sexta-feira, 20 de março de 2015

Vidraço de Ataíja no Santuário de Fátima


"A pedra ataíja com que foram construídas a escadaria e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário será o mais usado na nova construção."

Eis uma boa razão para, aqui, dar notícia da construção de um novo presbitério no Santuário de Fátima.


Maquete do novo presbitério que vai ser construído no Santuário de Fátima. 
Foto retirada, coma devida vénia, de: http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=89282, onde os interessadoss poderão consultar mais elementos sobre a obra.

sábado, 14 de março de 2015

Os malefícios do alcoolismo




As reformas administrativas do Liberalismo, primeiro a de Mouzinho da Silveira em 1832 e a de Rodrigo da Fonseca em 1835, tiveram por efeito, neste último ano, a extinção do concelho de Aljubarrota e da freguesia de São Vicente e a integração dos respectivos territórios, respectivamente, no concelho de Alcobaça e na freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres[i].

Ao mesmo tempo e em consequência, o Cura José Joaquim Leitão que por longo tempo havia paroquiado S. Vicente, deixou essas funções, agora inexistentes, passando as almas vicentinas a ser pastoreadas pelo titular da freguesia de Prazeres, o Padre Francisco de Freitas Fróis.

Em matéria de registo de óbitos e no que à área da antiga freguesia de São Vicente diz respeito, pode afirmar-se que o Padre Fróis – aliás natural de Aljubarrota onde nasceu no seio de uma importante família local - teve uma entrada, digamos, em grande, espectacular.

O primeiro óbito por ele registado, em 18 de Agosto de 1835, é o de uma importante figura local: Exactamente, o Tabelião José Gomes Coelho, de importância, aliás, claramente acrescida pelo facto de, com a extinção do concelho e, assim, do cartório, ter sido o último Tabelião de Aljubarrota.

O segundo óbito registado pelo Padre Fróis, esse, é o da menos importante das figuras locais:
Um bêbado a quem, por o ser, foi recusado o direito a sepultura eclesiástica e foi enterrado no campo, como os animais.

Ataija de Sª
Thomaz
Francisco
Cazado
Aos vinte e hum de Setembro de mil
e outo centos e trinta e sinco faleceo
e foi sepultado no Campo , não gozando
portanto de Sepultura Eclesiástica
Thomaz Francisco cazado que era
Com Luiza Maria do Lugar de Ataija de
Sima hoje desta Freguesia de Prazeres por
se achar morto no dito dia , e ser publico e no
torio se tomava demasiadamente do vinho de que
morrera embriagado …..….[ii] Consultadas
as Autoridades Eclesiasticas competentes deter
minarão de lhe não ……….[iii] Sepultura em Sa
grado de que fis este assento e Lembrança
para constar esteve exposto sem ser enter
rado dois dias athe dia vinte e três isto athe
aquela decisão: mês e Era supra
a)      Francisco de Freitas Frois

 
A época era conturbada:
A derrota de D. Miguel era ainda recente e as feridas não estavam saradas.
Os frades de Alcobaça haviam abandonado o Mosteiro há menos de dois anos.
Há pouco mais de um ano tinham sido extintas as ordens Religiosas.
1832 e 1833 tinham sido anos terríveis em matéria de  saúde pública na(s) freguesia(s) com o surto de tifo e a epidemia de cólera. Os mortos eram tantos que não cabiam dentro das Igrejas Paroquiais e, principalmente por isso, houve muitos enterramentos nas capelas das aldeias e junto mas fora da Igreja, em lugares (talvez, sempre o mesmo) que em diferentes assentos de óbito se designam por adro, cemitério paroquial ou cemitério da freguesia.
Agora, a extinção do concelho e da freguesia (paróquia) de São Vicente.
Tudo foi sentido como derrotas por uma boa parte da Igreja[iv] que, em geral, era bem mais próxima de D. Miguel que dos Liberais triunfantes.

Talvez eu não tenha razão mas, o facto de em dezenas de anos e muitas centenas de registos consultados[v], não ter encontrado situação semelhante, de recusa de enterramento cristão e inumação no “campo”, em lugar não identificado, leva-me a pensar se não se tratou, este caso, de uma pequena vingança, ou de um aviso aos vivos sobre o que na morte lhes aconteceria, caso na vida se não portassem como bons cristãos.

Ou, talvez este fosse o destino normal dos pecadores. Mas, sobre isso, não possuo qualquer informação.

Curiosamente, é do próprio dia 21 de Setembro de 1835, data do falecimento do bêbedo Thomaz Francisco, o Decreto que determina que “Em todas as Povoações serão estabelecidos Cimiterios Publicos para nelles se enterrarem os mortos.”[vi], Decreto esse que, no seu artigo 13º, determinava:

“Art. 13.° O Parocho, ou qualquer Ecclesiastico beneficiado, que
desde que o Cemiterio estiver designado, e benzido, consentir que algum
cadaver seja enterrado dentro dos templos, ou fóra do Cemiterio,
será, pelo simples facto, privado do beneficio, e ficará inhabil para obter
outro.”

