sexta-feira, 22 de julho de 2016

Marca Corneta



A expressão “és de marca corneta” que se usava na Ataíja de Cima da minha meninice, é um jogo de palavras que, aproveitando a fama dos instrumentos de corte (ferramentas manuais de trabalhar madeira, facas, tesouras e navalhas) da marca Corneta, brinca com a etimologia da palavra corneta que, obviamente, deriva de corno e a dureza do corno que é osso.
Ser “de marca corneta” é ser duro, teimoso, inflexível.


Lembrei-me disto a propósito de que entre o espólio do meu pai, se encontra uma velha navalha de barbear da marca Corneta.
  



A navalha em questão apresenta, gravada num dos lados da espiga, entre a lâmina e a articulação com o cabo, a  inscrição:
Gebr Weyersberg Solingen – Ohligs

Do outro lado, o símbolo da corneta e o número 2211

O cabo é feito de celuloide, imitando o marfim.

Quando terá sido fabricada esta navalha? Não sabemos mas, seguramente, não foi antes de 1896 já que esse foi o ano em que a marca foi registada nem, sequer, antes de 1909 porque só neste ano a fábrica dos irmãos Weyersberg se mudou para Solingen – Ohligs.[i]

A navalha, acusando embora claras marcas de intenso uso, chegou-me às mãos bem tratada e cuidadosamente guardada numa caixa apropriada que, no entanto, é de diferente marca.
Num dos lados dessa caixa temos a identificação do produto:

Navalha Bismarck / Producto Allemão / Marca Registrada

No outro lado, dois textos longos, um elogiando as qualidades do produto (a navalha de barbear Bismarck) e o outro dando indicações pormenorizadas sobre o uso e conservação da navalha (escritos em português, estes textos demonstram os cuidados da marca em se adaptar às necessidades de cada mercado específico).

O que é que faz uma navalha de barbear da marca Corneta, dentro da caixa de uma navalha de barbear da marca Bismarck, isso é mistério que não consiguirei esclarecer.

Mas, como o melhor da aposentação é não ter de fazer a barba e poder ocupar o tempo a aprender coisas inúteis, investigando, vim a saber que a marca Bismarck – BISMARCK, RAZOR WORKS, SOLINGEN – GERMANY - foi fundada em 1892 por August Müller e subsistiu até 1957 quando foi adquirida pela Fritz Bracht (DOVO) Company, a qual, actualmente, ainda usa a marca Bismarck para algumas das navalhas de barbear que continua a fabricar.

De facto, a indústria das navalhas de barba que esteve à beira do desaparecimento em meados do Século XX[ii], em resultado da generalização do uso da máquina de barbear eléctrica e, sobretudo, das lâminas descartáveis inventadas pelo Sr. Gillette, recebeu o golpe fatal com o surgimento de doenças modernas como a SIDA que, devido aos riscos de infecção, levaram ao abandono do seu uso pelos profissionais. Apesar disso continua a existir um nicho de mercado que justifica que se continuem a fabricar e, entretanto, os profissionais passaram a usar uma versão em que a tradicional lâmina forjada foi substituída por um suporte para lâminas descartáveis.

De acordo com o site http://www.barbearclassico.com, a DOVO (de Solingen, http://www.dovo.com/, fundada em 1906) é, como referido, uma das marcas que continuam, ainda hoje, a fabricar boas navalhas de barbear, a par com THIERS ISSARD (francesa, http://www.thiers-issard.fr/, fundada em 1884), BOKER, (de Solingen, https://www.boker.de/, fundada em 1869 mas, com antecedentes familiares no ramo que remontam ao Séc. XVII), HENCKELS (fundada em 1895 em Solingen, http://www.j-a-henckels.com/ e, actualmente, integrada no grupo ZWILLING, sendo que a marca Zwilling, por sua vez, existe desde 1731) e REVISOR, (fundada em 1919 em Solingen, http://www.revisor-solingen.de/.

Os leitores já terão notado duas coisas: que se fala aqui muito de Solingen e que as marcas acima mencionadas têm todas mais de 100 anos.

Solingen é uma cidade alemã, no Estado da Renânia do Norte – Vestefália, não longe de Colónia, conhecida por a “cidade das lâminas” e famosa desde a Idade Média por se ter especializado na metalurgia do aço, especialmente na fabricação de espadas e outros instrumentos de corte. 
Ainda hoje, a grande maioria das ferramentas de corte e talheres da Alemanha é fabricada em Solingen, por marcas famosas como Wüsthof, J. A .Henckels, Bokar, Villeroy & Boch e também aí são fabricadas as lâminas de barbear Wilkinson Sword. 

O facto de as marcas de que temos vindo a falar terem, todas, mais de 100 anos, remete-nos para o funcionamento do poderoso cluster[iii] que, vindo dos confins da Idade Média, atravessou os séculos e conseguiu resistir a todas (e foram muitas) as situações adversas que se lhe depararam.


Valerá a pena fazer aqui um breve parêntesis para falar de King Camp Gillette, o americano que inventou a lâmina de barbear descartável[iv].
Gillette era caixeiro viajante de ferragens, ferramentas e maquinetas diversas (tudo o que nos EUA se chama hardware) e terá sido o seu patrão a lançar a Gillette o desafio de inventar uma coisa que pudesse ser utilizada uma única vez para que o cliente voltasse a comprar.
Ao que parece, esse patrão era William Painter inventor de outros objectos de extrema utilidade como a carica e o respectivo abridor[v]).

