei Manuel de Mendonça que era sobrinho do Marquês de Pombal[1] e foi Abade de Alcobaça entre 1768 e 1777.
Os frades chamavam-lhe Olival do Santíssimo Sacramento por, ao que parece, usarem um sistema de contabilidade por consignação, seja, em que as diferentes receitas eram, previamente e por regra, afectas a diferentes tipos de despesa, sendo as receitas deste olival usadas para suportar as despesas do culto e louvor ao Santíssimo Sacramento.
Vendido em hasta pública na sequência da Lei de 1834 que extinguiu as Ordens religiosas, o olival passou por diversos proprietários sendo, em 1885, propriedade do Dr. Francisco Baptista Pereira Zagallo, Médico de Alcobaça
[2], onde existe uma rua com o seu nome. Foi, a certa altura, também no Séc. XIX, mas em data que ainda não conseguimos apurar, adquirido por Olímpio Trindade Jorge, comerciante de Alcobaça, o qual marcou os limites da propriedade com um vasto conjunto de marcos, muitos deles ainda hoje existentes.
Todos esses marcos, um dos quais se encontra junto à estrada que liga a Ataíja de Cima à Ataíja de Baixo, mesmo em frente da fábrica de cerâmica da empresa Destinos, têm gravadas, de um dos lados, as iniciais do Santíssimo Sacramento (SS) e, por baixo dela, as do proprietário (OTJ) e, do outro lado, o número do marco.
Mais tarde, em 1918, este olival veio a ser adquirido por um ataíjense, Matias Ângelo, pela quantia de 100 contos de réis, quantia à época considerada "fabulosa".





Marco contendo as inscrições "SS" e "OTJ"


[1]Salvador Magalhães Mota, A Acção de D. Frei Manoel de Mendonça à Frente dos Destinos da Congregação de Santa Maria de Alcobaça da Ordem de São Bernardo (1768-1777, in Estudos em Homenagem a Luís António de Oliveira Ramos, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004, p. 771-779[2] Manuel Vieira Natividade, O Mosteiro de Alcobaça (Notas históricas), Coimbra, Imprensa Progresso, 1885

Marco numerado "4."


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

SALÃO CULTURAL ATAÍJENSE

O Salão Cultural Ataíjense na actualidade, quando faltam 3 meses para a realização do 11.º Almoço Anual que terá lugar no Domingo, dia 17 de Janeiro de 2010.
A fachada actual é resultado das obras que incluiram a ampliação do Salão e a construção do bar e foram inauguradas no dia 22 de Outubro de 2006.




Na fotografia seguinte o Salão Cultural Ataíjense, tal como ficou após as grandes obras realizadas na sequência do 1.º Almoço Anual, realizado em 16 de Janeiro de 2000.
Este 1.º almoço foi um enorme êxito e o Salão esteve, literalmente, "à pinha".
As obras foram inauguradas em 8-7-2001, numa grande festa que incluiu o 2.º Almoço Anual que, por virtude das obras, se não pode realizar no 3.º Domingo de Janeiro.
Para a realização das obras contaram-se muitos donativos dos quais os mais importantes constaram de uma lista apresentada no Almoço realizado em 8-7-2001 e que é justo aqui reproduzir:

SALÃO CULTURAL ATAÍJENSE

OBRAS DE AMPLIAÇÃO DO SALÃO
OFERTAS

Terreno para a construção da ampliação das instalações da sede oferecido por:
SILVINO DA GRAÇA DE SOUSA

Peitoris, escadas, pavimentos e revestimentos oferecidos por:
ANTÓNIO PEREIRA
B. M. S. – BASES DE MÁRMORE, LDª
JOÃO FAXIA
LAREIARTE, ARTE EM FABRICO DE LAREIRAS, LDª
LAREIRAS ANTÓNIO SOUSA
LAREIRAS SOUSA, LDª
RICARDO CATARINO
VIGÁRIO & MACHADO, LDª

Diversos materiais de construção, oferecidos por:
CÂMARA MUNCIPAL DE ALCOBAÇA

Transporte do telhado, oferecido por:
JOSÉ FRADE

Abertura e cobertura da fossa, oferecidas por:
JOÃO QUINOTO E LEONEL QUINOTO

Esquentador e televisão, oferecidos por:
ZÉ MANEL (electricista)

Aros para portas interiores, oferecidos por:
LUÍS SOUSA
JOSÉ HORTA LUÍS
RAMIRO SILVA (mão de obra)

Placa comemorativa, oferecida por:
ELÍSIO L. MARTINS PIMENTA
(e, se me é permitido, escrita e desenhada por mim)




Placa comemorativa da inauguração das obras de 2000-2001:

Placa comemorativa da inauguração das obras de 2006:





quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Descendência de D. João II na Ataíja

D. João II, Rei de Portugal, chamado o Príncipe Perfeito, nasceu em 1455 e morreu em 1495, tendo reinado desde 1477 até à sua morte.
Durante o seu reinado tiveram lugar as viagens de Diogo Cão, (desembarque e colocação de um padrão na foz do rio Zaire e reconhecimento de toda a costa de Angola, até à Namíbia); de Bartolomeu Dias, (dobragem do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África e entrada no oceano Índico, abrindo, assim, o caminho marítimo para a Índia); a assinatura do Tratado de Tordesilhas, celebrado com Espanha, pelo qual o mundo foi dividido em duas partes e garantida para Portugal a posse do Brasil, cuja descoberta oficial havia de ter lugar seis anos depois; a viagem terrestre de Pero da Covilhã e Afonso de Paiva, pelos territórios do Egipto, Etiópia, Moçambique, Arábia e Irão.
Ao mesmo tempo que foi responsável pela época de ouro dos descobrimentos portugueses, levou a cabo uma política interna de reforço do poder real, para o que não hesitou em mandar matar, ou fazê-lo por suas próprias mãos, os nobres mais poderosos do Reino.
Teve ainda tempo para umas escapadelas do leito conjugal, sendo-lhe conhecidos filhos bastardos de, pelos menos, duas mães diferentes.
Dessas aventuras viria a resultar, mais tarde, o nascimento de alguns ataíjenses. Vejamos como:

D. João II teve por amante Brites Anes, a Boa Dona (nascida cerca de 1460) e dessa relação nasceu Brites Anes de Santarém.