Apesar do que, ainda em 1852 e 1853, se procedeu a enterramentos no interior da Capela dos Casais de Santa Teresa, tal como em 1851 tinha havido enterramentos nas capelas da Pedreira (Molianos) e na da Ataíja de Cima e, em 1849, na Capela de Chequeda.



Ao contrário da destes dois anónimos chineses sepultados no Boot Hill de Tombstone, a sepultura campestre do Thomaz Francisco não terá tido qualquer lápide identificativa. Mas, certamente, não deixou de ser coberta de pedras e de silvas, para evitar o ataque de cães e outros necrófagos.




[i] A Portaria de 13 de Janeiro de 1836 mandou que os Passais das Paróquias extintas fossem anexos aos das paróquias onde aquelas se integraram. Ou seja, a anexação de paróquias não importou qualquer diminuição nos bens da Igreja.
[ii] Uma palavra ilegível.
[iii] Idem.
[iv] Que reagiu de maneiras diversas, como se vê na Portaria de 30 de Janeiro de 1836, que responde a dúvidas colocadas pela Junta de Governo do Bispado de Beja (a qual, parece, sugere que a a extinção de paróquias seja precedida de “referendo” local): “… a Circular de 26 d’Outubro ultimo indica mui claramente o modo porque deve proceder-se á anexação das Parochias desnecessárias, e que longe de conceder audiência aos povos na sua totalidade, o que seria absurdo, Ordena que se ouçam somente as Camaras Municipaes:”
[v] Onde há, por ex. mendigos que, por certo, alguns seriam alcoólicos e, viajantes de que se não conhecia o passado.
[vi] Mais de 10 anos depois, ainda a questão da proibição de enterramentos no interior das igrejas havia de ser uma das razões da Revolta da Maria da Fonte.

terça-feira, 3 de março de 2015

Leitoas, Tubaroas, Ratinhas e outras bichas de sete cabeças


Saber de onde vem o nome de um sítio, o que significa, quem, ou quando, ou porquê o atribuiu são, evidentemente, preciosas informações que nos podem elucidar sobre uma infinidade de factos e ajudar a compreender a história ou a formular sobre ela conjecturas coerentes.
Ora, como bem diz Frei Fortunato de São Boaventura, tal como é citado por Eduardo Marrecas Ferreira na sua interessante, única e esquecida monografia “Aljubarrota - Pequena Monografia”, impressa em Lisboa, nas “Oficinas Fernandes”, Rua da Cruz dos Poiais, 103, MCMXXXI:

“… não há um só ermo ou baldio nestes Reinos, a que os povos não tenham dado algum nome…”.

E, sendo certo que os nomes servem para distinguir as pessoas e as coisas umas das outras e, por isso, convém serem diferentes, natural é que alguns desses ermos, baldios ou qualquer espécie de sítio, – que tantos são -, tenham sido baptizados com nomes menos óbvios.

Daí resulta que, em muitos casos, descobrir a razão ou o significado do nome de um lugar se torna um verdadeiro bicho-de-sete-cabeças que são coisa tão complicada e difícil de resolver que o próprio Hércules precisou da ajuda do sobrinho para vencer a Hidra de Lerna.

Hoje, falaremos aqui de um bestiário local ataíjense: bichos, não de sete cabeças mas nomes de bichos (ou, melhor, nomes que parecem nomes de bichos) a designar sítios.

Leitoas.

Na margem do IC2, entre este e o sopé da serra e a Ataíja de Cima e os Casais de Santa Teresa, bem perto e a sul da Chousa do Bruno de que falamos no post anterior, existe um terreno conhecido pelo muito curioso nome de Leitoas (leitôas).

Leitoa é o feminino de leitão e, ambos, são bácoros, porcos pequenos que mamam e, isso não parece ser nome que se dê a um terreno.

O DPLP (disponível online in http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx) diz no entanto que, andar “em leitão” significa andar nú, em pêlo. Assim leitoa significaria, neste sentido, andar nua. Também, não parece lógico.

O grande arabista e filólogo que foi o Dr. José Pedro Machado diz, por sua vez, no seu Grande Dicionário da Língua Portuguesa que leitoa é uma variedade de pera.
E, António Houaiss, no seu Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa explica que, em linguagem informal, leitoa é qualquer abóbora.

Teríamos, assim, duas hipóteses para a origem deste topónimo: Ou se tratava de terreno especialmente propício para a cultura de abóboras ou, nele, terão existido pereiras leitoas, árvores essas que teriam de ser tão raras por aqui que a sua simples menção identificaria suficientemente o local onde se encontravam.