Mas, isto era na América.

Em Portugal as coisas corriam mais lentamente e, ainda em meados do Século XX, uma grande parte dos homens não usava a gillette, nem possuía navalha. Simplesmente e isto era absolutamente verdade no campo, fazia a barba uma vez por semana, no barbeiro[vi].

O meu pai, quando recém-casado e antes de emigrar para Lisboa, na tentativa de acrescentar alguns tostões aos magros rendimentos familiares, exerceu também, em part-time, o ofício de barbeiro, montando oficina na casa-de-fora.[vii]

Eu era muito pequeno, dois anos e menos, ou nem sequer nascido e, desta actividade do meu pai, só me lembro, por ele e a minha mãe me contarem que, a primeira das poucas palmadas que levei foi, precisamente, por ter uma birra de choro que incomodava os clientes ou, pelo menos, o barbeiro.

Lembro-me, também, de uma tesoura que sobreviveu ao fim da barbearia e a minha mãe levou para Lisboa e usou para cortar as barbatanas dos peixes, até perto dos meus quinze anos quando, finalmente, se desconjuntou. 
Contava-me o meu pai que essa tesoura lhe tinha custado, talvez aí por 1947 ou 1948, a módica quantia de 17$50. Isso, quando um homem na Ataija de Cima ganhava, a cavar de sol a sol, quando havia trabalho, 12$50.


A marca Corneta está hoje desaparecida na Alemanha onde nasceu (encerrou a produção em 1997 e foi excluída em 2005 do Registo Alemão de Marcas e Patentes, segundo leio na internet).
No entanto, subsiste no Brasil, onde foram criadas fábricas a partir do final da 1ª Guerra Mundial, para ali levada por um membro da família proprietária e onde é, como o era na Alemanha, uma prestigiada marca de ferramentas.
A história da empresa, desde o final do Séc. XVIII até aos dias de hoje pode ser vista no site do brasileiro Grupo Corneta, em http://www.corneta.com.br/br/


A minha navalha, essa, acompanhada dos acessórios que o tempo não levou, vai ficar muito bem guardada e arrumada, em memória do efémero barbeiro que foi o meu pai.











[ii] Cerca de 1950, havia em Solingen, 600 a 700 fabricantes de lâminas. Em 2009 eram, apenas, 6. As navalhas de barbear eram, na sua maioria, parcialmente produzidas para as marcas pelos trabalhadores, à peça, em suas casas. (conf. http://www.revisor-solingen.de/index.php/en/history)
[iii] O que é um cluster, como funciona, quais os seus pontos fortes e pontos fracos, são conceitos que interessam muito à Ataíja de Cima e à região, actualmente dependente do que já é o cluster das rochas ornamentais.
[iv] A fábrica começou a trabalhar em 1903 e no final de 1904 já tinha vendido mais de 12.000.000 de lâminas. Gillette usou uma estratégia comercial agressiva, hoje corrente nos produtos de consumo de massa, vendendo as máquinas com prejuízo para, assim, alargar o leque dos compradores de lâminas.
[v] William Painter patenteou cerca de 85 invenções entre as quais a carica e o sistema que lhe está associado foram as de maior utilidade e complexidade, já que o sistema para funcionar exige a “carica”, a máquina para a aplicar, o abridor e, mais complicado, que todos os gargalos das garrafas sejam idênticos. Painter teve, pois, de convencer os fabricantes de garrafas a adoptar um novo e único modelo de gargalo que suportasse as suas “caricas”.
[vi] Lembro-me, desde sempre, do ti João Pereira cortando cabelos e fazendo barbas no “salão” que montou na casa que foi do Pote Serrano.
Não havia cadeira de barbeiro, sentando-se os clientes numa comum cadeira de madeira e o fio da navalha tinha por assentador o próprio cinto das calças do barbeiro que, para isso, o usava deliberada e exageradamente comprido.
[vii] A casa-de-fora era a sala para onde se entrava pela porta principal da casa e a partir da qual se acedia directamente aos quartos e à cozinha.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Ir à Praia





Gosto muito de carapaus secos mas conheço mal a Nazaré.

Passei lá férias uma única vez e, nestes mais de sessenta anos que, entretanto, decorreram, os dedos de uma mão são, talvez, suficientes para contar os regressos, sempre de curta duração, meras passagens diurnas.

No último desses regressos impressionou-me o imenso casario que amalgamou a Praia e a Pederneira, o Calhau e o Sítio. Tudo, bem diferente das memórias antigas que guardo dessas tais férias, as minhas primeiras férias, teria eu cinco, no máximo seis anos, menos alguns dias.

Curiosamente, julgo que ainda lá está a casa onde nos instalámos, na esquina da Avenida Vieira Guimarães com a Rua de Sub-Vila. Um pequeno prédio em cujo rés-do-chão havia uma taberna que era propriedade ou gerida por um vizinho daqui da borda da serra, o Zé Rebocho, dos Casais de Santa Teresa. No primeiro andar era a residência do comerciante e nós ocupamos o sótão.  Perto, ficavam a garagem das camionetas da carreira que não sei se eram dos Claras se dos Capristanos e o mercado que penso estar no mesmo sítio embora em edifício diferente, se é que em 1953 ou 1954 o mercado já tinha edifício.

A Rua de Sub-Vila, na parte a sul da Vieira Guimarães, era a dita taberna e pouco mais. O campo começava logo ali, o alcatrão acabava e seguia-se, entre canaviais, por um estreito caminho de areia onde apenas cabia um carro de bois.