Brites Anes de Santarém, (nascida cerca de 1485), mãe de Brites Anes Baracho senhora da Quinta e Torre de Vale de Esteio, e filha reconhecida do Senhor Rei D. João, que Santa Glória haja, havida em Brites Anes de Santarém, a Boa Dona, que era filha de Álvaro Anes de Santarém, morador e senhor que foi do dito solar, torre e morgado de Vale de Esteio, rico-homem e vassalo d’El-Rei D. João I.

Brites Anes Baracho (nascida cerca de 1510), casou com João Pires Amado (nascido cerca de 1500) e tiveram quatro filhos, entres eles Pedro Anes Amado.

Pedro Anes Amado, fidalgo da casa real, morreu em 1612 com mais de 100 anos (por outro lado, há quem sustente que terá nascido cerca de 1540).

António Amado (nascido cerca de 1570), filho de Pedro Anes Amado, não foi senhor da casa de seu pai, por lhe ter pré-falecido. Casou com Catarina Dias Delgado, filha de Filipe Delgado, fidalgo da casa do Sr. Cardeal-Rei (Cardeal D. Henrique). Morou em Aljubarrota.

António Amado, o Moço, (nascido cerca de 1600) filho de António Amado, foi Senhor de Vale Esteio por morte de seu avô, mas com o Couto quebrado e casas arrasadas, o que Filipe II mandou por um decreto por terem seguido o partido de D. António, Prior do Crato, na sua pretensão ao Trono. Teve vinte filhos. Casou 2 vezes, a segunda com Domingas Fernandes de Carvalho de lhe deu oito filhos, entre eles, Antónia (ou Antonieta?) Amado.

Antónia Amado (nascida cerca de 1630), filha da 2ª mulher de António Amado, casou com Manuel Coelho (nascido cerca de 1625), do lugar da Ataíja, no termo de Aljubarrota. Tiveram 2 filhos:

- Manuel Coelho Amado (nascido cerca de 1660) que casou com Madalena Antunes e teve quatro filhos, entre eles, Vicência Amado que casou “muito nobremente” com João Coelho, Senhor do Morgado dos Coelhos da Boieira, do termo de Porto de Mós. Este morgadio veio a ser extinto, em 6-7-1775, por D. José I, a pedido de João Coelho Amado (nascido cerca de 1733, filho do João Coelho e da Vicência Amado) que foi, assim, o último morgado.
- António Coelho Amado (nascido cerca de 1660) que casou com Maria de Sousa, da família dos Sousa Alvim, de Ourém;

Uma Nota: Na árvore genealógica da família (brasileira) do Coronel Sabino Nazareth (Gente de Turquel-Nazareth) consta um António Amado, lavrador, nascido Freg. S. Vicente de Aljubarrota, lugar de Ataíja, casado em Turquel com Maria Delgado daí natural. Sabendo-se que uma sua filha faleceu em 20-11-1749, com a idade de setenta e três anos, em Turquel, em cuja Igreja Matriz foi sepultada, é de presumir que este António Amado tenha nascido por volta de 1650. Assim, se as datas acima estiverem certas, então este António Amado não pode ser descendente de Manuel Coelho. Mas pode ser sobrinho da sua mulher (que, com dezanove irmãos, há-de ter tido muitos sobrinhos). Esta é uma questão para genealogistas que eu não o sou e apenas por mera curiosidade aqui trouxe esta demonstração da ascendência de D. João II sobre alguns ataijenses.

Uma questão: Aquele Manuel Coelho era da Ataíja de Cima, ou da Ataíja de Baixo? Eis uma pergunta a que não sei responder. Alguns dizem que era da Ataíja de Baixo. Não creio que a questão seja, assim, tão importante e menos creio que, naquelas épocas, fosse importante.

Finalmente: O Manuel Coelho, não era nobre mas era, certamente, um rico proprietário. De facto, não só consegue casar com uma nobre como a sua neta Vicência também casa “muito nobremente”, sinal de que seu pai, conseguiu manter a importância da casa de seu avô.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Aos eventuais leitores - pedido de colaboração

Se tem documentos, fotografias, informações ou o que seja relativo à Ataíja de Cima que queira partilhar com os leitores deste blog, envie-os para o meu email: jose.quiterio@sapo.pt

10.º Almoço Anual do Salão Cultural Ataíjense

Atrasadas, mas ainda a tempo, vão juntas algumas fotografias relativas ao 10.º almoço Anual do Salão cultural Ataíjense, o qual teve lugar no dia 18 de Janeiro de 2009.

11.º Almoço Anual do Salão

Uma vez que o 3.º Domingo de Janeiro é, sempre, dia de Almoço no Salão, o melhor é começarem a anotar nas vossas agendas e a recusar quaisquer outros compromissos para o dia 17 de Janeiro de 2010.

Dia 17 de Janeiro de 2010, Domingo, 11.º Almoço Anual do Salão Cultural Ataíjense!