O padrinho Fialho morava numa casa de alpendre (com uma fachada muito idêntica à da casa de Amélia Ribeiro) que existia num beco ali à Rua de Traz, no sítio exacto onde agora está a casa de José Luís, o Cangalheiro. Era casado com a madrinha Quitéria, mais de vinte anos mais nova (ouvi dizer à minha avó que, ele já homem, sendo interpelado pela ausência de namorada, terá dito, à passagem do cortejo de um baptizado, que se ia casar com a baptizanda, o que veio a acontecer). Não tiveram filhos mas, em contrapartida, tiveram muitos afilhados.
O padrinho Fialho tinha fama de ter dinheiro e o hábito de esconder as moedas em bolsas que cozia no forro da jaqueta. Era padrinho do meu tio António Sapatada e, teria este sete anos (em 1917, portanto), despejou sobre a mesa da casa de fora uma lata que tinha cheia de moedas, mandando à criança que escolhesse uma. Naturalmente e para aborrecimento do padrinho que preferia perder uma moeda negra, a escolhida foi uma moeda branca, de cinco tostões, com o que o meu avô comprou as primeiras botas do rapaz.
Foto da moeda a que se refere o texto, retirada de http://www.dbcoins.com/ - moeda de prata .835, peso 12,5 gr., diâmetro 30mm - moedas de 50 centavos com aspecto idêntico foram cunhadas em Portugal até 1968 mas, em 1927, já eram feitas numa liga de níquel-bronze.
Por curiosidade, veja-se que, com a cotação da prata a € 411, 40, aquela moeda valeria hoje, ao peso, à volta de € 5,00. Cerca de 2.000 vezes mais. Insuficiente, no entanto, para comprar umas botas.
Se, por acaso, a moeda em causa tivesse sido cuidadosamente guarda até hoje, encontrando-se em muito bom estado (aquele a que os colecionadores chamam Bela), valeria ela cerca de € 18,00, preço a que é possível encontrá-la nas casas da especialidade. Continua a não chegar para comprar umas botas.
Para resolvar estes problemas do valor actualizado do dinheiro, está previsto quer no Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC) quer no Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) que seja anualmente publicada uma Portaria de actualização dos coeficientes de desvalorização da moeda. Segundo a Portaria n.º Portaria n.º 772/2009, de 21 de Julho, o coeficiente de desvalorização da moeda para efeitos de correcção monetária dos valores de aquisição de determinados bens e direitos era, em 2009 e relativamente a 1917, de 2.241,65, pelo que cinquenta centavos de 1917 correspondem hoje a cerca de € 5,60. Continua a não chegar para comprar umas bota.
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
A Rua de Traz em meados do Século XX
Cerca de 1950 estava a construir-se entre o Outeiro e o
Lugar, em aterro, o troço da actual Estrada do Lagar dos Frades que havia de
substituir a velha calçada, situada uns metros mais a norte, junto ao então
quintal da Benedita, (agora de António Sabino), como ainda se vê, mas
interrompido no final pelo monumento aos Combatentes.
Em frente, onde agora é o supermercado, estava a casa da Calçada,
uma casa antiga e pequena para onde se subia através de três ou quatro degraus
de pedra. Aí, de porta sempre aberta para aproveitar a luz exterior, o Pirisca
exercia o seu ofício de sapateiro.
Para a direita acedia-se à estrada e à Rua de Nossa Senhora
da Graça. Pela esquerda, era a Rua de Traz.
Onde hoje é propriedade do José Luís e a casa do Abílio era a
taberna, a casa e os demais cómodos de um outro José Luís, avô daquele e pai do
Abílio, felizmente ainda vivo, do Petinga que seguindo as pisadas paternas
também foi taberneiro, do Padre Tomás de quem já falei mais de uma vez,
designadamente no post Gente da Ataíja de Cima - O Padre Tomás e de duas raparigas, uma Maria, que ficou solteira e
acompanhou o irmão Padre, e uma Luísa, que casou no Cadoiço com Joaquim
Vitorino.
A dita taberna foi, como contei no post Gente da Ataíja de Cima - Joaquim Rôzo, a sala de aula onde o meu pai, o Padre Tomás e outros rapazes do seu tempo, aprenderam a ler e escrever.