Lá mais adiante, o caminho fazia uma curva e era, por oeste, elevado em relação ao terreno para onde eu e o Quim da Pequena descemos, (na verdade, o Quim da Pequena diz que subimos para uma elevação de areia, uma duna que havia na borda do caminho). Subindo ou descendo, certo é que, à sombra de uns caniços, resolvemos aliviar a tripa que nós éramos rapazes do campo e no campo não havia casas de banho que, portanto, ali também nos não faziam falta.

Eis que do lado da Praia surge um carro de bois com seu abegão e, nele, empoleirado entre taipais, vinha um maganão de pé descalço, calça dobrada pelo meio da canela, camisa de flanela aos quadrados, cinta e barrete, como um bilhete postal.

Olhando lá para baixo (ou para cima?), para a sombra dos caniços, o dito descobriu-nos de calças na mão e, resolvendo chuchar com os dois turistas, trocou umas breves palavras com o condutor da junta e saltou do carro de vara na mão.

O meu primo já havia de andar pelos seus dez anos e foi rápido. Correu pelo talude desaparecendo num instante e só voltei a vê-lo já muito perto da taberna. Eu, tomado de um valente susto, lá consegui chegar ao caminho e correr, acabando também por me safar, perseguido pela risota dos pexins.

Imagino-me, neste dia ou num outro, rapazito do campo que de peixe tinha visto o pouco que chegava à Ataíja: umas sardinhas frescas para assar ou, as mais das vezes, já escaladas, salgadas e de barriga amarela que se comiam cozidas com batatas, uns carapaus que sempre se comiam fritos e chicharros que se vendiam ao par e a minha avó cortava em postas fininhas, um centímetro ou pouco mais, fritava, regava com molho de escabeche e guardava perto do pão, na buraca com porta de rede que havia na cozinha. Imagino-me dizia eu, de olhos esbugalhados ao ver a pexineira que na rua apregoava dois peixe-espadas, bichos enormes como eu nunca tinha visto, rabos a arrastar pelo chão, monstros que ela transportava erguendo ao alto os braços e enfiando-lhe nas guelras os dedos indicadores.

Não tenho dúvidas de que, perante tal visão, os meus olhos hão-de ter ficado tão surpresos como, um ano ou dois antes, tinham ficado na Senhora dos Enfermos perante o fotógrafo à lá minuta.

Esqueci-me de vos dizer que tudo se passava em Setembro, quando os camponeses iam à praia aproveitando (os poucos que podiam aproveitar) os escassos dias em que as terras não reclamavam presença, antes do São Mateus que era tempo de semear nabos e de preparar a adega, antes de começarem as vindimas que nesse tempo se faziam pelo final do mês e primeiros dias de Outubro.

Então, como agora, as festas em honra de Nossa Senhora da Nazaré agitavam o Sítio e, um dos momentos grandes da parte profana dos festejos era a tourada no dia 8 de Setembro. Lá fomos todos, subindo no elevador, para assistir à função.

Foi a minha primeira tourada. Lembro-me vagamente das cortesias e não terei desgostado do brilho dos trajes, da música, da animação da assistência e das habilidades dos cavalos. Da tourada nada vi ou nada me lembro salvo que, assustado com o rompante do touro, a esquiva do cavalo e os berros do cavaleiro, enfiei o nariz no colo da minha avó e de lá não saí até final do espectáculo. 

Curiosamente, quase não tenho memórias de nós na areia. Talvez lá não passássemos muito tempo. Afinal, nenhum tinha fato de banho e duvido que algum tivesse, sequer, molhado os pés no mar. Lembro-me, apenas, de andar por lá a vagabundear e, disso não duvido, sempre de olhos bem abertos, tentando saber e entender tudo, como ainda hoje gosto.

Seja como for, em certo dia de mar bravo, coisa não rara nos princípios de Setembro, a maioria dos barcos ficou na areia mas pelo menos uma traineira, mais destemida ou apenas incauta, fez-se ao mar, lançou o cerco da rede e, preso nela o peixe, empreendeu a manobra de regresso. Como quase sempre naquele tempo, o grande problema era passar a rebentação e conseguir varar na areia em segurança.
O mestre gritou ordens que permitiram apontar a proa à praia. Esperou a onda propícia e, agora a compasso, gritou gritos de ânimo aos remadores. O barco elevou a proa na onda e quando parecia que ia dobrar a espinha de água e chegar à praia foi de novo empurrado para o largo. Isto, uma vez, duas, três. Com as juntas de bois a postos, a areia ia-se enchendo de companheiros, amigos e familiares dos pescadores em perigo. Camponeses curiosos e de coração apertado ficaram um pouco afastados, ignorantes do que fazer, muitos fazendo coro com as mulheres vestidas de negro pelos maridos, filhos e pais sepultados naquele mar, as quais no meio de grande gritaria, invocavam Nossa Senhora da Nazaré e toda a corte celestial implorando a livrança dos infelizes.

Finalmente, um dos pescadores conseguiu saltar da traineira e chegar a terra arrastando uma corda que todos puxaram, bois e homens e mulheres, gentes da praia e do campo, até o barco varar na areia sem outros prejuízos que não o susto geral.

Nalgum canto da minha memória está gravada a visão de uma mulher de negro agachada na areia que, afastada da multidão e aparentemente alheia à aflição geral, recriminava:

É bem feito! Queriam o peixe todo!