Tubaroas

Este estranho nome de tubaroas (tubarôas), tibaroas (tibarôas) ou tubarões (tubaroens)  encontrámo-lo em escrituras do Séc. XIX e início do Séc. XX, nestas três diferentes grafias, a identificar um terreno parcelas de cultivo, vinha e mato num sítio junto ao caminho da ponte, perto das Rossanas e do Vale Cordeiro. Terreno esse que, julgo eu, está hoje em dia totalmente integrado nas pedreiras que aí existem.

Não temos, obviamente, a certeza sobre o que terá originado um tal baptismo para este sítio mas, túberas são trufas, cogumelos subterrâneos. 

Eu, não sei nada sobre cogumelos em geral nem, muito menos, sobre trufas em particular. Então, o melhor é dar-vos o link para o artigo Trufas da Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Trufa, onde se fala das trufas francesas e outras que chegam a valer milhares de dólares por quilo e, um outro link, para um texto onde se fala sobre as trufas portuguesas, as túberas: http://trufa.planetaclix.pt/Tudb.htm.
Leiam estes textos e verão que faz todo o sentido. 
De facto, o Vale Cordeiro e as Tubaroas eram, ainda há poucas décadas, pequenos terrenos de cultivo abertos entre  grandes pedras e com suas testeiras de mato onde sempre havia um carvalho e, sob as copas desses carvalhos, em chão húmido, coberto de ervas sobre o tapete de folhas em decomposição, nasciam, no tempo próprio, cogumelos.
Eu próprio me lembro de andar nesses terrenos acompanhando um apanhador de cogumelos. Não me lembro de, jamais, ter visto ou ouvido falar em túberas.
Mas, lá que faz sentido que um lugar onde nascem túberas se chame tuberoas, isso faz. E, que tuberoas se tenham transformado, com o tempo, em tubaroas, tibaroas e, até, tubarões, também faz todo o sentido.

Ratinha

Na margem esquerda da Ribeira do Mogo, com o principal acesso, a fazer-se a partir da Rua dos Arneiros, pela Rua das Covas.
A nossa família possui aí, a meia encosta, um terreno com algumas características interessantes, partilhadas, aliás, com os terrenos confinantes: o terreno, de mato, muito pedregoso, desenvolve-se em torno de uma linha de água, orientada nascente-poente, que vai até à Ribeira do Mogo. No tempo dos meus avós, o estreito vale era cultivado e, ainda há poucos anos, aí subsistiam oliveiras e figueiras.

O nome Ratinha é comum às diversas propriedades no sítio e, no Séc. XIX, parece ter servido para designar toda aquela zona, incluindo a várzea que se desenvolve no fundo do vale da ribeira do Mogo, como se vê de uma escritura de 1890 que teve por objecto a compra e venda de “uma vinha e mata no sítio da Várzea da Ratinha que confronta a Norte com José Carvalho e Visconde de Costa Veiga, Sul com José de Horta, Nascente com caminho e Poente com regueira”.

Que significado terá este nome de sítio?
Rato pequeno fêmea não é, com certeza, apesar de que, por lá haverá muitos ratos do campo. Nem parece que se trate de referência àqueles emigrantes internos que, sazonalmente, desciam das Beiras a trabalhar nos campos do Alentejo.
Dos muitos significados que os dicionários atribuem às palavras ratinho e ratinha há, no entanto, dois que talvez mereçam, para este caso, a nossa atenção:

O DPLP diz que existe um peixe de esqueleto cartilaginoso, semelhante à raia que é conhecido por ratinho, ratão, rato, uja, uje, usga e urze. Por sua vez, urze seria, segundo José Pedro Machado, não ratinha mas ratona, enquanto ratinho seria um outro ou outros peixes, designadamente, o peixe-agulha. Confuso?
Certo é que urze é também o nome de um arbusto de folha miúda e flores em cacho, semelhante ao alecrim que é vulgar em todos os matos da Ataíja e também nos da Ratinha.
Teríamos, assim, um peixe com nome de arbusto e um arbusto que, por vulgar no sítio, o baptizou.

Talvez sim mas, eu prefiro outra hipótese:

Ratinhar é, segundo José Pedro Machado (e o Houaiss concorda), regatear, economizar com avareza, dar com mesquinhez e, por isso, ratinho ou ratinha, há-de ser uma pessoa mesquinha e avarenta.