De seguida, a rua faz uma curva apertada, a noventa graus
para a direita. Do lado norte, o pátio, a casa nova e uma velhíssima casa de
alpendre, eram os cómodos de Luísa Ribeiro que, em 1947, ficara viúva com 2
filhos e grávida da terceira, a Joaquina a quem dediquei o post Gente da Ataíja de Cima - Joaquina Ribeiro Vigário. Apesar de ter casado, em 2as núpcias, pouco tempo depois, com José Maneta, a Luísa Ribeiro ficou para sempre conhecida como A Viúva.
O pátio e as casas ainda lá estão. O
Pátio onde agora se criam ervas, ainda rodeado dos numerosos palheiros,
estábulos e arrecadações de toda a espécie, a maioria deles já sem telhado e a
caminho da ruína, testemunhas de um tempo e de um modo de exploração da terra que
não voltam. A casa velha, está mais velha. A casa nova, construída para as 1ªs
núpcias da viúva, está agora desprovida do patim que lhe permitia um minúsculo
jardim e, sobretudo, a protegia de bestas, carros e carradas.
O seu único habitante é um cidadão
ucraniano, há muitos anos emigrado em Portugal, operário numa oficina de pedra.
Do outro lado da rua era a casa, já
desaparecida, do meu tio-avô João da Graça, dito o João Redondo, que aí vivia
com a sua mulher Emília, natural de Aljubarrota. Não tiveram filhos.
Ele era sapateiro e deslocava-se a casa
dos clientes, onde ficava a trabalhar por vários dias, consertando todo o
calçado da família e, por vezes, fazendo obra nova. Assim me lembro de o ver,
exercendo o seu ofício, no alpendre da casa de José Ribeiro.
Logo, pegada, uma antiquíssima casa que ainda resiste e onde vivia Maria (da) Serafina, a Maria
Pequena para se distinguir de uma irmã mais velha, também Maria. Naquele tempo
era casada em 2ªs núpcias, com Eleutério dos Santos, mas julgo que já não
viviam juntos. Lá em casa moravam, pelo menos, duas filhas e um neto mas ele morava numa
casa pequenina que havia no quintal da Rosalia, na Rua das Covas.
Este Eleutério dos Santos terá sido o último enjeitado que
houve na Ataíja de Cima mas dele, no entanto, não encontrei, até agora, rasto no
Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (diga-se, aliás, que
nem todos os enjeitados passaram pela SCML).
Voltando ao lado norte da rua, às casas de Luísa Ribeiro
segue-se o portão de um pátio, ao fundo do qual, numa pequena casa de que agora só
restam ruínas, vivia a família de José Constantino que aí criou, pelo menos,
sete filhos, entre eles, a Perna Torta.
Logo depois a casa, hoje também em ruínas, onde viviam os
irmãos, meus tios-avós, Maria Marreca a Manuel Mariola, tal como o João Redondo,
meios irmãos da minha avó paterna. A alcunha de Marreca devia-a ela a uma
grande corcunda, resultado de uma grave fractura da coluna sofrida quando bébé,
uma vez que o irmão Manuel, também uma criança, a pegou ao colo e a deixou cair
da janela da casa para a rua.
Terá sido este mesmo episódio que lhe valeu a ele a alcunha de Mariola.
Terá sido este mesmo episódio que lhe valeu a ele a alcunha de Mariola.
Seguia-se uma estreita casa, com um pequeno alpendre, onde
então ainda vivia o velho Porfírio dos Santos, oriundo da zona da Nazaré mas
vivente na Ataíja desde criança, onde chegou na condição de enjeitado ou criado
de servir, o que não era muito diferente.
E, logo, a casa recente (construída em 1946) da sua neta Joaquina Méla. Esta casa ostenta uma curiosa Pedra da Era, com a representação de um machado e um serrote, instrumentos da profissão do marido, Manuel Sarrador.
E, logo, a casa recente (construída em 1946) da sua neta Joaquina Méla. Esta casa ostenta uma curiosa Pedra da Era, com a representação de um machado e um serrote, instrumentos da profissão do marido, Manuel Sarrador.
