quinta-feira, 4 de março de 2010

Estrada do Lagar dos Frades

É a Estrada Municipal n.º 553 que liga o IC2 a Aljubarrota, por Ataíja de Cima e Cadoiço.


(Extracto da Folha 317 da Carta Militar de Portugal, Série M888, Escala 1:25.000, Edição 3, Instituto Geográfico do Exército, 2004)

Foi construída, no final dos anos quarenta do Séc. XX como, em Agosto de 1949, Joaquina Rosalia relata numa carta que enviou a seu marido José Coelho:

(NOTA: Resmo s.m. Aglomerado de aluvião, constituído por pequenas pedras, areia e terra argilosa que se extraía na base da Serra dos Candeeiros e se usava, à laia de touvenant, para compactar a superfície de estradas e caminhos. O resmo foi, ainda, largamente usado na construção da Estrada Nacional n.º 1, nos anos cinquenta.)

Esse foi, no entanto, um trabalho feito com fraca qualidade já que, lembro-me bem, logo nos final dos anos cinquenta, em grande parte do seu percurso, sobretudo nas zonas de ladeira (ao fundo da Igreja, nas ladeiras Grande e Pequena e na dos Caramelos), o macadame tinha desaparecido e, em seu lugar, ficaram as lages sobre que assentava.
Inicialmente chegava, apenas (o macadame, entenda-se), até à Lagoa Ruiva tendo sido prolongado até à Estrada Nacional nº 1 (actual IC2) aquando da construção desta.

A estrada do Lagar dos Frades foi alcatroada em meados dos anos setenta, por iniciativa de um grupo de naturais e residentes que incluía, entre outros, o meu pai e José (Coelho) Sabino, então ambos emigrados por Lisboa e que, para isso, fizeram fortes e prolongadas pressões junto da Câmara Municipal de Alcobaça (o meu pai, por noves vezes se deslocou, propositadamente, de Lisboa a Alcobaça).

A população deu trabalho, dinheiro, pedra e outros materiais, cedeu as faixas de terreno necessárias ao alargamento e a pequenas rectificações do traçado e reconstruiu os muros.

O traçado foi definido pelo funcionário da Câmara, Sr. Carrão que percorreu o centro da via transportando nos braços uma comprida vara cujas pontas assinalavam os bordos da estrada que se iam marcando com estacas.

Aquando do alcatroamento da estrada ficou clara, para quase toda a gente, a necessidade de se arrasar a sacristia da Capela de Nossa Senhora da Graça a qual se situava, então, do lado sul, provocando um forte estrangulamento da via.

Eu próprio fiz um desenho que serviu de base à construção da nova Sacristia, na cabeceira da Capela, tal como agora existe.

Estas obras decorreram num ambiente de grande entusiasmo, quase um levantamento popular (estávamos na ressaca do 25 de Abril e o ambiente que então percorreu o país, afectava toda a gente) que culminou numa rija festa.

As obras contaram, no entanto, com a oposição do "Mosca" apoiado por mais um ou dois residentes, entre eles José Veríssimo. Ora, este era conhecido por ter um feitio, digamos, rígido que facilmente arranjava inimizades. Foi assim que as posições se extremaram, com a oposição a fazer tudo para impedir as obras, incluindo chamar a GNR que chegou a pôr-se ao caminho (as obras estavam a ser feitas, aos fins-de-semana, por trabalho voluntário e sem licença) mas foi travada a tempo pelo Padre Ramiro que receou e bem os desacatos que poderiam resultar da intervenção policial.

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