E, temos, assim, uma boa solução para o nosso problema e, em qualquer caso, material para inventar uma boa história:

Naquele tempo, os matos incultos eram terrenos preciosos. Aí se levavam os rebanhos a pastar e se cortava o mato para servir de cama aos animais e de tapete aos caminhos e se transformar em estrume, para adubar as terras de cultivo. Aí se encontrava a lenha para a fogueira da cozinha e do aquecimento e a madeira indispensável para a feitura de inúmeros objectos e instrumentos e para a construção das casas.
Naquele tempo, dizíamos, todos estes terrenos estavam aforados pelos frades a um velho rabugento, feio e invejoso, mesquinho e avarento que, diariamente, policiava aquelas terras que não explorava (vivia dos juros de empréstimos usurários - tinha uma arca ferrada, uma burra, cheia de dinheiro), impedindo os camponeses de lá pôr sequer um pé, sob pena de os perseguir nas justiças de Aljubarrota e do Abade, até lograr encerrá-los nas masmorras da vila de onde só saíam a troco de pesadas multas.

Por isso, eram as terras do avarento conhecidas por, as do ratinho, a ratinha.

Mais sítios com nomes de bichos, por aqui, só me ocorrem o Olival da Burra, onde já não há burra e que já não é olival e está feito um bairro de casas e o Vale Cordeiro que, agora, é um gigantesco buraco de onde têm saído muitos milhares de toneladas de Vidraço de Ataíja.



E pronto.
Havemos, a seu tempo, de voltar a estas curiosidades da microtoponímia talvez, para os mais gulosos, falando do sítio dos Caramelos que, como sabemos, fica ali naquela ladeira que desce para a Regueira, quando vamos a caminho de Aljubarrota.
É tudo menos óbvio um tal nome.
Que diacho pode aquela ladeira ter a ver com rebuçados feitos de calda de açúcar queimado?


_______________________
NOTA: Na linha do apelo que, no último post, fiz aos leitores ataijenses:
Gostaria de poder desenvolver estes textos, como contributo para um dicionário topográfico e toponímico da Ataíja de Cima, com melhor identificação e localização dos diversos terrenos da zona da Ataíja de Cima, quer nas designações que lhes dão as descrições matriciais e registrais quer, apenas, na tradição familiar dos proprietários.
Ficarei muito grato aos leitores que puderem ajudar-me com qualquer informação
(email: jose.quiterio@sapo.pt).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A Chousa do Bruno e outros terrenos murados


O semanário Região de Cister, de 15 de Janeiro de 2015 publicitou a realização de uma escritura de usucapião cujo declarante, diz-se aí, reside na Rua Sousa do Bruno.
Trata-se de erro, como se percebe logo a seguir quando se declara que o objecto da escritura é um terreno rústico denominado Chousa do Bruno.

A chousa do Bruno, situa-se a nascente do IC2, no sopé da Serra dos Candeeiros, frente aos Casais de Santa Teresa e, é designação comum a vários prédios, de diferentes proprietários, dos Casais de Santa Teresa e da Ataíja de Cima e há-de ter sido, em outros tempos, uma propriedade de razoáveis dimensões, tão importante que deu nome ao sítio e, agora, também, à rua que, a partir do IC2, lhe dá acesso.

Quem seria o Bruno de quem era a chousa, isso, é-nos totalmente desconhecido.
Fiquemo-nos, então, pela chousa e deixemos o Bruno.

O que é uma chousa?

Informa o DPLP que, chousa é 1. [Antigo] Pomar; horta. 2. Pequena quinta com chousura e, do mesmo modo, também nos diz que, chousura é palavra antiga, com o significado de cerca ou tapume (que separa uma terra da outra).[i]
Chousa, chouso, chousal e chouseira e, ainda, choussa e chousseira, tudo é, diz-nos por sua vez José Pedro Machado[ii], fazendola, quintarola, rodeada de muro; pequena tapada. | Redil ou sebe que os pastores armam no campo, durante o verão, para ali recolherem o gado. | Tapada, cerrado.
Houaiss[iii], acrescenta, ainda, com idênticos significados, chousela e choussal.

Ou seja, chousa é um terreno vedado.

Para entender a importância de vedar os terrenos é preciso lembrarmo-nos de que a capacidade dos nossos antigos para cultivar era muito limitada, quer por não disporem de máquinas e instrumentos adequados, quer por a população ser escassa (ainda em meados do Séc. XIX, a população de Portugal era menos de metade da actual).
Daí, a maioria das terras estava, de facto, inculta e nela vagueavam, mais ou menos livremente, grande quantidade e variedade de animais, quer selvagens, designadamente lobos, raposas e texugos e animais domésticos ou domesticáveis sem dono (o chamado gado do vento), quer animais domésticos, fossem estes os pequenos rebanhos de cabras e ovelhas, que os locais mandavam a pastar a cargo dos filhos mais novos, ou varas de porcos, ou manadas de vacas, ou de cavalos que os senhores importantes faziam pastorear por onde lhes dava na real gana, sem o mínimo respeito pelos interesses dos camponeses.
Esses terrenos abertos tinham, assim, um alto valor económico quer como fonte de alimentação de quase todos os animais quer como local de abastecimento de madeira e de combustível (lenha), mato e caça, além obviamente de bagas e outros frutos silvestres, cogumelos e outras plantas comestíveis ou medicinais..