Seguia-se a casa de Manuel Casal que então aí vivia com a
sua mulher Luisa Vigário, a Pisa Flores, por vezes também dita A Farricha e o filho António. A casa já não
existe e no seu lugar o bisneto Joel está a construir uma nova.
Em frente abre-se um largo por onde se estabelece ligação à
Rua de Nossa Senhora da Graça, à antiga Rua da Penicheira e ao Beco onde está a
casa de José Luís, no lugar onde naquele tempo havia a casa do Padrinho Fialho, então já falecido.
Aí havia também umas antigas casas que a Luísa Ribeiro usava
como palheiros e para aí davam as traseiras da casa do João Redondo, uma
arribana, lugar do ofício quando o trabalho era em casa e o portão do pátio da
casa do meu avô Quitério, da minha casa de infância.
E, ainda, de costas para a taberna do Manuel Luís, a casa da
viúva Felismina, a parteira da aldeia que também sabia de rezas e curas.
Não
sei se foi ela que me ajudou a vir ao mundo (poderá ter sido a outra parteira,
a Silvina) mas sei que, aquando de umas aquando de umas febres que me atacaram, durante
a epidemia da gripe asiática, ela me esfregou o peito e a barriga com
azeite da candeia, enquanto entoava umas ininteligíveis rezas. (Os
curiosos podem saber mais sobre a gripe asiática lendo o seguinte texto:
(https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/gripe-em-lisboa-1957-e-2008-pdf.aspx)
(https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/gripe-em-lisboa-1957-e-2008-pdf.aspx)
Com a Felismina, aí viviam o seu filho José
Quépão e a mulher e os filhos destes, meus primos.
Tudo era um lagedo (o Lugar está construído sobre uma
imensa pedreira), nesse beco, usava formar-se uma pequena lagoa quando
chovia e, nós os pequenos, conhecedores do chão que pisávamos, íamos com
gravetos, arames e pregos, limpar um pequeno buraco que havia numa das pedras
e, quando o conseguíamos desobstruir, a água desaparecia em vórtice.
Retornando à Rua de Traz e continuando pelo norte, à casa de
Manuel Casal seguia-se uma estreita e antiga casa, que aliás naquele tempo já
não era uma casa, mas ainda existe, disfarçada atrás de uma parede de pedra sem reboco (que
oculta uma minúscula divisão, talvez uma antiga corte do porco) e de um pequeno
alpendre ou arribana. Era propriedade do meu avô José Agostinho da Graça que a
usava como palheiro e estábulo do burro. O burro era preso ao pau de fuste que
suportava o cachorro da chaminé e a lareira era a mangedoura. A porta da casa
tinha um postigo e, como há ainda quem se lembre, às vezes via-se o burro,
cabeça enfiada no postigo, observando o movimento da rua.
Seguia-se uma outra antiga casa, naquele tempo usada pelo
José Ribeiro como palheiro e que mais tarde foi recuperada por um neto e,
agora, é propriedade de um casal de cidadãos canadianos que aí vivem.
Segue-se a casa do meu avô Agostinho e da minha avó Carlota.
Aí vivem agora a Celeste Rebolão e o marido.
Do lado sul, desde o largo atrás referido, eram antigas
casas, com entrada pela Rua da Penicheira, onde já não vivia ninguém e funcionavam como palheiros e adega de
Sabino Vigário. Seguia-se outra que tinha entrada pela Rua de Traz e era, creio propriedade de José Ribeiro, também usada como palheiro. Foi há uns anos
remodelada e esteve habitada. Agora, todas esses telhados estão em vias de ser
demolidos, para no seu lugar surgir o novo grande objectivo da comunidade, a
construção do Centro Paroquial e Casa Mortuária.
Seguia-se, e ainda
segue, uma pequena construção onde o meu avô Agostinho fazia adega, e abria-se
uma travessa que ligava à Rua da Penicheira, à Rua de Nossa Senhora da Graça e ao Adro da Capela. A Travessa ainda lá está, mas o acesso à Rua da Penicheira
foi cortado na segunda metade dos anos de 1970 quando a população decidiu
autorizar o José Rebolão a construir aí, por troca com um espaço do outro lado
da rua.