Nota: Decidi passar a escrito estas memórias quando, há poucos dias, sobre a porta do prédio com o nº 161 da Rua de Campo de Ourique, em Lisboa, deparei com a representação do milagre da Nazaré que acompanha este texto.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Amonites


As amonites eram animais marinhos (moluscos), cefalópodes[i], com olhos laterais e tentáculos e possuíam uma concha encaracolada com câmaras. O animal vivia na 1ª câmara, servindo as demais como flutuadores.
Estes animais terão surgido há cerca de 400 milhões de anos, ainda na era paleozóica[ii], muito antes de quaisquer vertebrados. Assistiram ao aparecimento dos dinossauros, há cerca de 230 milhões de anos e desaparecem, uns e outros, há 65 milhões de anos.   
Actualmente, como último representante desta classe de animais, sobrevive ainda na zona sudoeste do Oceano Pacífico o náutilo, de que dois exemplares foram recentemente filmados nos mares da Papua-Nova-Guiné.

As amonites evoluíram rapidamente (enfim, em termos geológicos) e espalharam-se por todos os mares, de tal modo que, um pouco por todo o lado e um pouco por todos os estratos[iii] do Mesozóico, é possível encontrar fósseis de amonites e, porque há muitos tipos diferentes de amonites, sendo que cada tipo tende a apresentar-se distribuído por um estrato diferente, isso torna-as excelentes indicadores da idade geológica, permitindo datar rochas com grande precisão (inferior a um milhão de anos).

A Ataíja de Cima situa-se na margem oeste do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) e do Maciço Calcário Estremenho, o qual se terá começado a formar há cerca de 200 milhões de anos e se caracteriza por constituir a maior formação calcária de Portugal.
As suas rochas pertencem, na generalidade, ao período Jurássico designadamente ao Jurássico Médio, ou seja, ao período popularizado pelo cinema como o tempo dos dinossauros.
Por tal razão é fácil encontrar fosseis variados[iv] designadamente de amonites e, também se encontraram pegadas de dinossauro[v]. Estas pegadas, descobertas durante os trabalhos numa pedreira, têm cerca de 175 milhões de anos e são constituídas por diversos trilhos, entre os quais um com cerca de 147 metros de comprimento o que o torna o mais longo do mundo até agora conhecido.
E, se o trilho dos dinossáurios foi descoberto ao desmontar-se uma bancada (uma camada, um estrato) na “pedreira do Galinha”, no caso das amonites, em vários lugares do Maciço[vi], elas estão ali, à vista de toda a gente, embora seja nas pedreiras que mais facilmente se encontram. De facto, “Muitos dos locais privilegiados para observações de índole geológica correspondem a frentes de exploração em pedreiras que atualmente se encontram em atividade.”[vii]

As fotos seguintes mostram três amonites recentemente encontradas em pedreiras da região (concelhos de Alcobaça e Porto de Mós).

Esta amonite, com cerca de 50 cm de diâmetro, surgiu durante a movimentação do bloco que se partiu deixando ver o fóssil que se encontrava no seu interior.

Esta amonite, com cerca de 30 cm de diâmetro, surgiu numa situação semelhante à anterior sendo que, aqui, toda a amonite se soltou do bloco quando ele se fracturou.

Neste caso, o bloco não apresentava quaisquer sinais de conter a amonite que tem cerca de 30 cm de diâmetro. Apenas em fábrica e depois da serragem, se verificou que a serra tinha cortado longitudinalmente a amonite, praticamente pelo plano médio da concha, deixando cada metade numa chapa diferente.






[i] Classe a que pertencem os chocos, as lulas e os polvos. Cefalópode significa, literalmente, “com os pés na cabeça”
[ii] Uma escala do tempo geológico pode ser vista, por ex., no artigo com o mesmo título na Wikipédia: (https://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_tempo_geol%C3%B3gico)
[iii] Como é fácil notar, nomeadamente nas arribas e nas pedreiras, os solos sedimentares são formados por camadas, estratos.
[iv] Na freguesia de Alcaria, Porto de mós, ocorre uma formação rochosa com tal quantidade de fósseis que é conhecida por “pedra-bicho”.
[v] O Monumento Nacional das Pegadas de Dinossáurio, fica situado na estrada de Ourém a Torres Novas, no extremo oriental do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. (ver: http://www.icnf.pt/portal/ap/nac/mon-nat-peg-dino-ourem-torres)
[vi] Em particular na zona da Fórnea, onde os geocachers já definiram um percurso a que chamam o “trilho das amonites” (ver: https://www.geocaching.com/seek/log.aspx?LUID=ca58a651-d0c7-4349-a466-538721e92fef&IID=c08fb6b3-d935-435d-be0b-c9f7793b6e3d)  
[vii] INEG, “Maciço Calcário Estremenho Caracterização da Situação de Referência” - Relatório Interno - Jorge M. F. Carvalho, Carla Midões, Susana Machado, José Sampaio, Augusto Costa e Vítor Lisboa, 2011, consultado em linha em 5-5-2016

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Dionísia dos Santos



Conforme o Livro de Matrícula de expostos Fêmeas, do ano de 1863 (Lvº 91, fl. 363, nº 494) que se conserva no Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, deu entrada no Hospital dos Expostos de Lisboa em 2 de Dezembro de 1863 e foi baptizada nesse mesmo dia (Lvº Baptismos do anno de 1863, fl. 404, nº 2420), uma criança do sexo feminino a que foi posto o nome de Dionyzia ou Dionisia

No dia seguinte, 3 de Dezembro de 1863, foi a dita menor entregue a Joaquina Coelha, solteira, moradora no Andaínho, freguesia de São Miguel do Juncal, concelho de Porto de Moz, recebendo pelo encargo a quantia de 1$600 (mil e seiscentos réis) mensais, durante 12 meses, no total de 19$200 (dezanove mil e duzentos réis). Recebeu, ainda, para as despesas da jornada, a quantia de 2$000, tudo somando 21$200.