Para cultivar escolhiam-se, cuidadosamente, os terrenos que se espredegavam, utilizando-se a pedra assim obtida para construir as paredes com que se vedavam[iv]. Frequentemente, esses terrenos eram baixas ou pequenos vales integrando propriedades que se desenvolviam pelas encostas adjacentes[v], estas não cultivadas e destinadas a produzir mato, lenha, madeira para construção e alimento para cabras, ovelhas e outros animais domésticos. Nestes casos, tudo era devidamente murado, às vezes, duplamente murado, construindo-se paredes que separavam a parte cultivada da parte inculta com o objectivo de pastorear animais, sem correr o risco de eles invadirem as culturas.
  

Chousa é, no entanto, palavra de difícil pronunciação pelo que as gentes da Ataíja passaram a dizer soija e uma infinidade de variantes que vão do masculino soijo (que, na minha percepção, era soija pequena) a, diminutivos vários como soijinha e soijinho ou, de preferência, soijica e soijico que, na minha terra, o sufixo diminutivo é ico.

Mas, chousa e as suas variantes pareceram insuficientes para caracterizar devidamente os terrenos murados, pelo que temos, ainda, a cerrada e o cerrado, a cerradinha e a tapada.


Alguns topónimos locais relativos a terrenos murados:

Cerrada - (fechada). No linguajar local, dita a Sarrada. A Cerrada era uma das maiores propriedades da Ataíja, na ponta da aldeia, a caminho Lagoa Ruiva e do lagar dos Frades. Encontra-se, actualmente, partilhada entre vários proprietários. Foi antes de Maria “Botas” e de seu marido Luis de Horta e do irmão dela, Manuel “Botas”, cujas fracas cabeças os levaram a perder esta e outras propriedades e a acabar, o casal no Asilo da Mendicidade de Lisboa (em Alcobaça) e ao irmão, como pastor, em casa de Francisca “Crispa”, da Ataíja de Baixo, situações em que, aos três, ainda os conheci.
Ilustrando o pouco juízo que os levou à ruína, contava a minha avó que, não havendo, por desleixo, nada que comer lá em casa teria, um deles, proposto: Mata-se o galo! Ao que o outro logo acrescentou: E vou à taberna buscar 5 litros!
Cerradinha – (dita Sarradinha). Cerrada pequena.
Cerrado – (dito Sarrado). O meu avô José Agostinho da Graça era proprietário de um Cerrado, na Rua dos Arneiros (com acesso, também, pela rua do Martins), uma propriedade de dimensão notável para a aldeia, talvez apenas comparável à Cerrada. Esta propriedade foi a criação de uma vida e construiu-se a partir da junção, por aquisições sucessivas, de diversas propriedades confinantes, incluindo parte do olival do Brilhante (de José Maria dos Santos Brilhante, de Aljubarrota). Era uma propriedade completa para uma economia baseada na agricultura de subsistência (embora de dimensões insuficientes para o sustento da família), porquanto tinha áreas de olival e de vinha e terreno aberto para culturas diversas, incluindo uma chã muito propícia ao cultivo do milho (e, o pão que se comia era pão de milho). Dispunha, ainda, de árvores de fruto diversas, incluindo figueiras, nogueiras (os figos eram alimento privilegiado para o porco doméstico e, quando passados e tal como as nozes, constituíam um complemento alimentar, fortemente calórico, indispensável no Inverno), macieiras e ameixieiras de várias qualidades (algumas variedades de ameixas também se secavam, assim como uvas e maçãs).
Soija da Lagoa - Nome de diversas soijas situadas nos arredores da Lagoa Ruiva.
Soija de Baixo – Assim chamamos, na família, a uma soija sita na Rua dos Arneiros, frente ao antigo restaurante Rapótacho.
Soija do Bruno A soija que originou este texto. Fica situada frente aos Casais de Santa Teresa, a nascente do IC2, onde agora, uns duzentos metros a norte do entroncamento com o IC9, começa uma rua chamada, precisamente, Rua Chousa do Bruno.
Soijica - Soijinha. É comum na Ataíja utilizar-se o sufixo ico, por inho.
Soijinha - Diminutivo de Soija. É uma soija pequena, a família pode designá-la assim apenas porque tem uma outra soija maior. Existem várias. À maneira ataijense são, frequentemente ditas "soijica". Também se usa no masculino (soijo, soijico)
Tapada - Na zona existem ou existiram várias tapadas. A que mais me impressionava em pequeno era uma, ao tempo propriedade de Augusto Ribeiro, situada já em plena encosta da serra. Era um triângulo cultivado, que se destacava na paisagem árida sendo claramente visível de qualquer ponto da aldeia. Ficava ali, isolada, acima dos olivais, no meio dos baldios de alecrim, ao cimo da Serventia, limitada a nascente pelo chamado Caminho do Guarda, a norte do Cruzeiro que assinala o local até onde se desloca a procissão de Nossa Senhora da Graça, no dia 2 de Fevereiro para, daí, o Padre abençoar os olivais.
Encontra-se, actualmente, plantada de eucaliptos
Mais para sul, à distância de uns trezentos metros e à mesma cota, no topo do Olival dos Frades, continuam bem visíveis os fortes muros da Tapada do Mosteiro onde, contava a minha avó, os frades plantaram laranjeiras (e, consta, aqui há uns anos atrás, alguém plantou uns pés de cannabis).