Pelo lado sul, o último quarteirão da Rua de Traz, entre a dita Travessa e o Fundo da Igreja, eram traseiras das casas de Maria da Serra (depois, de José Rebolão), de Manuel Maurício e sua mulher Silvina e da viúva Maria Constantino ou Maria Serafina e, ainda, de uma antiga casa, onde naquele tempo ainda se via a chaminé e uma divisória em tabique, que José Ribeiro usava como palheiro ou arrumos e o neto agora usa ou usou como garagem.
Pelo lado sul, o último quarteirão da Rua de Traz, entre a dita Travessa e o Fundo da Igreja, eram traseiras das casas de Maria da Serra (depois, de José Rebolão), de Manuel Maurício e sua mulher Silvina e da viúva Maria Constantino ou Maria Serafina e, ainda, de uma antiga casa, onde naquele tempo ainda se via a chaminé e uma divisória em tabique, que José Ribeiro usava como palheiro ou arrumos e o neto agora usa ou usou como garagem.
Fecha o quarteirão, já com
entrada pelo Fundo da Igreja, um antigo lagar, que depois disso já foi palheiro de vacas e agora é garagem.
Pelo Norte, à de meu avô seguia-se a casa de Manuel Morgado,
dito o Manuel Lérias, carpinteiro, natural de Boieira, mas filho de uma
ataijense e de sua mulher Maria Machada que aí viviam com os 4 filhos. Já no
Fundo da Igreja, a casa dos Machado a que já me referi no post A Rua das Hortas em Meados do Século XX e onde viviam a minha tia Papoila, o marido e os três filhos.
Em meados do Século XX, a Rua de Traz tinha 14 casas habitadas nas quais moravam de mais de 50 pessoas.
Hoje, as casas habitadas são seis e residentes contei nove (um terço deles, estrangeiros).
Estado actual
(15-12-2019) das casas de Luísa Ribeiro
Nota para os mais distraídos:
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quinta-feira, 19 de setembro de 2019
A Rua de Nossa Senhora da Graça em Meados do Século XX
A agora chamada Rua de Nossa Senhora da Graça vai, a breve
prazo, sofrer uma alteração profunda e duradoura com a construção do Centro
Paroquial e Casa Mortuária, que vão ocupar a totalidade do espaço dos edifícios que foram propriedade de Sabino Vigário e, ainda, o que sobra do que foi a Rua da Penicheira, chegando à Rua de Traz.
É, por isso, adequado deixar aqui uma memória de como era, em meados
do Séc. XX, aquela foi uma das principais ruas da aldeia e, naquele tempo, já
tinha algumas peculiaridades.
Desde logo, o nome que nunca soube ou que, de
todo, me não lembra. E, no entanto, os homens precisam de dar nomes às coisas,
pelo que é certo que aquela rua há-de ter tido um outro nome, antes de há cerca
de vinte anos ter recebido o actual.
Depois, porque a rua era em alguns pontos mais estreita, por ter um
piso mais acidentado, incluindo uma espécie de degrau, em frente da porta da
escola, e uma enorme lage que a estrangulava em frente da casa de Manuel Branco (esta casa não tinha alicerces e assentava sobre a dita lage), ou por não haver nela qualquer portão de pátio, (salvo o pequeno portão
que se vê na foto junta), o certo é que a rua era, na prática, pedonal.
Começando lá por baixo, pelo largo do Fundo da Igreja:
Do lado direito, a norte, havia um lagar. O edifício ainda lá está e
funciona agora como garagem do Diamantino Pereira. Tratava-se, certamente e
vistas as suas dimensões, de um lagar de vinho. As virgens onde articulava a
vara ainda são bem visíveis na parede que, precisamente, confina com a nossa
rua. Há sessenta anos, essa parede não era rebocada e as virgens eram visíveis
do exterior, embutidas na parede, no que me parecia, quando ainda não conhecia
o interior, uma antiga e estreita porta emparedada.
Do lado sul, a capela. Sem a sacristia que, naquele tempo
era do outro lado, provocando um estrangulamento da estrada que só foi
eliminado na segunda metade dos anos de 1970, aquando do alcatroamento e da construção da sacristia actual.
