terça-feira, 24 de maio de 2011

O Tabuleiro das Tripas

Um objecto indispensável na matança



Numa casa rural típica da Ataíja de Cima da minha meninice, os objectos, os utensílios e as ferramentas eram poucos e muitos deles improvisados. Por contraste, alguns dos existentes tinham uma utilidade muito específica, não servindo senão numa determinada época e, alguns deles, apenas uma vez por ano.

É o caso dos instrumentos e outros objectos próprios da matança do porco: A escápula onde se dependurava o animal morto, o grande tacho de barro onde se cozinhava a cachola, o sovelão a que chamávamos o cebolão, os pequenos funis de lata que serviam para encher as tripas e fazer as morcelas e demais enchidos, a faca com que se abria e desmanchava o animal e ficava o resto do ano cuidadosamente guardada, embrulhada em papel pardo e o tabuleiro das tripas de que hoje falamos.

Dependurado o animal, o desmanchador abria-o com um golpe vertical no ventre e, cuidadosamente, para que se não rompessem, ia puxando e retirando as tripas que suavemente deslizavam para o tabuleiro, para irem a lavar.

E para mais nada servia este tabuleiro.



O tabuleiro que aqui apresentamos, foi da minha tia Joaquina Pequena, tem várias dezenas de anos de existência e mantêm-se na família como memória desses tempos já antigos.





Um desenho, à escala, do mesmo tabuleiro:



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terça-feira, 17 de maio de 2011

A Arilhada

Vara ou pá?


Arilhada é palavra que não encontrei nos dicionários que, apenas registam uma palavra muito parecida: aguilhada s.f. Vara com ferrão para instigar os bois.


Neste sentido, quase todas as varas para tocar bois são aguilhadas, já que quase todas têm ferrão e a pá para limpar a charrua há-de ter, noutros locais, um outro nome qualquer mas, na Ataíja, arilhada era uma pequena pá de forma triangular que se usava para, durante a lavoura, limpar a charrua, designadamente no final do rego quando era preciso virar a aiveca. A vara que lhe servia de cabo (a vara da arilhada) era simultaneamente utilizada para tocar as vacas (e, curiosamente, quase nunca tinha ferrão. É que, durante a lavra, a instigação dos animais tem de ser especialmente suave e controlada, já que o que se pretende é um rego bem direito, para que a leiva fique uniforme, garantindo-se, assim, uma correcta lavra do terreno).

A vara da arilhada tinha, assim, de ser suficientemente comprida para ultrapassar todo o comprimento da charrua e chegar aos quartos traseiros dos animais, para os poder tocar (ficando ainda, para trás da mão do lavrador, uma extensão suficiente de vara que, com o peso da arilhada, a pudesse equilibrar). Daí resultava uma vara grande e pesada, cujo manejo (a uma só mão que a outra mão era necessária para segurar a rabiça e, por aí, conduzir a charrua) exigia perícia.



 
 
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1ª Feira de Artesanato e Oficios de Aljubarrota

28 e 29 de Maio de 2011


Com inauguração às 15H00 de sábado, dia 28 de Maio de 2011, vai realizar-se no Largo da Padeira, em Aljubarrota, a

1ª Feira de Artesanato e Oficios de Aljubarrota

Não conhecemos, ainda, o programa completo, mas está prometida a presença de muitos artesãos da região a trabalhar ao vivo, entre os quais alguns artesãos ataijenses.

Será possível, além do mais, ver como se faz um sapato, uma manta de trapos, um cesto de vime, uma figura de barro, etc.

Haverá animação musical com exibições dos ranchos folclóricos dos Casais de Santa Teresa e dos Moleanos e do grupo musical Os Farras.

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domingo, 8 de maio de 2011

A Canga

da junta das vacas


A canga, também chamada jugo, é uma peça de madeira que serve para unir a junta dos bovídeos e, repousando sobre o cachaço dos animais, permite a atrelagem do carro através da cabeçalha, ou da charrua, da grade e do trilho, através do timão (ou temão a que, na Ataíja, chamávamos “as solas”).