Um ano depois, foi acordado entre o Hospital dos Expostos de Lisboa e a Joaquina Coelho que esta continuasse a criar a Dyonizia por mais 24 meses, a contar do dia 3 de Dezembro de 1864, recebendo, agora, a quantia de 1$000 por mês, seja, o total de 24$000.

Por razões que os livros consultados não esclarecem este contrato não foi executado na sua totalidade tendo a Dionísia sido entregue, em 6 de Abril de 1866, a Joaquina Bárbara, casada com José Coelho, carpinteiro, moradores no logar de Ataíja de Cima, Freguesia de São Vicente de Aljubarrota, concelho de Alcobaça. O contrato então celebrado estipulava que a Joaquina Bárbara receberia pelo encargo a quantia mensal de $800 réis, pelo período de 8 meses quer dizer, até Dezembro desse ano, até ao tempo que seria o do fim normal do contrato celebrado com a Joaquina Coelha.

O contrato cumpriu-se efectivamente nos termos acordados e por ele recebeu a Joaquina Bárbara a quantia de 6$400 e celebrou-se novo contrato, agora pelo valor mensal de $500 e pelo período de 48 meses, contados a partir de 19 de Novembro de 1866, somando o total de 24$000, a que se seguiu novo contrato, pelo período de três anos que terminaram em 18 de Novembro de 1873.
Neste último período a Joaquina Bárbara foi remunerada à razão de $300 mensais, no total, portanto, de 10$800

Quinze dias depois, em 02 de Dezembro de 1873, a Dionisia completou dez anos de idade e, portanto e de acordo com as regras vigentes nesse tempo, cessaram os pagamentos feitos à ama.

Ou seja, naquele tempo, uma criança de dez anos havia de ser capaz de se sustentar a si própria. Porque assim era, este era um momento muitas vezes dramático na vida dos enjeitados: se calhavam estar ao cuidado de alguém que procurava apenas o rendimento dos pagamentos pela criação ou se, por qualquer outra razão não tinha logrado integrar-se na família da ama a criança era entregue ao cuidado de outra pessoa que a quisesse e muitos, aproveitavam a circunstância e fugiam.

Felizmente, neste caso como na generalidade dos casos que estudei de crianças enjeitadas criadas na Ataíja de Cima, o que se passou foi uma total integração da criança na família de acolhimento de tal modo que, a Dionísia foi entregue (sem remuneração, recorde-se), à mesma Joaquina Bárbara pelo tempo de oito anos

O respectivo Termo consta dos chamados Livros de Vestir (Lvº 1 V, fl 115v) e está escrito em letra pré-impressa e completado em cursivo bem legível, pelo que aqui o reproduzimos deixando ao leitor mais curioso o encargo de o ler com cuidado, que bem o merece, por estes autos serem clara explicação de um certo entendimento do mundo e das coisas.

Cópia do Termo de Vestir de Dionísia, gentilmente cedida pelo
 Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa


O processo da Dionísia contém, ainda, um despacho interessante por esclarecer o procedimento em caso de doença do menor:

Por despacho da Exma Mesa de 12 de Janeiro de 1874 foi concedida a gratificação mensal de 1$200 enquanto mostrar por atestado do facultativo que a exposta continua no mesmo estado de doença, sendo a contar desta data.
a)      Caldeira
Sem efeito mas sim o que se acha a fls. 366

Fls. 366:
Por despacho de 12 de Janeiro de 1874 foi concedida a gratificação mensal de 1$200 enquanto continuar no mesmo estado de doença.
a)      Caldeira
1874 Maio 19 Pago três mil cento e vinte réis


Depois disto, só voltamos a ter notícias da Dionísia quando ela já era, inequivocamente, uma ataijense como as demais. É o que prova o facto de, em 2-4-1880, ter nascido na Ataíja de Cima uma criança a que foi posto o nome de Dionísia, filha de Manuel Joaquim e Maria Custódia.
Foi madrinha Dionísia dos Santos, solteira (a criança veio a falecer em 15-4-1885)

A FAMÍLIA

Em 9 de Agosto de 1885 nasceu uma criança a que foi posto o nome de Maria, filha de pai incógnito e de Dionísia de Jesus, solteira, doméstica, exposta da SCML.
Em 16 de Agosto de 1888 casaram-me Manuel da Silva Vigário, de 24 anos de idade, filho de José Vigário e de Ana Lourenço e Dionísia dos Santos, solteira, de 24 anos de idade, exposta SCML.
No acto do casamento, o nubente reconheceu uma filha comum, Maria, nascida em 15.4.1885.
Em 15 de Fevereiro de 1891 nasceu uma criança a que foi posto o nome de Francisco, filho legítimo de Manuel da Silva Vigário e de Dionísia dos Santos, ela exposta da SCML
Em 20 de Dezembro de 1892 nasceu uma criança a que foi posto o nome de Ana, filha legítima de Manuel da Silva Vigário e de Dionísia dos Santos, ela exposta da SCML
Em 15 de Abril de 1899 nasceu uma criança a que foi posto o nome de José, filho legítimo de Manuel da Silva Vigário e de Dionísia dos Santos, ela exposta da SCML

Destas crianças apenas não sabemos o destino do José que presumimos tenha falecido jovem.