Ao lagar seguia-se a casa de Maria Serafina ou Maria
Constantina (era filha de Serafina dos Santos e de Constantino dos Santos,
ambos enjeitados) que aí vivia viúva e só, estando a filha Delfina já casada na
Rua dos Arneiros.
Logo, adossada, a casa de Manuel Maurício e da sua mulher
Silvina. Esta era natural do Lorvão e foi a parteira que ajudou a nascer muitos
ataíjenses. Naquele tempo, ainda ali viviam alguns dos filhos que foram, ao que
julgo, quatro. Um Manuel, uma Zaida, uma Isaura e o António (da Silvina) que já
estava casado, nas Pedras Brancas, num casal que fora da bisavó da sua mulher,
e tem um poço, O Poço do Moura, de que já falamos neste blog.
Estas duas casas, as da Silvina e as da Maria Serafina são
hoje propriedade de João Salgueiro, foram objecto de obras profundas e estão
unidas em uma única residência.
Segue-se uma antiga casa de habitação que naquele tempo já era um palheiro de José Ribeiro, hoje do neto
Vitor que a utiliza ou utilizou, como garagem e a casa que era da viúva Maria “da Serra” que foi casada com António Agostinho,
meu tio-avô. Tiverem três filhos. O António Agostinho, a Joaquina “da Serra”
que foi casada com Francisco Salgueiro e a Maria “da Serra” que foi casada com
José Veríssimo. Esta casa foi, posteriormente, adquirida por José “Rebolão” e
até há pouco tempo aí viveu a sua viúva, falecida em 1.1.2018.
Segue-se uma pequena travessa que liga à Rua de Trás e
ligava, também, à desaparecida A Rua da Penicheira.
Seguem-se uns palheiros que hoje são do José Constantino (Zé
Gordo) e, depois, o lugar onde eram as casas que foram de Sabino Vigário e onde
este vivia com a sua esposa Joaquina Baptista e os filhos, António “Sabino” e
Arnaldo, ainda solteiros, enquanto o mais velho, José, estava “lá para Lisboa”.
Seguiam-se mais duas casas do mesmo dono. Uma, pequena, que sempre conheci sem
telhado e, entre esta e a de residência, havia uma outra casa onde ele fazia
biscates de sapateiro e, por isso, a família chamava de casa do ofício, mas
outros chamavam de A Casa do Couto, por a certa altura ter sido propriedade de um
comerciante alcobacense desse nome.
Do lado sul, à igreja segue-se o adro que, naquele tempo,
era bastante mais pequeno pois lá faltam a A Escola e o palheiro ou casa do Mira.
Segue-se adega que foi de José Ribeiro e hoje é do neto
Rafael mas que não tem acesso senão pela Estrada do Lagar dos Frades. Segue-se a casa onde, naquele tempo, vivia, ainda solteiro, José Henriques, Também conhecido por José Neto e, vulgarmente, por Zé Diabo, primo de um outro José Henriques, também José Neto, conhecido por José Carago. Esta casa foi depois vendida e aí viveu a Badalhoiça com o seu filho Francisco “Casalinho”.
Encostada, ainda lá está uma pequena casa que pertenceu aos pais do dito José Diabo. Casa antiga onde foi criado o enjeitado Tomé dos Santos, avô de Francisco Rosa Tomé e de Manuel Carlos Tomé que aí estão, vivos, felizmente e de, pelo menos, três raparigas, já falecidas.
Vem, depois, a casa onde viviam o “Cuco”, a sua mulher Teresa Neto, falecida de Tétano, e três filhos. Encostada a esta última estava a casa da “Viana” ou da “Biana”, que o meu tio Porfírio Coelho usava como arrecadação.
Estas duas casas estão hoje recuperadas e unidas e nelas reside o Paulo Carreira, “o Rodinhas”.
Encostada, ainda lá está uma pequena casa que pertenceu aos pais do dito José Diabo. Casa antiga onde foi criado o enjeitado Tomé dos Santos, avô de Francisco Rosa Tomé e de Manuel Carlos Tomé que aí estão, vivos, felizmente e de, pelo menos, três raparigas, já falecidas.