Muitas vezes, a chousa era total e permanentemente fechada pelo muro de pedra que a protegia, sem, sequer, um porto de passagem e só havia uma maneira de lá entrar: Passando-se sobre o muro. Pelo saltadoiro, claro. Mas, disso havemos de falar numa próxima oportunidade.


NOTA: Este texto é um esboço.
Gostaria de o poder desenvolver, como contributo para um dicionário topográfico e toponímico da Ataíja de Cima, com melhor identificação e localização dos diversos terrenos da zona da Ataíja de Cima que, quer nas descrições matriciais e registrais quer, apenas, na tradição familiar dos proprietários, são designados, por soija, soijo, soijinha, soijinho, soijica ou soijico e, bem assim, cerrada, cerrado, cerradinha, tapada ou nomes similares.
Ficarei muito grato aos leitores que puderem ajudar-me com qualquer informação.


(a Rua da Chousa do Bruno no Bing Maps)




[i] "chousa", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/chousa [consultado em 29-01-2015]. "chousura", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/chousura [consultado em 29-01-2015].
[ii] José Pedro Machado, Grande Dicionário da Língua Portuguesa, Círculo de Leitores, Lisboa, 1991.
[iii] Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Círculo de Leitores, Lisboa, 2002
[iv] Veja-se, neste blog, (http://ataijadecima.blogspot.pt/2011/05/um-testamento-de-1822.html), o testamento, de Micaela dos Santos, celebrado no ano de 1822 e no qual se identifica uma Terra de Pam e pouzio tapada sobre si no Sítio da Figueirinha. O mais forte elemento identificativo do terreno em causa é o facto de ser “tapada sobre si” quer dizer, ser uma soija o que, por outro lado, implica que os demais terrenos no local não eram tapados (sob pena de inutilidade da descrição)
[v] As matrizes e as escrituras antigas, estão cheias de descrições que começam por expressões do tipo: “uma terra de cultivo (ou uma terra de pão), com sua testeira de mato” 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

16º Almoço Anual do Salão Cultural Ataíjense




Como sempre, desde o ano de 2000, no terceiro domingo de janeiro, a população da Ataíja de Cima reúne-se no Salão Cultural Ataíjense, para o respectivo almoço anual.

Assim foi no passado dia 18, dando continuidade ao que já é uma arreigada tradição e, mais do que isso, uma manifestação de união em torno dos objectivos comuns que são os de continuar a desenvolver os laços de amizade e respeito mútuo entre os moradores, como condição para a união de esforços tendo em vista a melhoria das condições de vida da comunidade.

Participaram no almoço cerca de trezentos ataijenses e amigos e, como convidados, representantes da Câmara Municipal de Alcobaça e da Freguesia de Aljubarrota, incluindo os respectivos presidentes Dr. Paulo Inácio e Sr. José Lourenço e o Pároco Ramiro Portela.

Quem, como eu, acompanha com atenção e interesse mas, forçadamente, a alguma distância a vida ataíjense, não pode deixar de se sentir feliz por ver que, neste quinze anos, desde o 1.º almoço, a partir do qual o Salão Cultural Ataíjense logrou criar as bases para uma actividade diária e ininterrupta, o desenvolvimento do Salão tem sido, igualmente, ininterrupto.
De facto, desde então assistiu-se a, pelo menos, três fases de ampliação das instalações e, no último ano, à substituição integral da cobertura que é, agora, em painéis sandwich, com grande benefício das condições térmicas e acústicas do Salão.
Mas, porque uma Casa destas nunca está acabada, outras obras continuam em curso (caso da plataforma elevatória cuja entrada em funcionamento se prevê para breve e outras foram anunciadas. A próxima, que decorre da substituição da cobertura e implicará muito trabalho voluntário, será a pintura das paredes interiores do 1º andar.