A Ana que todos conheciam por Ana Denísia, casou-se na Ataíja com Luís Dias que também usava Luís Dias Vigário, foi conhecido por Luís Barra e era, certamente, seu parente pelo lado paterno.
O Luís Dias foi um dos ataijenses que integrou o Corpo Expedicionário Português que nos campos do Noroeste de França participou na 1ª Guerra Mundial de onde, diziam, tinha vindo gaseado.
Conheci-os bem a ambos.
Moravam numa casa na Rua dos Arneiros que tem anexa uma original cisterna e, entretanto, perdeu o patim que a protegia do movimento da rua, foi transformada em oficina e, depois de anos ao abandono, iniciou no passado inverno um processo de derrocada irreversível.

Também conheci o irmão Francisco, a quem chamávamos Francisco Denísio e casou com Joaquina Lourenço, instalando-se na mesma Rua dos Arneiros em casa que ainda existe, embora transformada e há vários anos sem função, salvo o que eram, no meu tempo de miúdo, a eira e o curral das vacas, agora transformados no Café-Concerto a Casa do Maltês.

Da Maria Dionízio sabemos, graças a um leitor deste blog, o seu neto materno Sr. José Almeida, que casou e foi viver para a Boieira.
Anos depois, um seu filho, que foi conhecido por Manuel Lérias, regressou à origem, casando na Ataíja de Cima com Joaquina Machado.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A minha avó e o Marquês de Pombal




Pode estabelecer-se uma ligação entre Sebastião José de Carvalho e Melo, o todo-poderoso Ministro de D. José I, Conde Oeiras e Marquês de Pombal e a Ataíja de Cima porquanto, no âmbito da sua política de modernização do sistema produtivo em Portugal, não descurou a agricultura sendo no seu tempo que, sob a direcção do então abade geral da Ordem de Cister, aliás seu sobrinho,  Frei Manuel de Mendonça[i], foi mandado plantar um extenso olival e construído um moderno (para o tempo) lagar de azeite de que hoje sobram ruínas conhecidas por a Casa do Monge Lagareiro.

Pombal quis, à viva força, tornar Portugal um país moderno pelo que, entre os seus poderosos inimigos estavam todos os avessos à mudança: a Nobreza que perdeu privilégios ou foi mesmo sentenciada e perdeu tudo (caso dos Távora), o povo do Douro que se amotinou contra a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, os Jesuítas e outros clérigos.

Após a morte de D. José I, o velho Marquês caiu em desgraça e foi remetido para Pombal e regressaram ao poder as velhas forças conservadoras que tanto tinha afrontado.
Rejubilando com a queda e o exílio do velho leão e julgando que os velhos tempos tinham regressado (e, os velhos tempos nunca regressam) fizeram reviver por uma vez a Inquisição e, nesse ano de 1781, em autos-de-fé realizados em Coimbra e Évora foram queimadas vivas 25 pessoas.
Terá sido por esse tempo que o Marquês, a caminho do exílio em Pombal , terá passado por aqui perto uma última vez.  

O que tem a minha avó a ver com isto, perguntarão?
Tem que, também as estórias que vos vou contar revelam esse carácter muito português que é a capacidade de conjugar a fé com o anticlericalismo, pecado que o Marquês parece ter cometido e, vejo agora, talvez, também, a minha avó.

A minha avó, mulher de fé que nunca iniciava uma refeição sem orar em agradecimento, nem  se deitava sem encomendar as almas dos familiares falecidos, que ia à missa aos Domingos e dias Santos e me ensinou os Mandamentos que rigorosamente toda a vida cumpriu, gostava do Marquês e não gostava de Jesuítas.
Nas longas noites de Inverno, vão lá sessenta anos ou quase, depois da ceia, sentavam-se o menino e a velha ao aconchego da lareira e, era então que, como já o sabem os leitores deste blog, a minha avó me contava histórias.

Contava-me ela, deliciada, como o Marquês tinha enganado o Embaixador espanhol ao levá-lo, perante as ameaças de invasão, para a varanda dos Paços do Concelho de Lisboa, na pequena e fechada Praça do Município, a fim de assistirem a uma parada militar.
Sendo os efectivos do exército português diminutos[ii], o astuto marquês pôs os militares a andar em círculo e a mudar de fardamentos quando se encontravam nas traseiras dos edifícios.
Depois de três ou quatro passagens, estando o embaixador já intimamente convencido de que seria perigosa aventura enfrentar tão grande exército, o Marquês colocou-lhe paternalmente a mão sobre o ombro e segredou-lhe ao ouvido:

E saiba mais Vossa Excelência que, cada um em sua casa pode tanto que, mesmo depois de morto, são preciso quatro para o tirarem de lá![iii] 

Hoje, lendo um pouco de história de Portugal, percebo que a estória tem fundamento nas movimentações diplomáticas que antecederam a chamada Guerra Fantástica[iv].
Os leitores interessados poderão procurar na internet por este interessantíssimo episódio das sempre atribuladas relações luso-espanholas[v].