Vem, depois, a casa onde viviam o “Cuco”, a sua mulher Teresa Neto, falecida de Tétano, e três filhos. Encostada a esta última estava a casa da “Viana” ou da “Biana”, que o meu tio Porfírio Coelho usava como arrecadação.
Estas duas casas estão hoje recuperadas e unidas e nelas reside o Paulo Carreira, “o Rodinhas”.
Seguia-se (segue-se) um espaço onde antes houve casas, mas
que nos anos cinquenta já era local de depósito de lenhas e, depois, uma
pequena construção que agora tem dois pisos mas, naquele tempo, era apenas o
palheiro onde vivia o burro do ti Manuel Branco.
Voltando ao lado norte da rua, aos cómodos de Sabino Vigário
segue-se a casa que foi do meu tio Porfírio Coelho que então aí vivia com a sua
segunda mulher, a minha tia Luísa e cinco filhos e no pátio da qual foi,
posteriormente, construída a casa onde hoje vive a viúva do meu primo João
“Porfírio”.
A seguir, uma travessa que liga ao largo que se forma na Rua de Trás e para onde dão o que resta da Rua da Penicheira e um beco onde havia a casa de O Padrinho Fialho , então já falecido, aquela onde vivia a minha tia Ana como o marido, dois filhos e a sogra viúva e o alpendre das traseiras da casa do ti João Redondo, hoje, tudo, propriedade do José Luís.
A seguir, uma travessa que liga ao largo que se forma na Rua de Trás e para onde dão o que resta da Rua da Penicheira e um beco onde havia a casa de O Padrinho Fialho , então já falecido, aquela onde vivia a minha tia Ana como o marido, dois filhos e a sogra viúva e o alpendre das traseiras da casa do ti João Redondo, hoje, tudo, propriedade do José Luís.
Voltando à Rua de Nossa Senhora da Graça, a seguir à dita
travessa vem a casa, que ainda lá está, de António Daniel, o ti António Seabra,
que aí vivia, julgo que já viúvo, com as três filhas e um filho, todos ainda
solteiros.
Agora que a filha Maria, que a habitou nas últimas décadas, está internada num
lar de idosos, o destino da casa está, talvez, traçado. O que é pena porque se
trata como se vê a um simples olhar, de construção antiquíssima, uma das mais
antigas, das poucas antigas que se mantém de pé na Ataíja de Cima. Ora, nesta
coisa de conservar edifícios antigos, os mais fáceis de conservar são os mais
ricos. A evidente modéstia da casa do Seabra fará, talvez, com que espíritos
práticos achem que não merece ser conservada. É pena.
Seguiam-se a casa de Manuel Branco e Maria Custódia que
sempre conheci sozinhos. Conheci-lhes, pelo menos, um filho. Um Manuel “Custódio” que
morava para os Covões ou Lagoa do Cão, se me não falha a memória. A casa era
minúscula e possuía um pequeno pátio nas traseiras. Não havendo outra serventia, tudo entrava e saía do pátio pela porta da casa.
No dito pátio viveu uma porca que, um dia, comeu o braço de uma criança filha do casal.
No dito pátio viveu uma porca que, um dia, comeu o braço de uma criança filha do casal.
Encostada, estava a casa dos meus avós paternos, onde vivi
entre os meus três e dez anos de idade e, depois disso passei muitas vezes, as
férias grandes. Mas, isso, são contas de outro rosário.
Esta casa já estava no pequeno largo formado pelo entroncamento
com a Estrada do Lagar dos Frades, mas sendo esta muito mais recente, temos de
considerar que a nossa rua seguia até onde está o supermercado da Lúcia “do
Serrano”, onde, naquele tempo, eram as casas de Alfredo Ângelo da Silva. Antes
dela, a casa, que agora é de Manuel Tomé e Francelina e, nos anos de mil
novecentos e cinquenta, era de Maria “Caseira” e de seu marido Manuel “Barra”,
no que eram as segundas núpcias dela, que tinha perdido o primeiro marido nas
trágicas circunstâncias que descrevo no post Tétano, já acima mencionado.
Tudo visto, moram actualmente nesta rua umas oito pessoas.
Há sessenta anos moravam aí mais de quarenta
Vista actual (8-9-2019), da casa que foi de António Daniel,
O Seabra
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