Tudo só foi possível graças ao trabalho de muitos voluntários.
Eis alguns deles:



Este ano, ao contrário do habitual esquecimento a que a comunicação social local vota quase toda a Borda da Serra, o almoço foi notícia no quinzenário O Alcoa, de 22 de janeiro:





Dia 17 de janeiro de 2016, 17º Almoço Anual do Salão Cultural Ataíjense.
Até lá!

sábado, 10 de janeiro de 2015

Almoço Anual do Salão


16º Almoço Anual

do

Salão Cultural Ataíjense


3º domingo de janeiro

dia

18-01-2015


Ementa:
Almoço 

- Sopa da Pedra e Canja de galinha,
Bacalhau à Salão,
Galo do Campo com massa e legumes salteados.


Jantar
- Grelhados mistos e as sobras do almoço

As bebidas são incluidas, excepto cafés e bebidas espirituosas que são servidos no bar.


Preços: 
Crianças até 6 anos, grátis;
Crianças dos 6 aos 12 anos 6,50€
Adultos 18,00€



INSCREVE-TE JÁ, na sede do salão, ou através de: scataijense@hotmail.com ,ou 918201194



https://www.facebook.com/events/651581178284665/
https://www.facebook.com/SalaoCulturalAtaijense

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ataíja, terra natal de Teresa Lourenço, a Pinheira, mãe do futuro rei D. João I, o da Boa Memória

“E he asy a maey del Rey Dom Yoam da Boa memoria chamada Tareyja Lourenço a Pinheyra era dahy do pee daquela serra das Ataijaas”


É um curioso documento o trazido, pelo Professor Saul António Gomes, ao fascículo dedicado ao foral de Aljubarrota[i], do projeto “comemorações 500 anos da outorga dos forais do concelho de Alcobaça por D. Manuel I”, com o título “Ataíja, terra natal de Teresa Lourenço, a pinheira, mãe do futuro Rei D. João I, o da Boa Memória”.

O autor, que diz escrever em 1516 e se identifica como João de Arruda, irmão de Vaz de Arruda guarda-roupa do Rei D. Manuel II, diz querer ajudar Garcia de Resende “pondo aquy huns passos que elle (o Rei D. João II) dixe e fez que nom acho escritos na sua (de Garcia de Resende) leytura e coronica”.

Para isso relata o supostamente acontecido de uma vez em que D. João II, indo de Alcobaça para a Batalha foi abordado, além da vila de Aljubarrota, por um grupo de camponeses, que, disse o Rei a João de Aveiro, seu moço de esporas que o acompanhava, alguns deles seriam parentes do próprio Rei.
É que, explica de seguida o dito João de Arruda, “E he asy a maey del Rey Dom Yoam da Boa memoria chamada Tareyja Lourenço a Pinheyra era dahy do pee daquela serra das Ataijaas”.
Por isso, D. João I teria dado àquela gente da Ataíja alguns privilégios (isenção dos impostos de oitava e jugada e do serviço em cargos do concelho), privilégios esses que, com o tempo, “…os almoxarifes[ii] dos duques senhores de Porto de Mós[iii] lhe foram tirando …”
Apresentar queixa ao Rei desses comportamentos dos almoxarifes era o propósito que movia o tal grupo de camponeses.

Quem, efectivamente, seria esta Teresa Lourenço, mãe de D. João I, isso é questão que, de todo, não está esclarecida.
Fernão Lopes autor das mais antigas referências escritas à mãe de D. João I, dá-a como uma dama galega[iv].
Outros, dizem-na filha de “Lourenço Martins, a quem chamaraõ o da Praça, Cidadaõ honrado de Lisboa, filho de Martim Lourenço, que jaz sepultado na Freguesia de S. Mamede, e de sua mulher Sancha Martins, de que se conserva ilustre descendência na Familia dos Almadas”.
Frei Manuel dos Santos, diz que Teresa Lourenço seria filha de Rui Fernandes de Almeida, fidalgo de entre Douro e Minho.
João de Arruda, no documento que motiva este texto, diz, como vimos, que Teresa Lourenço, a Pinheira era do pé da serra das Ataíjas.
António Caetano de Sousa no Tomo II, publicado em 1736, da “História Genealógica da Casa Real Portugueza”, trata a questão em profundidade, passando em revista as várias teses então existentes, refutando-as, uma a uma:
- A hipótese de ser fidalga galega, por não haver documento que o sustente;
- A de ser filha de Lourenço Martins por não haver documento nem, muito menos, “Author vizinho daquele tempo” que a confirme, embora reconheça que “… se alguma das opiniões sem documentos podia ter probabilidade na conjectura, e nas circunstancias era esta…”[v]
A de ser filha de um fidalgo de entre Douro e Minho, ainda menos a aceita porque, diz, não só não se encontram as cartas em que a hipótese se baseia como, porque, entre aquelas onde eram suposto estarem as ditas cartas, “… se vem algumas das que são inverosímeis à Historia daquele tempo…”
Conclue, no entanto, dizendo que “…ninguém duvida da nobreza desta Dama;…” mas, dessa nobreza não faz prova, pelo que, usando os seus próprios argumentos, isso não é de aceitar, sem mais. 
De facto, tal conclusão é meramente ideológica: O autor conclui que a mãe do Rei D. João I seria nobre porque, no sistema de classes vigente à época, inadmissível seria que o Rei de Portugal fosse de origem vilã.