A canga, com os seus acessórios, que agora apresentamos, serviu à junta de vacas que trabalhava com o carro referido no post “O carro das vacas” (AQUI), e pode ser vista em pleno trabalho (AQUI).



No caso concreto, trata-se de uma peça com o comprimento de 156 cm e uma secção de forma sensivelmente rectangular (com todos os vértices boleados, sem arestas) e, com dimensões variáveis entre 6x9 cm e 6x15cm, aproximadamente.

Da canga, fazem parte os cangalhos, que são quatro peças de madeira com cerca de 25 cm de comprimento que cingem o pescoço das vacas. Estão cravados obliquamente na canga, os de fora a cerca de dez centímetros do extremo da canga e os de dentro afastados dos primeiros 22 cm, afastamento esse que nas respectivas pontas aumenta para 30 cm.

A amarração da canga às vacas e ao carro ou outras alfaias faz-se através de um conjunto de peças de couro que se podem ver na fotografia e são as seguintes:


Brochas – Par de tiras de couro, às vezes entrançadas, colocadas na parte inferior dos cangalhos, que ligam a canga ao pescoço das vacas, passando-lhe sob a barbela. (a)

Piaças – Par de tiras fortes de couro, com fivela, que ligam as bases dos cornos das vacas à canga. É por aí que os animais fazem a força para puxar o carro ou as alfaias.

Sobrebrocha - Tira forte de couro que, fortemente fixado na canga e passando por um furo horizontal existente na frente da cabeçalha, liga canga e carro em tensão.

Tamboeiro – (Tamoeiro). Peça de couro forte com as pontas cozidas uma à outra, formando um círculo e que, dobrada, ocupa o centro da canga onde encaixa em ranhuras apropriadas, deixando abaixo dela uma abertura por onde entra a cabeçalha que, travada pela chavelha, aí fica em suspensão.


 
(a) Num sentido completamente diferente, também se chamavam brochas às cardas (pregos curtos de cabeça larga e arredondada) que se pregavam nas solas de botas e sapatos e, também, dos tamancos de madeira, para impedir o desgaste pelo uso.
 
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sábado, 30 de abril de 2011

Festa do Salão

7 e 8 de Maio de 2011



É já no próximo fim-de-semana, dias 7 e 8 de Maio de 2011, que se realiza a Festa Anual do Salão Cultural Ataíjense que este ano comemora o seu 26º Aniversário.

A folia começa no sábado, pelas 23H00, com um baile animado por JC POWER.

No domingo, às 10H00, partida para o grande Passeio das Reformadas, onde se esperam muitas motorizadas, havendo um programa específico e muito aliciante para os participantes (ver AQUI o programa completo),

À tarde e à noite animação com CARLITOS

No domingo há serviço de restaurante com Almoços e Jantares.

PARTICIPE!

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Artistas Ataíjenses - Pedro Cordeiro

Músico



Músico e cantor, Pedro Cordeiro tem desenvolvido o essencial dos seus projectos musicais na área musical conhecida por World music.

Alcançou notoriedade nacional enquanto elemento (voz e guitarra acústica) do grupo Odagaita.

Actualmente, de parceria com Rudolfo Nobre, (percussão e vocals) mantém o projecto Índigo World Music (https://www.facebook.com/about/profile/#!/pages/%C3%8Dndigo-World-Music/199846030049137?sk=info) vocacionado para a música portuguesa, popular e de intervenção.

Ouvimo-lo, com muito agrado, no passado dia 25, em Peniche, no Forum da Parreirinha, (um auditório ao ar livre com uma acústica muito boa), actuando perante uma plateia bem composta que aplaudiu o alinhamento onde constavam muitas canções de José Afonso, Fausto e outros grandes da música popular portuguesa.

No vídeo seguinte podemos ver e ouvir o Pedro Cordeiro e o Rudolfo Nobre, ensaiando a célebre canção de José Afonso “Venham mais cinco": https://www.facebook.com/video/video.php?v=1646187076537&oid=199846030049137&comments

Aqui, podemos ouvir um excerto de uma participação do grupo Odagaita no programa da RTP 1 “Praça da Alegria”: http://www.youtube.com/watch?v=yCKtnReaYCs.


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