Numa segunda estória de louvor ao Marquês e à sua suprema inteligência, contava a minha avó que, estando ele desterrado e sujeito a uma sentença que o condenava a, até à morte, não pisar outra terra que a de Pombal, matutou de ir a Lisboa.
Mais esperto que todos, o velho marquês mandou forrar uma carroça de terra pombalense e sentando-se sobre ela, lá foi até Lisboa e Oeiras, onde se passeou sem infracção e tratou dos seus negócios, para grande desespero e impotência dos seus inimigos.

De facto, falecido D. José I em 1777 e substituído no trono pela filha, a qual veio a ser a primeira mulher rainha de Portugal sob o Título de D. Maria I e o cognome de D. Maria Pia que bem lhe assentou vista a sua encarniçada devoção, a fortuna de Pombal sofreu um sério revez:
Eram os seus inimigos que agora estavam no poder e, logo em 4 de Março, foi o Marquês demitido das suas funções.
E, em 1779 foi acusado de abuso do poder, corrupção e fraudes.
Em 1781 foi julgado e, considerado culpado, condenado ao desterro, devendo manter-se a, pelo menos, vinte léguas da Corte, não lhe sendo aplicada outra pena vista a sua avançada idade e estado de saúde que, aliás, o havia de levar a falecer no ano seguinte sem, certamente, ter tido a ideia que a minha avó louvava nem, muito menos, saúde para a pôr em prática.
Nesse ano de 1781, a Inquisição a quem ele tinha tirado o terrível poder, como que escarnecendo do velho leão, condenou 25 pessoas à fogueira e, no que foram os últimos autos-de-fé realizados em Coimbra e em Évora foram queimadas vivas, respectivamente, 17 e 8 pessoas.

E, quanto aos Jesuítas, contava a minha avó, também com evidente satisfação, que o Marquês os tinha enfiado num barco que mandou afundar ao largo de Lisboa.
Não me recordo de que tenha dado explicação plausível ou indicado facto concreto que justificasse tão drástico castigo.
Tanto quanto me lembro, era razoavelmente confusa a lista de críticas aos Jesuítas que, isso era fora de dúvida, eram maus cristãos. 
O Marquês, esse, teria feito, apenas, o que devia ser feito.
Fosse como fosse, os Jesuítas tornaram-se, para mim, durante longos anos, gente pouco recomendável.

Claro que a estória de o Marquês ter afundado os frades da Companhia não tem fundamento histórico.
O que se passou foi que o Marquês, que tinha ideias próprias sobre como desenvolver o Brasil a bem da Coroa, chocou com opiniões diferentes dos missionários Jesuítas ali presentes e de onde, em 1759, acabou por os expulsar. Os confrontos entre o Ministro e a Companhia, já vinham, pelo menos, desde 1757 quando lhe retirou o papel de confessores, (que concedeu a padres mais colaborantes, designadamente, oratorianos) e de 1758, quando os acusou de cumplicidade no atentado ao Monarca.
A persistente luta contra a Companhia prosseguiu em 1766, com a organização da aliança das monarquias católicas contra a Companhia de Jesus, até 1772 quando reformou a Universidade de Coimbra subtraindo-a ao poder dos Jesuitas que aí haviam pontificado durante quase 200 anos.
Tudo culminou em 1773[vi] quando, por Breve do Papa Clemente XIV «Dominus Ac Redeptor Noster», foi extinta a Companhia de Jesus.


O mistério que subsiste é: 
Qual a razão porque uma mulher analfabeta, na Ataíja de Cima dos anos 50 do Séc. XX, mantinha uma tal admiração pelo Marquês e um tal desafecto pelos Jesuítas?


Brazão da Ordem de Cister na Casa do Monge Lagareiro, na Ataíja de Cima (foto de cerca de 1940). 
Anexa a um lagar de azeite do Séc. XVIII que foi destruído na década de 1940, a Casa do Monge Lagareiro, apesar de edifício classificado, encontra-se actualmente em estado de degradação muito avançado





[i] Veja-se Mota, Salvador Magalhães, “A Acção de Frei Manuel de Mendonça à frente dos destinos da Congregação de Sta Maria de Alcobaça da Ordem de São Bernardo (1768-1777)”, in Estudos em Homenagem a Luís António de Oliveira Ramos, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004, (p. 771-779), disponível online em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5011.pdf, consultado em linha em 2-2-2016.
[ii] Uma reforma do exército conduzida pelo Marquês tinha, em 1754, reduzido fortemente os efectivos militares.
[iii] Verdade que todos os exércitos modernos aprenderam amargamente, mostrando-se incapazes de vencer guerras onde exista um forte envolvimento da população local.
[iv] Também chamada Guerra do Mirandum ou, Guerra do Pacto de Família. Corresponde aos episódios portugueses da Guerra dos 7 Anos a qual, por sua vez, foi a primeira guerra a ter âmbito mundial, com batalhas na Europa, nas Américas do Norte e do Sul (Portugal perdeu a Colónia de Sacramento) e na Ásia.
[v] Nos curtos seis meses que esta guerra durou, entre Maio e Novembro de 1762, os exércitos franco-espanhóis invadiram Portugal, tomando Miranda do Douro, Chaves e Bragança e numa segunda invasão, Almeida e Castelo Branco. Houve, ainda, batalhas e escaramuças no Douro, em Valencia de Alcântara (Espanha) Vila Velha de Ródão, Montalegre, Marvão e Ouguela. Em Miranda do Douro a explosão de um paiol provocou mais de quatrocentos mortos e determinou a decadência irreversível da cidade.
Os invasores, por sua vez, tiveram perdas terríveis que se calculam num total de cerca de 25.000 homens, entre mortos, feridos, prisioneiros e desertores.
[vi] A generalidade das referências cronológicas à disputa entre o Ministro de D. José I e a Companhia de Jesus foi colhida em: Camões, Revista de letras e Culturas Lusófonas, número 15 – 16, Janeiro – Junho de 2003, Cronologia Marquês de Pombal (1699 – 1782), por Patrícia Cardoso Correia. Consultada, online em http://www.instituto-camoes.pt/revista/revista15s.htm, em 01-02-2016.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