E, chegámos ao Séc. XX, continuando sem novas provas mas, agora, com uma linguagem mais solta, como se vê, por exemplo, nas “Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança”, onde o Abade do Baçal diz que:
“El-rei D. Pedro, consolado da perda de D. Inês de Castro, tomou-se de amores com a formosa Teresa Lourenço, que, em paga, lhe deu … D. João, Mestre de Avis, depois primeiro deste nome rei de Portugal.
Alguns dizem que esta régia barregã era simples tendeira ou regateira da Ribeira Velha, em Lisboa, facto que não destoa do carácter plebeu do real amante.”

Neste início do Século XXI, surge esta nova hipótese, afirmada por João de Arruda, da naturalidade ataijense da mãe do D. João I.
Esta é, no entanto, hipótese tão incerta como as demais mas, tendo sido escrita 159 anos depois do nascimento de D. João I, tem as vantagens da razoável proximidade aos factos (três ou quatro gerações teriam sido suficientes para a transmissão oral da “verdade”) e, ao mesmo tempo, um igualmente razoável afastamento dos mesmos factos que dispensaria, agora, os cuidados com que a questão da ascendência materna do Rei teve, naturalmente, de ser tratada na época do nascimento da dinastia.
Acresce que, o ter nascido aqui ao “pee daquela serra das Ataijaas” não seria, por si, absolutamente incompatível com a hipótese de ser filha de Lourenço Martins e de sua mulher Sancha Martins.

Certo é que D. João I “Era filho del Rey D. Pedro, e de Thereza Lourenço, com quem depois da morte da Rainha D. Ignez teve El Rey trato” e, também é certo que esse trato, essa relação, não foi coisa acidental, antes assumida, estável e durável, como se deve concluir do facto de o Rei ter assumido logo a paternidade e ter-se interessado pela educação do filho[vi] e segurança da mãe a quem, em 1366, fez doação de umas casas e outros bens em Aviz, o que parece justificar-se com o facto de, dois anos antes, em 1364, o jovem João, então com sete anos de idade, ter sido feito cavaleiro e Mestre da Ordem de Aviz, onde passou a viver “e nesta Villa se creou”. Ou seja, bem parece que a doação teve o fito de levar a mãe para perto do filho.

Era a mãe de D. João I ataíjense?

Não o creio e, menos creio que tal se possa vir a provar. Mas, o texto de João de Arruda e a escrita deste já me levaram a ler, de um fôlego, a Crónica de D. Pedro I (disponível online em purl.pt/422) que recomendo vivamente porque, está lá tudo: Guerras várias, terror e justiça, crueldade, amor e ódio, sexo, fidelidade e traição, ganância e crime, perseguições e fugas etc., etc. Como num romance dos bons.




Loudel de D. João I
O Loudel, ou laudel, era uma veste destinada a proteger o corpo dos golpes de espada. O loudel de D. João I (actualmente exposto no Museu de Alberto Sampaio, em Guimarães) tem forma de colete cintado que se estende até aos joelhos. É composto por várias camadas de linho e enchimento de lã, acolchoadas. Aperta-se na parte frontal através de vários botões pouco intervalados (adaptado do site do Museu Alberto Sampaio, em http://masampaio.culturanorte.pt/pt-PT/colec/textil/ContentDetail.aspx?id=330)


[i] Distribuído com a edição 1104 do semanário Região de Cister, de 16 de Outubro de 2014.
[ii] Funcionário responsável pela cobrança e arrecadação de impostos.
[iii] Mais uma vez se confirma o que, aliás, há muito é sabido: historicamente, sempre a Ataíja pertenceu a Porto de Mós que, por sua vez pertencia a Ourém. Os “duques senhores de Porto de Mós” são os duques de Bragança, também, condes de Ourém.
[iv] “Uma dona natural da Galiza que chamavam Dona Tareija Lourenço, que pariu dele um filho, que houve nome D. João, que foi Mestre de Aviz e depois Rey” –in, Crónica de D. Pedro I, de Fernão Lopes, copiada do original e acrescentada pelo Padre José Pereira Baião, Lisboa, 1735, pág. 53.

[v] Faria sentido entregar a criança nos seus primeiros tempos (com a mãe, é óbvio) aos cuidados dos avós maternos.  
[vi] Segundo Fernão Lopes (op.cit., pág. 54) , a criança foi entregue pelo pai, primeiro, a Lourenço Martins da Praça, um dos honrados Cidadãos da cidade de Lisboa e, depois, a Dom Nuno Freire de Andrade, Mestre da Cavalaria da Ordem de Cristo.