17º Almoço Anual do Salão Cultural Ataíjense



Como sempre acontece no 3º Domingo de Janeiro, decorreu no passado dia 17 o 17º almoço anual do Salão Cultural Ataíjense.

Continuando um processo de melhoria contínua que vem beneficiando o Salão em anos consecutivos, desta vez, o edíficio beneficiou duma pintura geral e a sala apresentava-se com um novo e bonito lambrim de pedra e um novo pano de forro do tecto.

A sala ficou pronta de véspera.

Mas os doces, esses, só chegaram pela hora do almoço, trazidos pelos próprios almoçantes:

O almoço contou com a participação de um pouco mais de trezentos convivas, a quem uma diligente equipa (de que apenas uma parte ficou no retrato)
serviu um óptimo almoço onde havia sopa de pedra e canja, bacalhau à salão, borrego à antiga e fritada.
Para as sobremesas muitas frutas e grande variedade de doces, estes, como de costume, confeccionados e oferecidos pelos próprios convivas.
Eu, por mim, preferi a sopa de pedra
e apenas provei o bacalhau (bom, aliás) para me guardar para um borrego à antiga que me soube lindamente.



Uma sala cheia, fraterna, bem disposta e atenta aos discuros

Na mesa que presidiu ao repasto, ao lado de elementos da Direcção do Salão, estiveram presentes os convidados, Srs. Presidentes da Câmara Municipal de Alcobaça e da Junta de Freguesia de Aljubarrota, o Sr. Padre Ramiro (sempre apressado, desta vez porque tinha a festa em honra de Santo Amaro) e o nosso conterrâneo Sr. Padre Fábio Bernardino.

No decorrer do almoço a direcção apresentou o resumo das contas do exercício de 2015 e prestou homenagem à direcção anterior entregando, a cada um dos seus mebros, um azulejo comemorativo e de agradecimento pelo empenho e dedicação ao Salão.


A Direcção de 20013/2015 recebendo a homenagem devida pelos
serviços prestados ao Salão Cultural Ataíjense

Este foi, em minha opinião, o momento mais marcante do dia, porque mostra bem de onde vem a força que anima o Salão Cultural Ataíjense e faz dele uma das mais fortes e activas associações da nossa região:
Essa força vem do grande envolvimento da população que, mais do que estar presente nos eventos, ela própria os ergue com muito trabalho e dedicação, amor à instituição e à terra e capacidade de funcionar em equipa.
Que as direcções cumpram sem deserções os seus mandatos, até ao fim;
Que nessas direcções possamos ver a trabalhar lado a lado jovens que acabaram de completar vinte anos e outros e outras  que se aproximam dos setenta ou já os cumpriram;
Que, terminados os seus mandatos continuem a participar das iniciativas do Salão e possam ser, merecidamente, homenageados pela direcção que lhes sucede;
É isso que faz a diferença e por isso é, para mim, sempre, um grande prazer participar nas iniciativas do Salão e delas dar aqui relato.


Obrigado a todos os que colaboraram.

Para o ano há mais!


O dia 15 de Janeiro de 2017 será o dia do 18º Almoço Anual do Salão Cultural Ataíjense!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

17º Almoço Anual do Salão Cultural Ataíjense

Corria o ano de 1999 e o Salão Cultural Ataíjense, com a sede inacabada e as portas fechadas, sem qualquer actividade, atravessava uma época difícil.

Foi então que, se bem me lembro nos inícios de Outubro, numa reunião a que compareceram cerca de 20 pessoas se decidiu que era preciso trazer a população da Ataíja de Cima para o Salão. E, foi nessa reunião que se descobriu a fórmula mágica: convidar toda a população a participar num almoço o qual havia de servir, além do mais, para discutir o futuro da instituição.

O almoço realizou-se no terceiro domingo do Janeiro de 2000 e, o entusiasmo que se foi levantando à volta da sua organização foi tal que, nesse dia, com as instalações absolutamente lotadas, foi possível apresentar um projecto para ampliação e melhoramento das instalações do Salão.

Melhor de tudo, nesse dia foi acordado que no futuro, todos os anos, o terceiro domingo de Janeiro seria dia de almoço no Salão.

Assim se gerou uma dinâmica que, passados que estão quinze anos e depois de várias campanhas de obras de ampliação e melhoramento do Salão, se mantém bem viva e faz do Salão Cultural Ataíjense o centro efectivo da vida cívica da aldeia.

É por isso que eu e a minha família e, estou certo, a grande maioria dos naturais e residentes da Ataíja de Cima e seus amigos, estaremos presentes no


17º Almoço Anual do Salão


3º Domingo de Janeiro


17 de janeiro de 2016

Inscrições no Salão até 7 de janeiro.
Mais informações em https://www.facebook.com/SalaoCulturalAtaijense/?fref=photo
e https://www.facebook.com/events/457235637799989/